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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Trump x Clinton - A reta final.


Mapa eleitoral das Eleições presidenciais dos EUA, contando apenas os estados com vantagem de 5% para algum dos candidatos na média das últimas pesquisas. É a fórmula mais utilizada pela imprensa norte americana. Fonte: realclearpolitics.com


Na próxima terça-feira, dia 8 de Novembro, será decidida a eleição mais disputada em muitos anos nos Estados Unidos. Desde a disputa entre George W. Bush x Al Gore, em 2000, que não se chega às vésperas das eleições com tantos jornalistas e cientistas políticos mudando de opinião a cada dia sobre quem deverá ser o novo presidente americano. Neste post, irei me atentar especialmente aos números das últimas semanas, sobre as reais chances de ambos e como o "azarão" Donald Trump corre por fora para desbancar a, ainda, grande favorita Hillary Clinton, na última semana de campanha.


O mapa eleitoral atual.

Para começar, comentarei o mapa que ilustra o início do post. Se trata do mapa atual da eleição, levando-se em consideração uma margem de 5% de vantagem para um dos candidatos. Num cenário em que "vermelho" indica os estados com vantagem para Trump e "azul" os estados com vantagem para Hillary, com os tons de ambas as cores indicando que a vantagem está entre 5 e 10% (mais claro); entre 10 e 20% (tom médio) e acima de 20% (mais escuro), mostrando quais estados podem ou não mudar de cor nos próximos dias. A esta altura, os tons mais escuros consistem em vantagens consolidadas e dificilmente mudarão de lado. Os estados em "cinza" indicam os que não apresentam vantagem de 5% para nenhum dos candidatos e que, obviamente, decidirão a eleição. Ao decorrer do post publicarei e comentarei os mapas que não consideram a margem de 5% e que mostram uma tendência de virada de Trump e um declínio considerável da candidata democrata.

Mapa eleitoral de duas semanas atrás, quando a imprensa se dedicava mais aos "escândalos sexuais" de Trump, do que às trapalhadas de Hillary quando era Secretária de Estado. Alguns veículos já davam como vitória certa. Fonte: politico.com


Mapa eleitoral atual, depois dos debates e após o FBI reabrir as investigações sobre os 33 mil e-mails deletados do servidor pessoal de Hillary - que ela usava para não ser monitorada pelos órgãos oficiais. Fonte: realclearpolitics.com


Nos mapas acima podemos verificar que existe uma tendência de rápida aproximação de Trump no colégio eleitoral e um grande domínio nas regiões Sul, Centro e Meio-oeste, restando à Hillary os estados mais populosos e ricos do Nordeste e da Costa Oeste.


"Estados-pêndulo" (swing states).

Os "estados-pêndulo" - estados que geralmente não possuem uma tradição de voto em um dos dois partidos e que mudam de posição a cada eleição - tendem a decidir sempre que a disputa se mostra apertada como a atual. Nesta eleição, alguns serão mais decisivos que outros, seja devido a um número maior de delegados no colégio eleitoral, seja por causa de uma guerra ponto a ponto, com viradas sucessivas de um lado e de outro.

Abaixo os principais estados deste grupo e como está a evolução dos candidatos nas pesquisas ao longo da disputa (levando em consideração a média aritmética delas):


ESTADOS PÊNDULO
DELEG.
20/set
05/out
20/out
01/nov
HILLARY
TRUMP
HILLARY
TRUMP
HILLARY
TRUMP
HILLARY
TRUMP
FLÓRIDA
29
43,30%
43,30%
45,80%
43,00%
46,80%
43,00%
44,50%
45,50%
OHIO
18
40,40%
42,40%
41,30%
43,50%
44,00%
44,60%
44,30%
46,80%
GEÓRGIA
16
41,30%
45,00%
41,00%
45,80%
41,30%
46,30%
42,30%
48,00%
CAROL. DO NORTE
15
42,00%
42,00%
44,70%
42,30%
45,80%
43,30%
46,30%
47,00%
VIRGÍNIA
13
43,30%
39,00%
44,00%
37,00%
45,00%
36,30%
47,00%
42,30%
ARIZONA
11
40,40%
38,20%
39,00%
42,00%
41,80%
40,50%
43,30%
45,70%
COLORADO
9
40,00%
37,00%
42,20%
38,60%
44,50%
37,30%
43,70%
41,30%


