quarta-feira, 2 de novembro de 2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
O Brasil venceu. Tchau querida!
Hoje todos os grandes meios
de comunicação do Brasil, e que estão divulgando o mapa do Impeachment em seus
sites, chegaram ao número mínimo de 342 deputados necessários favoráveis ao
Impeachment:
- Estadão: 346 a favor; 128 contra; 39 não declarados;
- Veja: 344 a favor; 125 contra; 44 não declarados;
- O Globo: 344 a favor; 120 contra; 49 não declarados;
- Folha de SP: 342 a favor; 124 contra; 47 não declarados.
De acordo com a oposição e
com o presidente da Câmara Eduardo Cunha, já são, pelo menos, 360 deputados
favoráveis ao Impeachment, mas que pode chegar a 380 no dia da votação. O site da CUT "Mapa da
Democracia", contabiliza 333 favoráveis, 140 contrários e 39
"indecisos". Segundo as contas dos "companheiros" faltam
apenas 9 para o Impeachment e 32 para barrá-lo. Já admitem a derrota.
As contas estão batendo, o
clima é de derrota no governo. A Dilma fará um pronunciamento oficial hoje às
20h, numa total demonstração de desespero, assim como o Collor em 1992 às
vésperas da votação do seu próprio afastamento. Será um momento épico de grande
panelaço em todos os cantos do Brasil. Será o ponto final. Ontem o governo e
alguns deputados governistas entraram com pedido para anular o processo no STF
e para mudar a ordem de votação e foram derrotados por quase a totalidade dos
ministros. Apenas Ricardo Lewandowiski (amigo pessoal do Lula) e Marco Aurélio
Mello (que virou advogado do PT depois que sua filha virou desembargadora)
foram contra a lei e a Constituição e defenderam o governo. A derrota foi
fragorosa e deu ainda mais credibilidade ao afastamento da presidente.
A grande maioria dos
deputados, que estão discursando no plenário da Câmara neste momento, também
são favoráveis. Apenas PT, PC do B, Psol e PDT fecharam questão contra o
Impeachment. Poucos deputados do PR, do PP, do PSD e do PMDB são contra. Quase
a totalidade, ou mais de 80% pelo menos, são favoráveis.
Agora é hora de continuar
pressionando. Não nos dispersar. Lotar as ruas no domingo e fazermos um grande
carnaval. A democracia venceu. Nós, que estamos lutando há mais de um ano,
vencemos. E o Brasil venceu.
Mapas do Impeachment:
Daniel Mercer.
terça-feira, 29 de março de 2016
A evolução do Impeachment
Nos últimos meses eu tenho focado politicamente nas prévias dos partidos republicano e democrata para as eleições gerais dos Estados Unidos. É uma forma de disputa centenária que me chama muito a atenção e me dá esperanças de que um dia nosso sistema eleitoral seja tão organizado e democrático como é o sistema americano.
Porém, fatores internos da
política brasileira me fazem dar uma pausa nesta disputa e focar num tema
importante e que pode fazer as próximas semanas serem bem interessantes e
emocionantes em terras tupiniquins. E não é Copa do Mundo. É o Impeachment da
presidente Dilma Rousseff, que está cada vez mais próximo. E quando digo “mais
próximo” quero dizer que as chances são bem reais, para não dizer prováveis.
O desembarque do PMDB da
base do governo na convenção do partido na véspera da maior manifestação
política da história do Brasil - e confirmada hoje, quase que por unanimidade -, fez com que diversos outros deputados e
senadores ligados ao governo desembarcassem da canoa já furada e afundando. As
escutas telefônicas tornadas públicas pela justiça do país e que causou grande
revolta na população pela forma chula e pouco republicana com que o
ex-presidente Lula se dirigiu à justiça, a adversários políticos e até a
membros do próprio partido, acirrou os ânimos no Congresso e fez com que o
Vice-presidente Michel Temer já começasse a articular o seu próprio governo.
Mas como a intenção do blog
não é repetir o que já se sabe através da grande imprensa, preferi trazer
alguns dados estatísticos de como está a evolução do Impeachment no Congresso e
na comissão especial que analisará e votará o relatório que vai a plenário em
data ainda indefinida.
