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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

And the Oscar goes to... Atores Favoritos (parte 1)


É inegável o favoritismo dos atores Leonardo Di Caprio e Brie Larson como melhor ator e atriz, respectivamente. Foram muitos os prêmios ganhos por ambos, o que os colocam como dois dos vencedores mais óbvios de domingo.

Melhor Ator

Aqui a única disputa possível é entre Leonardo DiCaprio e Eddie Redmayne. Leo ganhou o Globo de Ouro, SAG (Sindicato dos atores de Hollywood) e Bafta (o Oscar inglês). Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa) foi indicado para todos os prêmios e não venceu nenhum. De certa forma, a boa interpretação do ator foi um pouco decepcionante pela propaganda feita ano passado antes da estreia do filme; a excelente Alicia Vikander (umas das favoritas em Atriz Coadjuvante) também acabou por ofuscar o brilho de Eddie. Já Leonardo DiCaprio brilhou sozinho em “O Regresso”, que parece ter sido um filme feito por encomenda para seu tão aguardado Oscar. Talvez 18 anos depois do “Titanic”, DiCaprio possa finalmente colocar seu nome entre os maiores atores de todos os tempos, o que já é de fato, mas falta a cereja do bolo, a estatueta do Oscar – que é para poucos. Venceu tudo o que disputou até agora e dou como certa sua vitória. Os demais concorrentes: Matt Damon (Perdido em Marte), Bryan Craston (Trumbo: Lista Negra) e Michael Fassbender (Steve Jobs), apesar de excelentes papéis, não têm chance alguma.

Melhor Atriz

Assim como Leonardo DiCaprio, Brie Larson (O Quarto de Jack) venceu todos os principais prêmios que antecedem ao Oscar: Globo de Ouro, SAG e Bafta. Ninguém apostaria dinheiro em sua derrota e acho muito difícil que perca (não é tão certo quanto o de ator, mas é muito provável). As boas interpretações de Charlotte Rampling por “45 Anos” e de Saoirse Ronan “Brooklyn” acabaram ficando em segundo plano pelas vitórias de Brie Larson nas diferentes premiações que disputou. As duas venceram alguns prêmios considerados menores e localizados em associações de cinema nos grandes centros americanos, mas nada que possa ser comparado à Larson. Podem haver surpresas, mas é a grande favorita disparada. Cate Blanchett (Carol) e Jennifer Lawrense (Joy) já venceram o Oscar e não podem ser descartadas, mas tem pouquíssimas chances de vitória.

Daniel Mercer.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

And the Oscar goes to... "Mad Max: Estrada da Fúria"

Mad Max: Estrada da Fúria

Esta é uma das minhas decepções pessoais do ano. Particularmente esperava mais do filme, talvez por ter crescido vendo as atuações espetaculares de Mel Gibson, com participação de Tina Turner no último filme da trilogia, finalizada em 1985 com “Mad Max: Além da Cúpula do Trovão”. Desenterrar um título 30 anos depois, obviamente sem os atores originais, é arriscado e por vezes pode causar uma sensação de “esperava algo mais grandioso”. O título de um filme diz muito sobre ele e quando se trata de um título consagrado a expectativa se torna grande, o que pode ajudar ou atrapalhar a produção. 
Nesse caso, acredito que tenha atrapalhado.

Não há como negar que se trata de um filme bem trabalhado, com uma dinâmica diferente: foi todo gravado em tom de vermelho, que chama bastante a atenção no quesito artístico, o humor negro e a trilha sonora dão o tom do filme, que tem excelente produção, com efeitos e fotografia inovadores, mas que deixa a desejar na história e na atuação dos personagens principais – se bem que história nunca foi o forte de filmes de ação, o que também pode ser dito sobre a primeira trilogia de “Mad Max”. Mas é claro que comparação com os filmes anteriores da saga atrapalha. O tão aguardado “Mad Max 4” levou mais de uma década para sair do papel, o que impossibilitou Mel Gibson, já velho, de participar da sequência.  Tom Hardy acabou tendo uma atuação razoável, mas não é o Mel Gibson. Talvez se o título do filme fosse outro, sendo apresentado como uma espécie de “herdeiro espiritual de Mad Max”, poderia ter tido mais sucesso entre os fãs da saga original.