Caso o candidato Donald Trump dependesse apenas destes estados e continuasse a tendência de crescimento nos próximos dias, poderíamos cravar: "Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos". Porém, a situação dele não é tão confortável quanto pode parecer num primeiro momento. As viradas tem sido constantes e qualquer novidade a favor de Hillary ou contra ele pode mudar tudo novamente. A máquina que ela possui nas mãos e o total apoio do partido, também poderão ser decisivos na reta final.

Como podemos observar nos mapas e na tabela acima, os maiores "estados-pêndulo" estão com ligeira vantagem para o candidato republicano. Hoje o mapa eleitoral mostra um total de 273 x 265 para Hillary Clinton. Para que Trump vença, terá que manter a dianteira em todos os estados que aparece com pequena vantagem: Flórida, Ohio, Geórgia, Carolina do Norte e Arizona - nos três primeiros ele tem mantido uma vantagem sólida, apesar de pequena, ao longo das últimas semanas; já na Carolina do Norte e no Arizona, fundamentais para que tenha qualquer chance, ele ultrapassou apenas ontem, numa vantagem que pode não se manter. Hillary dominou ambos os estados durante toda a campanha, perdendo a liderança apenas agora.

Porém, apenas estes estados não seriam suficientes. Lembrando que são necessários 270 delegados para a vitória, uma virada de última hora no Colorado - que tem diminuído a diferença nos últimos dias -, será o ponto crucial para a vitória do republicano. Imaginar que um estado pertencente à região das Montanhas Rochosas, com 5 milhões de habitantes e apenas 9 delegados no Colégio Eleitoral, decidirá a eleição mais disputada dos últimos anos, regendo o futuro da nação mais poderosa do mundo, parece loucura, mas é a mais pura realidade. Poderá sair daí o grande vencedor.


Utah e o azarão Evan McMullin.

Aqui se encontra mais uma peça do imenso quebra-cabeça da Eleição americana de 2016, que confunde até o mais experiente analista político. Utah é um estado ainda menor que o Colorado (com menos de 3 milhões de habitantes), de maioria conservadora, composto por 70% de mórmons e tradicionalmente um estado republicano (possui o governador e os dois senadores do partido, que também venceu todas as disputas presidenciais desde 1952). Seria um estado facilmente vencido por Trump - que lidera as pesquisas -, se não fosse por um detalhe: o mórmon Evan McMullin, que morou no Brasil na década de 90, em algumas cidades do Rio Grande do Sul.

McMullin é um auto-denominado conservador, ex-membro do Partido Republicano (saiu do partido este ano apenas para disputar a eleição), que decidiu de forma independente entrar na briga em Utah e em mais 10 estados. Não tem chances de vencer a eleição majoritária, mas quer fazer história, sendo o primeiro candidato fora dos dois principais partidos do país a vencer um estado desde a eleição de 1968. A surpresa é ainda maior quando se percebe que todos os candidatos republicanos venceram no estado nos últimos 50 anos e, desde 2000, com um percentual superior a 60%. Atualmente Trump lidera com 32%, contra 30% de McMullin e 24% de Hillary, mas algumas pesquisas já colocam o mórmon à frente do republicano.

E nesta disputa tão apertada, pode acontecer algo bem inusitado, que ocorreu apenas duas vezes na eleição americana (nos longínquos anos de 1800 e 1824): se um candidato não conseguir os 270 votos necessários no Colégio Eleitoral, a eleição tem de ser decidida pela Câmara dos Deputados entre os três primeiros colocados dentre os delegados. Neste cenário entrariam o próprio McMullin, Trump e Hillary. Nesta situação hipotética e bem pouco provável, Trump levaria vantagem, pois o Partido Republicano tende a continuar com maioria na Câmara. E, a menos que deputados republicanos votem no candidato independente de Utah ou na Hillary, ele tenderia a vencer com certa folga. Mas não deixaria de ser inusitado.

