Nesta
segunda-feira se inicia a corrida americana para as eleições presidenciais que
ocorrem em 8 de novembro. Após vários meses de disputa na pré-campanha para as
primárias que se iniciam, já dá para tirar algumas conclusões sobre a disputa,
tanto no Partido Republicano quanto no Democrata.
Partido Republicano
Em
Iowa, primeira prévia, a disputa está acirrada e as pesquisas indicam uma
vantagem de cerca de 5% para Donald Trump, o excêntrico empresário que passou vários
meses atacando os demais candidatos do partido, muitas vezes de forma
grosseira, e até já ameaçou deixar o partido e lançar uma candidatura
independente à Casa Branca, o que fatalmente dividiria o voto dos conservadores
e daria a vitória ao Partido Democrata.
Contra
várias análises, até mesmo de republicanos, Trump tem se mantido forte na
disputa e parece ser o único candidato já garantido numa campanha
que poderá se arrastar por meses. Vários foram os candidatos que despontaram
nas pesquisas, mas que foram perdendo terreno ao longo dos últimos meses: Jeb
Bush, Ben Carson, Marco Rúbio e agora Ted Cruz. Este último chegou a liderar
durante boa parte de dezembro em Iowa, mas caiu alguns pontos e estacionou
cerca de 5% das intenções de voto atrás de Trump durante todo o mês de janeiro.
No
entanto, é comum que as pesquisas errem as projeções de votos em vários estados
americanos, principalmente no sistema que ocorre em Iowa, em que apenas
militantes dos partidos votam em assembleias fechadas, decidindo quais
candidatos terão maioria dos delegados nas convenções do partido. Em 2012, na véspera da
eleição, as pesquisas indicavam vitória de Mitt Romney nas prévias de
Iowa com 6% de vantagem. Porém o vencedor, por apenas 34 votos, foi Rick Santorum,
que aparecia em terceiro lugar nas pesquisas.
Nesta
segunda o resultado deve ser apertado, e como os delegados de cada candidato são divididos proporcionalmente, quem vencer
não terá grande vantagem na indicação deles no estado. O que começará
a ser definido, como sempre ocorre, são os candidatos que têm poucas chances
para continuar e que desistirão já nas próximas semanas. Hoje o partido Republicano
tem 12 candidatos em disputa, poucos com reais chances, e a desistência, já nas primeiras prévias, de
nomes como Jeb Bush, Ben Carson e Rick Santorum, em especial se definirem
apoiar um candidato único contra Trump, poderá embaralhar bastante a disputa. Trump
tem se mantido firme na liderança da disputa, mas não parece ter força
suficiente para vencer sozinho contra uma aliança dos demais candidatos, que ele atacou bastante durante toda a pré campanha em 2015.
Esta
inclusive é minha aposta: se o partido Republicano se mantiver dividido, com
várias forças políticas disputando o mesmo eleitorado, Trump vence. Se todos os
demais se unirem em torno daquele que se mostrar mais forte, Trump perde. O
problema é definir quem é o mais forte dentre os demais, já que ao longo da
campanha, como citado anteriormente, Bush, Carson e Rúbio chegaram a ameaçar a
liderança do empresário, mas pereceram ao longo da disputa. Atualmente o
principal desafiante é Ted Cruz, mas a dúvida é se ele manterá o bom desempenho
ou dará lugar a outro desafiante na disputa.
Como
conservador, espero que o partido defina seu candidato sem muita briga entre
seus postulantes, já que o adversário real está do outro lado, não dentro do
partido. Na minha opinião, Donald Trump tem reais chances de vitória, tanto
dentro do Partido Republicano como na disputa nacional, porém não é o melhor
candidato. Suas recorrentes agressões aos demais concorrentes e ao exagerado ataque
a todos os imigrantes no país, tem dado um ar antipático à sua campanha,
fazendo com que grande parte do eleitorado independente americano prefira um
candidato democrata, mesmo que seja um socialista confesso – como é o caso de Bernie
Sanders. Antes de atacar os imigrantes como um todo, deveria ter passado alguns
meses explicando o risco que se tem manter milhões de pessoas de outras
nacionalidades sem qualquer tipo de registro. Alguns bairros de grandes cidades
americanas se transformaram em verdadeiros guetos de mexicanos ou muçulmanos,
sem que as autoridades soubessem se elas são fugitivas em seus países,
se cometeram algum tipo de crime ou se participam de algum grupo terrorista. Mas,
infelizmente, o candidato está mais preocupado em atacar do que em iniciar um
debate necessário sobre o tema.
Partido Democrata
No
partido Democrata, a disputa é bem mais complexa e envolve uma quantidade maior
de disputas que dividem as eleições por distritos, por isso não dá para se
basear por pesquisas que medem o eleitorado geral em cada estado, pois a divisão
dos votos é por distrito. Porém, o fato de haverem apenas dois candidatos com
chances reais, facilita um pouco nas projeções para cada um.
Quem
dissesse há um ano que existia alguma possibilidade da candidata Hilary Clinton
não ser a indicada pelo partido democrata ao fim da disputa, poderia ser
tachado como maluco ou, no mínimo, um comunista otimista, fã do Sanders - nem a imprensa brasileira
citava algum real concorrente. Hoje
apenas 3% das intensões de voto separam Hillary Clinton de Bernie Sanders no estado de Iowa -
primeira prévia do partido que se iniciará hoje. A eleição nos distritos de
Iowa pode sair empatada, cada candidato com o mesmo número de delegados, o que
poderá se transformar numa grande derrota para Hilary, que já chegou a aparecer
com quase 40% de vantagem nas pesquisas há cerca de cinco meses.
Em New Hampshire, próxima prévia do Partido Democrata, Sanders já aparece como
uma vantagem de 14%. Em 2008 Hilary era grande favorita no partido, porém foi
em Iowa, na primeira prévia, que um desconhecido Senador chamado Barack
Obama começou a ganhar força e a dividir as atenções do eleitorado, até vencer
a indicação na convenção nacional vários meses depois. Duas derrotas, nas duas
primeiras prévias, quando todos imaginavam que o partido teria apenas uma
candidatura, pode atrapalhar muito as pretensões da ex primeira dama e ex Secretária de Estado.
Muitos
apoiadores de Hillary admitem que o discurso comunista de Sanders, muito mais à
esquerda ideologicamente que ela, culpando os bancos e as grandes empresas nacionais por
problemas na economia e defendendo aumento de impostos para vários setores, está
atraindo muita atenção do eleitorado democrata. Ela tem tentado contrapor as ideias
com um discurso realista, mostrando que as propostas dele não são viáveis, mas
não tem tido muito sucesso.
O mês de fevereiro é
muito importante para a definição nos dois partidos. A "grande terça" do dia 1° de março poderá dar um ponto final à grande parte das candidaturas, deixando apenas aqueles com reais chances de vitória e clareando
bastante o caminho a ser percorrido por cada um. E aqueles que obtiverem bons resultados este mês chegará forte nas prévias mais importantes e decisivas de março.

Nenhum comentário:
Postar um comentário