Enquanto no Partido
Republicano a disputa só termina na Califórnia, no último dia das primárias em
07 de Junho, no Partido Democrata a briga termina no final de Abril, podendo
ser no dia 19 em Nova York ou no dia 26 na Pensilvânia. Já há um clima de “já
ganhou” na campanha da candidata Hillary Clinton desde a “Super Terça” do dia
1º de Março e, apesar do número de delegados “comprometidos” ganhos nas
disputas estaduais estar mais apertada (1.228 x 934 para Hillary, segundo as
contas do site “TheGreenPapers”), quando se somam os “Super Delegados” (líderes
do partido com direito a voto) a vitória já está consolidada: 1.698 x 961, sendo necessários 2.383 delegados para a confirmação da vitória. A
diferença é grande e as projeções dos próximos estados não deixa margem para
uma improvável virada. Hillary já venceu. Precisa apenas somar delegados em Abril para que Sanders desista oficialmente da campanha.
A “Super Terça” e a
consolidação da vitória
Foi na “Super Terça” de 1º
de Março que Hillary pode respirar aliviada e comemorar a vitória. Até então
eram os Super Delegados que lhe davam vantagem: Sanders havia vencido em New
Hampshire e conseguido um “empate proporcional” em Iowa e Nevada, perdendo
apenas na Carolina do Sul. Mas no dia 1º de Março Hillary venceu em oito dos
doze estados em disputa, incluindo vitórias maiúsculas nos dois principais
estados do dia: Texas (65,2%) e Geórgia (71,3%). Mesmo nos maiores estados que
venceu (Minesota, Colorado e Oklahoma), Sanders não obteve grande vantagem na
soma dos delegados comprometidos e dos super delegados. Apenas em seu estado
natal Vermont, ele obteve boa vantagem, mas insignificante para o placar
geral, pois se trata de um dos menores estados dos Estados Unidos.
A grande vantagem de
Hillary se consolidou na “Super Terça II” do dia 15 de Março, com vitórias em
todos os estados em disputa, alguns com grande margem de diferença: Flórida
(65,9%), Illinois (50,5%), Ohio (56,5%), Carolina do Norte (54,6%) e Missouri
(49,6%). Já venceu a disputa dentro do Partido Democrata e começa a se preparar para a
eleição geral do dia 8 de Novembro. Espera de camarote seu adversário – Donald
Trump ou Ted Cruz – numa eleição que promete ser a mais acirrada desde 2000,
independente do candidato republicano.
|
Candidato
|
Projeção dos delegados¹
|
Superdelegados²
|
Total
|
|
Hillary Clinton
|
1.228
|
470
|
1.698
|
|
Bernie Sanders
|
934
|
27
|
961
|
¹ Delegados vencidos nas prévias dos estados. ² Delegados líderes do partido com
direito a voto que escolhem seus candidatos independente do resultado das prévias.
Projeções para as próximas prévias e o descaso da mídia
Amanhã teremos disputa apenas no Partido Democrata, com prévias nos estados
do Alaska e Washington, além do Havaí. São locais que tendem a dar vitória para
Hillary, mesmo que por margem pequena. Curiosamente não há pesquisas eleitorais
para o estado de Washington, um dos maiores do país; e no que há pesquisa,
Alaska, foi feita apenas uma em janeiro. Ou seja, chegaremos na disputa amanhã
sem a menor noção de quem está em vantagem entre os eleitores. Este descaso dos
institutos de pesquisa e da grande mídia americana reflete o clima de disputa
finalizada: enquanto estouram pesquisas nas prévias do Partido Republicano, em
que ainda há uma grande disputa, no Partido Democrata a grande vantagem de
Hillary não deixa margens para dúvida: ela já venceu a indicação do partido, só
faltando a confirmação. E a grande mídia americana centra sua atenção para o
clima de guerra que envolve a disputa republicana. Isso acaba sendo uma desvantagem
para Hillary que, apesar de já poder se organizar com antecedência para a
disputa nacional, perde espaço na atenção do eleitorado que está focando na
disputa Trump x Cruz.
Daniel Mercer.

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