E em que situação esta "loucura" poderia acontecer? Se Trump mantiver a frente nos "estados pêndulo" em que está liderando (Flórida, Ohio, Geórgia, Carolina do Norte e Arizona), virar a eleição no Colorado, mas perder em Utah. Desta forma, o republicano ficaria com 268 votos no Colégio Eleitoral, Hillary ficaria com 264 e McMullin com os 6 votos de Utah. Será tão impossível quanto parece? As circunstâncias atuais tendem a afirmar que não.


O caso dos e-mails de Hillary e a reabertura da investigação.

Voltando para o mundo real e saindo do campo das hipóteses pouco prováveis, não poderia finalizar o texto sem escrever um pouco sobre o assunto que tende a dominar o noticiário nesta última semana de campanha: a reabertura da investigação sobre os 33 mil e-mails deletados pelos advogados de Hillary e que ela mantinha em servidor pessoal no porão de casa, quando era Secretária de Estado Americano.

Depois de ter arquivado o caso em agosto, o FBI decidiu reabri-lo a apenas 10 dias da eleição. Muitos tem alegado que se trata de um grande "complô" para prejudicar a candidata, mas é evidente que as recentes informações do WikiLeaks, de que o tal servidor pessoal foi hackeado pela Rússia e que e-mails confidenciais foram vazados, contribuíram muito para que o FBI voltasse ao caso.

A despeito de teorias da conspiração, particularmente eu tenho a opinião de que o caso até demorou a ser debatido pela imprensa americana, que em sua maioria tem apreço pelo Partido Democrata e criou total aversão ao candidato Trump. Seria muito ruim para a eleição se os casos sexuais do magnata continuassem a ser mais importantes para o eleitor americano e para o mundo, que as várias mentiras contadas pela candidata democrata sobre um caso que é considerado o maior escândalo da política americana desde o Watergate.

É evidente que este assunto já deveria ter sido debatido há meses, inclusive já deveria ter sido elucidado e vencido ou a favor de Hillary ou contra ela. Jogar a sujeira para "debaixo do tapete" é que não parece nada democrático e deixa uma grande suspeita se não era a candidata que estava sendo protegida durante todo este tempo. Ruim para ela que o assunto voltou tão próximo da eleição, pois terá que passar os próximos dias se defendendo, enquanto Trump terá tempo de fazer campanha, buscando os votos necessários para vencer a eleição.

Façam suas apostas, pois eu já fiz a minha: será a eleição mais imprevisível que já presenciei dentre as eleições americanas. Meu palpite, hoje, é que a Hillary vença na soma dos estados, se torne a nova presidente, mas perca no voto popular, tirando um pouco o brilho da vitória.

Mas, é evidente, que amanhã o palpite pode mudar. Quem vencerá?

Daniel Mercer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Prévias em Nevada - Partido Republicano


Hoje acontece o caucus no estado de Nevada no Partido Republicano. Após grande vitória de Trump na Carolina do Sul – em que posteriormente escreverei um post detalhando os números –, ele chega ao Caucus de hoje também com grande favoritismo e dificilmente perderá.

Nevada é o sétimo maior estado em território dos Estados Unidos, apesar de ter apenas a 35ª população do país, com 2,7 milhões de habitantes. Foi colonizado pelos espanhóis e passou a integrar o território mexicano até o fim da guerra mexico-americana em 1848, passando a integrar o território dos Estados Unidos a partir de então. Foi elevado à categoria de estado americano em 1864 durante a guerra civil americana.
Sua economia é principalmente voltada ao turismo, em decorrência dos cassinos em Las Vegas, sua maior e mais importante cidade. Outra grande fonte de renda é a extração de prata, ouro, petróleo e areia; sua capital é Carson City, mas tem Las Vegas como principal conglomerado urbano e econômico.