Ao que tudo indica, o diretor George Miller preparou uma nova trilogia que se inicia com a “Estrada da Fúria” e até já tem o roteiro de uma sequência preparado, apesar de por vezes dizer que não quer voltar à saga. É um dos filmes do ano, bastante elogiado pela crítica, mas que chega ao Oscar um pouco enfraquecido, principalmente por ter sido lançado há mais de seis meses. Acabou indo para o fim da fila.

Disputa o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor como azarão, mas tem nos prêmios técnicos suas maiores chances de vitória, concorrendo em design de produção, fotografia, figurino, montagem, efeitos visuais, edição de som, mixagem e maquiagem. Deve dominar junto com "O Regresso" todos os prêmios técnicos, tendo maiores chances em uns e menores em outros. Curiosamente, Tom Hardy concorre na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, mas por seu papel em “O Regresso”. Também não tem grandes chances, mas levando-se em consideração que concorreu como melhor ator por "Mad Max: Estrada da Fúria" em outras premiações, não deixa de ser um grande feito para o ator.

No Oscar 2016:
Favorito: Melhor Figurino, Melhor Maquiagem ou Penteado e Melhor Montagem;
Boas chances: Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor Filme e Melhor Diretor (George Miller).


Daniel Mercer.


And the Oscar goes to... "A Grande Aposta"


Durante a semana irei mesclar meus posts das eleições presidenciais americanas com a grande festa do cinema que ocorre no próximo domingo. De hoje até lá irei escrever alguns textos à respeito dos filmes e das chances de cada um, nas principais categorias, na série que estreei no ano passado e intitulei: "And the Oscar goes to...".

A Grande Aposta

“A Grande Aposta” é um dos favoritos ao Oscar de Melhor Filme, ao lado de “Spotlight: Segredos Revelados”, “Mad Max: Estrada da Fúria” e “O Regresso”. É repleto de atores conhecidos, como Cristian Bale (O Bruce Wayne dos últimos três Batman, “O Vencedor” e “Trapaça”), Steve Carell (“Pequena Miss Sunshine” e “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”) e Brad Pitt (dispensa apresentações), que acabaram se encaixando muito bem na trama, interpretando investidores com personalidades bem diferentes, cada um com suas manias e seus fantasmas. O filme é baseado em fatos reais que ocorreram na última grande crise do mercado, iniciada pela bolha imobiliária dos EUA em 2007.

Numa trama em que várias história são contadas sem que haja interação entre os personagens principais, direção, montagem e roteiro chamam a atenção, merecendo as indicações ao Oscar que recebeu nestas categorias. O termo "short" (do título em inglês "The Big Short”) significa um tipo de transação financeira, onde o investidor vende títulos de algo que ele acredita que perderá valor em breve, com a intenção de comprar de volta mais barato. É uma movimentação sempre muito arriscada e não comum, já que vai na contramão do mercado financeiro, quase sempre otimista. No momento atual do Brasil, por exemplo, seria como ter vendido ações da Petrobras quando estava em alta, prevendo a crise e seus sucessivos rebaixamentos de crédito.

Neste sentido, vários analistas apostaram contra o sempre sólido mercado imobiliário americano, que jamais havia entrado em crise, causando desconfiança até mesmo entre os colegas mais próximos e sócios. Esta trama acabou por expor várias práticas ilegais ou não convencionais que ocorriam o tempo todo nos bancos, sem que ninguém se desse conta que a bolha formada poderia acarretar na maior financeira em várias décadas.

Foi um filme aclamado pela crítica especializada, manual para qualquer estudante de áreas administrativas, e que chama bastante a atenção pela qualidade técnica. Concorre sem grandes chances em quase todas as cinco categorias em que foi indicado, mas não deixa de ser um filme completo, que mistura boa atuação, boa direção, um roteiro bem detalhado e excelente boa montagem. Teve azar de ter em seu ano de lançamento outros filmes melhores, caso contrário poderia vencer vários prêmios.

No Oscar 2016:
Azarão: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem.
Outras categorias: Melhor Diretor (Adam McKay) e Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale).

Daniel Mercer.