A
comissão do Impeachment
Pela primeira vez desde que
o PT subiu a rampa do Planalto, a oposição brasileira – agora bem menor que na
época do Mensalão – está unida contra o governo. Foram muitos anos de
conivência, em momentos que parecia até ter medo de ser oposição, que
contribuíram para que o país chegasse à situação atual. A comissão especial do
Impeachment foi criada no último dia 17 de Março, após idas e vindas, polêmica
no Supremo Tribunal Federal, votação e anulação de chapa avulsa, dentre outras
coisas. Mas... como votam os deputados da Comissão?
No dia que a comissão foi
formada – 17 de Março –, o jornalista Fernando Rodrigues divulgou uma lista com
a posição de cada deputado eleito para a comissão. Naquela ocasião 31 deputados
apoiavam o Impeachment e 28 eram favoráveis ao governo. Havia algumas
inconsistências na lista, como a suposta posição, contrária ao Impeachment, do
presidente e do relator da comissão, os deputados Rogério Rosso (PSD/DF) e
Jovair Arantes (PSD/GO), respectivamente. Os dois são aliados do Presidente da
Câmara Eduardo Cunha e têm se declarado isentos até o momento, mas devem ser
favoráveis ao Impeachment, inclusive tendo sido escolhidos pela oposição no dia
anterior. O governo aceitou os dois unicamente para não sair derrotado da
votação. Mas a pressão sobre os dois é grande, principalmente de eleitores de seus respectivos estados.
Após uma semana da escolha
da comissão as coisas parecem ter piorado bastante para o governo. Alguns
deputados que apareciam com tendência a votar a favor do governo e contra o
impedimento, passaram a não responder mais sobre sua posição, se mostrando
neutros ou independentes, e dizendo que irão “analisar o relatório e votar de
acordo com suas convicções”. Isso demonstra uma clara mudança de posição para
alguns.
![]() |
| Fonte: Estadão, Jornal Zero Hora e “Placar do Impeachment”. |
Entre os indefinidos estão,
justamente, deputados da base aliada que analisam a posição de seus respectivos
partidos, se continuam na base ou se colocam na condição de “partidos
independentes”: PMDB, PP, PSD e PR. São deputados que, na minha opinião, tendem
a abandonar o governo assim que o PMDB desembarcar da base e puxar o “blocão”
da Câmara – também chamado de “centrão” por setores da imprensa e no Congresso –
na qual lidera. Com isso, o relatório tende a ser aprovado com o dobro de votos
dos deputados contrários. E mais uma etapa do Impeachment terá sido finalizada.
O
plenário da Câmara
Como podemos perceber acima,
não é nada fácil a vida do governo neste momento. Ainda sequer foi analisado o
pedido de Impeachment por parte da comissão especial na Câmara; sequer foi
feito um relatório; e já temos uma situação de completo abandono por parte da
base aliada. Só sendo muito ingênuo para imaginar, na atual conjuntura, que
ainda existam deputados ou senadores “indecisos”. Eles estão apenas esperando o
melhor momento para declarem seu apoio ao Impeachment, pois os que estão com o
governo já se declararam há muito tempo.
Abaixo um panorama de como
estão as bancadas do PMDB, PP, PR e PSD, segundo reportagem de hoje do “Estadão”, levando em conta os depoimentos dos principais líderes destes partidos:
![]() |
| Fonte: "Placar do Impeachment" |
É desta forma que o governo
ainda acredita que pode escapar do Impeachment. Sinceramente, não dá mais. É
questão de tempo, com data e hora marcada, para que a presidente Dilma Rousseff
sofra o Impeachment.
Já li na Folha e no G1 que
Eduardo Cunha pretende colocar a votação do plenário para um domingo. Seria
algo histórico e, com certeza, viraria carnaval um Impeachment sendo
transmitido ao vivo num domingo. Mas acredito que seja mais provocação que
realidade. De qualquer forma existe uma grande probabilidade que seja aprovado e o
governo já tem considerado a derrota como iminente. Dilma precisa de 172
deputados para se salvar e hoje conta com apenas 118.
Por sua vez, são
necessários 342 deputados para aprovar o impedimento, em votação aberta,
nominal, no plenário da Câmara, e existem 257 deputados que já se pronunciaram
a favor. A questão é que os 138 “indefinidos” estão pendendo muito mais pelo
impeachment, esperando apenas uma definição de seus respectivos partidos e da
entrega dos cargos de confiança, coisa que o PMDB já está fazendo. E acho muito difícil que tantos deputados se arrisquem num "abraço de afogados" com um governo com mais de 80% de desaprovação. É ano de eleição e ninguém quer ser cúmplice de tentar salvar um governo zumbi. Quase todos vão pular fora.
Daniel Mercer.
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