Em relação à política recente, o governador do estado, Brian Sandoval, é republicano e tem se colocado em posição neutra quanto á um apoio formal aos candidatos, mas desmentiu recentemente que apoie Donald Trump, o que pode ser entendido como um “não apoio”. O senador Dean Heller, também republicano, declarou há dois dias apoio a Marco Rubio após desistência do candidato Jeb Bush. O outro senador Harry Reid, democrata, não anunciou apoio a ninguém e aparece ainda na lista de “superdelegados” como “não comprometido”.

Partido Republicano

No último sábado foi realizada a primária da Carolina do Sul pelo Partido Republicano, em que o candidato que recebesse mais votos em cada distrito e no geral no estado receberia todos os votos no sistema “ganhou leva tudo”. Donald Trump confirmou o favoritismo e ganhou com boa vantagem na apuração geral e em quatro dos sete distritos. Nos demais venceu mais apertado, numa boa disputa contra Marco Rubio, mas acabou vencendo em todos, levando os 50 delegados do estado.
Com isso chega fortalecido ao cáucus de hoje, com uma vantagem nas pesquisas da véspera até maior que o resultado na última primária. O fato do governador não estar apoiando ninguém até o momento, também o favorece, já que se comporta como o “anti-establishment” do partido; é o Bernie Sanders dos republicanos.

Com relação às regras da prévia de hoje, a distribuição dos delegados é feita proporcionalmente, diferente da distribuição da Carolina do Sul, em que o vencedor levou tudo. A fórmula de distribuição é: 30 (total de delegados) x total de votos do candidato ÷ total de votos válidos (excluídos os votos dos candidatos que não teve um mínimo de 3,3%).

Média das Pesquisas Eleitorais (entre 10 e 15 de fevereiro):

  • Donald Trump – 42%;
  • Ted Cruz – 20%;
  • Marco Rubio – 19%;
  • John Kasich – 7%;
  • Ben Carson – 6%.

Infelizmente, e pela primeira vez na campanha, não há pesquisa atual sobre a prévia republicana em Nevada. A última pesquisa data do dia 15 de fevereiro, bem antes da prévia da Carolina do Sul, o que pode dar bastante diferença no resultado de hoje. Mas é inegável que Trump tem uma grande vantagem e deve ganhar com facilidade. Calculo que deva levar cerca de 15 delegados, contra sete ou oito, no máximo, do segundo colocado.

Daniel Mercer.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Eleições primárias na Carolina do Sul – Partido Republicano


A Carolina do Sul é um estado localizado na região sudeste dos Estados Unidos. Faz fronteiras com a Carolina do Norte, ao norte, com o Oceano Atlântico ao Sudeste e com a Geórgia ao Sudoeste. É pequeno, apenas o 40º maior estado do país, mas tem uma grande densidade populacional com mais de 4,5 milhões de habitantes, o 24º maior estado no ranking populacional (Censo, 2010). Sua economia é principalmente voltada à indústria têxtil e de tabaco, sendo um dos líderes nacionais nos dois setores e de onde vem a maior fonte da renda do estado. Sua população é majoritariamente branca não-hispânica (64,1%), mas também tem um grande número de negros (27,9%); a religião protestante é preponderante, respondendo por 84% do total.

Em termos históricos, a Carolina do Sul foi um dos 13 estados federados após a Independência dos Estados Unidos, tendo sido o oitavo a conseguir a sua independência. Foi o primeiro país a seceder após a eleição de Abraham Lincoln, se tornando um dos estados membros dos Estados Confederados da América. Também foi na Carolina do Sul que se iniciou a guerra civil americana em 12 de abril de 1861.

Em relação ao recente histórico político, tanto os dois senadores do estado quanto a governadora são do Partido Republicano. Nas eleições presidenciais, os candidatos republicanos vencem desde 1980, sendo Jimmy Carter, em 1976, o último democrata a vencer. Seus moradores tem profunda admiração por Ronald Reagan e George W. Bush; o estado passa a contar com nove delegados na eleição de 8 de novembro – até a última eleição eram oito delegados.

