segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

And the Oscar goes to... "A Grande Aposta"


Durante a semana irei mesclar meus posts das eleições presidenciais americanas com a grande festa do cinema que ocorre no próximo domingo. De hoje até lá irei escrever alguns textos à respeito dos filmes e das chances de cada um, nas principais categorias, na série que estreei no ano passado e intitulei: "And the Oscar goes to...".

A Grande Aposta

“A Grande Aposta” é um dos favoritos ao Oscar de Melhor Filme, ao lado de “Spotlight: Segredos Revelados”, “Mad Max: Estrada da Fúria” e “O Regresso”. É repleto de atores conhecidos, como Cristian Bale (O Bruce Wayne dos últimos três Batman, “O Vencedor” e “Trapaça”), Steve Carell (“Pequena Miss Sunshine” e “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”) e Brad Pitt (dispensa apresentações), que acabaram se encaixando muito bem na trama, interpretando investidores com personalidades bem diferentes, cada um com suas manias e seus fantasmas. O filme é baseado em fatos reais que ocorreram na última grande crise do mercado, iniciada pela bolha imobiliária dos EUA em 2007.

Numa trama em que várias história são contadas sem que haja interação entre os personagens principais, direção, montagem e roteiro chamam a atenção, merecendo as indicações ao Oscar que recebeu nestas categorias. O termo "short" (do título em inglês "The Big Short”) significa um tipo de transação financeira, onde o investidor vende títulos de algo que ele acredita que perderá valor em breve, com a intenção de comprar de volta mais barato. É uma movimentação sempre muito arriscada e não comum, já que vai na contramão do mercado financeiro, quase sempre otimista. No momento atual do Brasil, por exemplo, seria como ter vendido ações da Petrobras quando estava em alta, prevendo a crise e seus sucessivos rebaixamentos de crédito.

Neste sentido, vários analistas apostaram contra o sempre sólido mercado imobiliário americano, que jamais havia entrado em crise, causando desconfiança até mesmo entre os colegas mais próximos e sócios. Esta trama acabou por expor várias práticas ilegais ou não convencionais que ocorriam o tempo todo nos bancos, sem que ninguém se desse conta que a bolha formada poderia acarretar na maior financeira em várias décadas.

Foi um filme aclamado pela crítica especializada, manual para qualquer estudante de áreas administrativas, e que chama bastante a atenção pela qualidade técnica. Concorre sem grandes chances em quase todas as cinco categorias em que foi indicado, mas não deixa de ser um filme completo, que mistura boa atuação, boa direção, um roteiro bem detalhado e excelente boa montagem. Teve azar de ter em seu ano de lançamento outros filmes melhores, caso contrário poderia vencer vários prêmios.

No Oscar 2016:
Azarão: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem.
Outras categorias: Melhor Diretor (Adam McKay) e Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale).

Daniel Mercer.


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