Mad Max: Estrada da Fúria
Esta é uma das minhas decepções pessoais do ano. Particularmente esperava mais do filme, talvez por ter crescido vendo as atuações espetaculares de Mel Gibson, com participação de Tina Turner no último filme da trilogia, finalizada em 1985 com “Mad Max: Além da Cúpula do Trovão”. Desenterrar um título 30 anos depois, obviamente sem os atores originais, é arriscado e por vezes pode causar uma sensação de “esperava algo mais grandioso”. O título de um filme diz muito sobre ele e quando se trata de um título consagrado a expectativa se torna grande, o que pode ajudar ou atrapalhar a produção. Nesse caso, acredito que tenha atrapalhado.
Não há como negar que se trata de um filme bem trabalhado, com uma
dinâmica diferente: foi todo gravado em tom de vermelho, que chama bastante a
atenção no quesito artístico, o humor negro e a trilha sonora dão o tom do filme, que tem excelente
produção, com efeitos e fotografia inovadores, mas que deixa a desejar na
história e na atuação dos personagens principais – se bem que história
nunca foi o forte de filmes de ação, o que também pode ser dito sobre a
primeira trilogia de “Mad Max”. Mas é claro que
comparação com os filmes anteriores da saga atrapalha. O tão aguardado “Mad Max
4” levou mais de uma década para sair do papel, o que impossibilitou Mel
Gibson, já velho, de participar da sequência.
Tom Hardy acabou tendo uma atuação razoável, mas não é o Mel Gibson.
Talvez se o título do filme fosse outro, sendo apresentado como uma espécie de “herdeiro
espiritual de Mad Max”, poderia ter tido mais sucesso entre os fãs da saga
original.
Ao que tudo indica, o diretor George Miller preparou uma nova trilogia
que se inicia com a “Estrada da Fúria” e até já tem o roteiro de uma sequência
preparado, apesar de por vezes dizer que não quer voltar à saga. É um dos
filmes do ano, bastante elogiado pela crítica, mas que chega ao Oscar um pouco
enfraquecido, principalmente por ter sido lançado há mais de seis meses. Acabou
indo para o fim da fila.
Disputa o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor como azarão, mas tem
nos prêmios técnicos suas maiores chances de vitória, concorrendo em design de
produção, fotografia, figurino, montagem, efeitos visuais, edição de som,
mixagem e maquiagem. Deve dominar junto com "O Regresso" todos os
prêmios técnicos, tendo maiores chances em uns e menores em outros. Curiosamente, Tom Hardy concorre na categoria de Melhor Ator
Coadjuvante, mas por seu papel em “O Regresso”. Também não tem grandes
chances, mas levando-se em consideração que concorreu como melhor ator por
"Mad Max: Estrada da Fúria" em outras premiações, não deixa de ser um
grande feito para o ator.
No Oscar 2016:
Favorito: Melhor Figurino, Melhor Maquiagem ou Penteado e Melhor
Montagem;
Boas chances: Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Efeitos Visuais,
Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor Filme e Melhor Diretor (George Miller).

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