Partido Republicano

Hoje acontecem as primárias do Partido Republicano na Carolina do Sul, sendo que a do Partido Democrata acontece apenas na semana que vem em 27 de fevereiro. Com regras muito simples, esta prévia dará ao vencedor uma vantagem grande na corrida, pois todos os delegados são distribuídos a quem receber mais votos, tanto nos distritos, quanto na votação geral do estado. O partido distribui seus 50 delegados no sistema “leva tudo quem vence”. São sete distritos, com três delegados cada, em que o candidato vencedor fica com os três, e outros 29 delegados ficam para o vencedor geral no estado.

O empresário Donald Trump chega com grande vantagem e não há nenhuma evidência de que não vencerá hoje na contagem geral e na maioria dos distritos – senão em todos, a não ser que os apoios recebidos por Rubio tenham grande efeito. Pode sair da primária de hoje com 50 delegados a mais, contra nenhum dos outros candidatos. Seria uma vitória acachapante e parece que será isso que irá acontecer. Depois de uma grande vitória em New Hampshire, se manteve firme na frente nas pesquisas em muitos Estados, incluindo na prévia de hoje.

Os três grandes cabos eleitorais do estado, a governadora Nikki Haley e os senadores Lindsey Graham e Tim Scott, todos republicanos, já definiram seus apoios: Haley e Scott estão apoiando Marco Rubio e Graham está apoiando Jeb Bush. Estas definições estão fazendo estes candidatos subirem um pouco nas pesquisas, mas não chegam a incomodar o líder e grande favorito Trump - a exceção de algumas poucas pesquisas de ontem, que indicam grande subida de Rubio.

Os favoritos

Como dito anteriormente, Trump está com grande vantagem nas pesquisas e deve vencer sem grandes dificuldades, como foi em New Hampshire, apesar de não ter apoio de quase nenhum nome de relevância dentro do partido. O segundo lugar está bem disputado e deve ser definido voto a voto entre Marco Rubio e Ted Cruz. Tenho a impressão que Rubio volta a brigar forte depois de ter sido esmagado no debate anterior às prévias de New Hampshire, passando a responder mais incisivamente às perguntas no debate de sábado passado para demonstrar maturidade (em New Hampshire Rubio foi indagado pelos jornalistas sobre sua falta de maturidade para ser Presidente da República e, por tabela, foi fortemente atacado pelos candidatos, perdendo milhares de votos na primária). O apoio de dois grandes nomes do partido no estado dá à Rubio uma grande vantagem sobre Cruz e algumas pesquisas o colocaram ontem em posição de empate técnico com Trump, apesar de outras pesquisas ainda darem a Trump grande vantagem.

Jeb Bush, após bom resultado na última primária, ganhou um pouco de fôlego, mas continua patinando na campanha. Seu irmão e ex-presidente George W. Bush está mais presente, mas não consegue transferir grande parte de sua popularidade. Se Bush não conseguir ao menos o terceiro lugar na Carolina do Sul, deve começar a desistir da corrida, ainda que a mantenha até a Super Terça do dia 1º de março, que será decisivo para ver quem continua com chances e quem sai da disputa. O mesmo acontece com John Kasich, que praticamente não tem mais chances e com Ben Carson, que insiste em continuar concorrendo mesmo já estando, na prática, fora da disputa.

Como venho escrevendo há algumas semanas, o representante do Partido Republicano para as eleições gerais sairá da disputa entre Donald Trump, Ted Cruz e Marco Rubio, ficando em dúvida apenas quem os demais candidatos irão apoiar e se Cruz e Rubio se unirão para derrotar Trump. As coisas começam a ficar claras e as definições devem ocorrer nas próximas semanas.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 15 e 19 de fevereiro):
  • Donald Trump – 31,8%;
  • Marco Rubio – 18,8%;
  • Ted Cruz – 18,5%;
  • Jeb Bush – 10,7%;
  • John Kasich – 9%;
  • Ben Carson – 6,8%;

Este resultado pode não se confirmar na eleição de hoje, pois é uma média de pesquisas desde o dia 15. Porém, com o apoio da governadora do estado e de um dos senadores, Rubio tem crescido bastante e já aparece em empate técnico com Trump em alguns levantamentos, apesar de estar bem atrás em outros. É uma dúvida que só será tirada na abertura das urnas, após às 23h de hoje (pelo horário de Brasília, 20h no horário local). Aposto em vitória de Trump, com Rubio terminando em segundo e Cruz em terceiro.

Daniel Mercer.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Resultados em New Hampshire - Partido Republicano


Em New Hampshire deu a lógica das pesquisas, sem muitas surpresas. Tanto Donald Trump, nas primárias do Partido Republicano, quanto Bernie Sanders, pelos Democratas, tinham grande vantagem em praticamente todas as pesquisas de opinião após o caucus de Iowa e confirmaram o favoritismo nas urnas. Neste Estado, a maior parte do eleitorado é independente, e é evidente que os candidatos que mais se opõe ao establishment acabam se sobressaindo. É como se o Estado quase sempre desse o seguinte recado: somos independentes e gostamos de candidatos independentes, mesmo que sejam independentes apenas dos grandes nomes de seus respectivos partidos. Em New Hampshire a zebra sempre tem vez.

Partido Republicano

Após o surpreendente resultado em Iowa, em que Ted Cruz conseguiu uma vitória pouco provável e Marco Rubio teve também uma grande votação, todos esperavam que ambos pudessem repetir o feito em New Hampshire. Porém, pelo menos para Rubio, o debate que ocorreu três dias antes acabou com qualquer chance dele surpreender. O Senador texano se mostrou robótico em algumas respostas, principalmente quando confrontado por Chris Christie sobre sua pouca experiência para assumir a Casa Branca. Foi uma surra de Christie em Rubio, como se este fosse mantido durante vários minutos nas cordas de um ring, sem conseguir se defender. No restante do debate Rubio se mostrou apático, como se estivesse grogue da surra que havia levado, sem chance de recuperação. O próprio candidato chegou a admitir que sua fraca atuação no debate foi decisiva para sua baixa votação, já que despontava nas pesquisas como segundo colocado.

E foi o debate, também, que acabou alavancando John Kasich e Jeb Bush, com segundo e quarto lugares, respectivamente. O Governador de Ohio tem se colocado na campanha como o “anti-Trump”; como o candidato moderado que sabe o que fazer e que já foi testado com sucesso num grande cargo. Já o ex-governador do Texas está apostando todas as suas fichas na imagem do seu irmão e ex-presidente Jorge W. Bush, que agora entrou de vez em sua campanha e tem boa reputação em algumas das próximas prévias. Também tem conseguido alguns apoios de Senadores e Governadores em diferentes Estados. Em New Hampshire o resultado lhe deu esperanças, chegando a dizer em pronunciamento que “ganhou uma segunda chance” e que agora a disputa havia reiniciado, agradecendo ao irmão e aos militantes de sua campanha.

Como dito no post anterior, era claro que alguns candidatos desistiriam após esta segunda prévia e foi o que aconteceu: Carly Fiorina, Cris Christie e Jim Gilmore encerraram suas campanhas por falta de apoio financeiro e resultados ruins nas primeiras prévias. Ben Carson continua acreditando que pode reverter a má atuação, mas tem desempenhos ruins nos debates, aparenta ter dicção ruim e não tem mais a menor chance. Deve deixar a disputa já na próxima semana ou, no máximo, após a Super Terça de 1º de Março. Também será após a Super Terça que Kasich e Bush definirão se continuam ou não com suas campanhas. Trump, Cruz e Rubio devem continuar na disputa por mais alguns meses, mesmo se tiverem resultados não muito bons nas próximas prévias.

O resultado final

Houve certa controvérsia durante a apuração do Partido Republicano, quanto ao número de delegados a que teriam direito cada candidato. Levando-se em conta as últimas eleições, o arredondamento só aconteceria após a divisão dos delegados. Porém nesta houveram dois arredondamentos: na porcentagem de cada candidato e na quantidade de delegados, sempre aproximando para o número inteiro mais próximo. Por isso, o site “thegreenpapers” demorou alguns dias para homologar o resultado, assim como o portal da CNN, que apenas finalizou o número de delegados no dia seguinte, enquanto que vários outros portais como o “The New York Times” e o “Washington Post” divulgaram o resultado final no mesmo dia da primária.

Abaixo, o resultado final, com a divisão dos delegados que cada candidato terá direito na Convenção Nacional do Partido Republicano em julho. Existem dois detalhes no resultado: apenas os candidatos com mais de 10% dos votos populares, antes do arredondamento, tiveram direito na partilha dos delegados; e, graças ao arredondamento da porcentagem, Rubio acabou ficando com o mesmo número de delegados de Cruz e Bush. Não houvesse arredondamento, ele ficaria com um delegado a menos e este iria para o primeiro colocado, Donald Trump.

1º Donald Trump
2º John Kasich
3º Ted Cruz
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
100,406
35,34%
10
44,909
15,81%
4
33,189
11,68%
3
4º Jeb Bush
5º Marco Rubio
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
31,31
11,02%
3
30,032
10,57%
3
Tabela 1: Divisão dos delegados em New Hampshire.

O site “thegreenpapers.com” detalhou a divisão dos 23 delegados. Lembrando que, após os arredondamentos e a distribuição, todos os delegados que sobraram foram para o vencedor:
  • Trump: 35.339%. Arredonda para 35%. 35% de 23 = 8,050. Arredonda para 8 delegados. Restam 15;
  • Kasich: 15.806%. Arredonda para 16%. 16% de 23 = 3.680. Arredonda para 4 delegados. Restam 11;
  • Cruz: 11.681%. Arredonda para 12%. 12% de 23 = 2.760. Arredonda para 3 delegados. Restam 8;
  • Bush: 11.020%. Arredonda para 11%. 11% de 23 = 2.530. Arredonda para 3 delegados. Restam 5;
  • Rubio: 10.570%. Arredonda para 11%. 11% de 23 = 2.530. Arredonda para 3 delegados. Restam 2;
  • Estes dois delegados restantes foram para Trump, finalizando com 10 delegados.

Este resultado acima bate com todos os sites e portais que divulgaram a divisão dos delegados, o que dá uma boa explicação de como ela foi feita. O Partido Republicano não divulgou a divisão dos delegados em seu site oficial, diferentemente do que havia feito em Iowa; Chris Christie, sexto colocado com 21.069 votos (7,52%), Carly Fiorina, sétima com 11.706 votos (4,12%), e Jim Gilmore, 13º colocado com 133 votos (0,05%), não obtiveram votos suficientes para ganharem delegados e abandonaram a campanha; Gilmore, inclusive, estava numa campanha apenas virtual e obteve menos votos que candidatos que não concorriam mais como Rand Paul e Rich Santorum; Ben Carson também não obteve nenhum delegado, ficando em oitavo lugar com 6.506 votos (2,29%), mas continua na disputa, ao menos por enquanto.

Divisão dos delegados após duas prévias

Abaixo o resultado parcial do Partido Republicano, com os delegados de cada candidato após duas prévias. Alguns candidatos possuem delegados vinculados a eles, porém não participam mais da campanha. Deverão, futuramente, vir a apoiar algum dos candidatos restantes, porém seus delegados não são obrigados a segui-los, o que os deixam na condição de “delegados descompromissados”, podendo votar em qualquer candidato que se mantenha até o final da campanha. Isso torna o jogo um pouco imprevisível, mas que só trará polêmica e resultado prático caso nenhum dos candidatos restantes conquiste a maioria absoluta necessária. Caso contrário, serão apenas números.

Candidato
Projeção dos Delegados
Donald Trump
17
Ted Cruz
11
Marco Rubio
10
John Kasich
5
Jeb Bush
4
Ben Carson
3
Rand Paul
1
Carly Fiorina
1
Mike Huckabee
1
Tabela 2: Divisão dos delegados após duas prévias.

No próximo post detalharei o resultado do Partido Democrata, a falta de sentido na importância dos Superdelegados do partido - que está ajudando Hillary; e o fenômeno Sanders - que começa a incomodá-la e continua sendo o campeão de votos dentre os militantes democratas mais jovens.

Daniel Mercer.