Mostrando postagens com marcador Jeb Bush. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jeb Bush. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Resultados em New Hampshire - Partido Republicano


Em New Hampshire deu a lógica das pesquisas, sem muitas surpresas. Tanto Donald Trump, nas primárias do Partido Republicano, quanto Bernie Sanders, pelos Democratas, tinham grande vantagem em praticamente todas as pesquisas de opinião após o caucus de Iowa e confirmaram o favoritismo nas urnas. Neste Estado, a maior parte do eleitorado é independente, e é evidente que os candidatos que mais se opõe ao establishment acabam se sobressaindo. É como se o Estado quase sempre desse o seguinte recado: somos independentes e gostamos de candidatos independentes, mesmo que sejam independentes apenas dos grandes nomes de seus respectivos partidos. Em New Hampshire a zebra sempre tem vez.

Partido Republicano

Após o surpreendente resultado em Iowa, em que Ted Cruz conseguiu uma vitória pouco provável e Marco Rubio teve também uma grande votação, todos esperavam que ambos pudessem repetir o feito em New Hampshire. Porém, pelo menos para Rubio, o debate que ocorreu três dias antes acabou com qualquer chance dele surpreender. O Senador texano se mostrou robótico em algumas respostas, principalmente quando confrontado por Chris Christie sobre sua pouca experiência para assumir a Casa Branca. Foi uma surra de Christie em Rubio, como se este fosse mantido durante vários minutos nas cordas de um ring, sem conseguir se defender. No restante do debate Rubio se mostrou apático, como se estivesse grogue da surra que havia levado, sem chance de recuperação. O próprio candidato chegou a admitir que sua fraca atuação no debate foi decisiva para sua baixa votação, já que despontava nas pesquisas como segundo colocado.

E foi o debate, também, que acabou alavancando John Kasich e Jeb Bush, com segundo e quarto lugares, respectivamente. O Governador de Ohio tem se colocado na campanha como o “anti-Trump”; como o candidato moderado que sabe o que fazer e que já foi testado com sucesso num grande cargo. Já o ex-governador do Texas está apostando todas as suas fichas na imagem do seu irmão e ex-presidente Jorge W. Bush, que agora entrou de vez em sua campanha e tem boa reputação em algumas das próximas prévias. Também tem conseguido alguns apoios de Senadores e Governadores em diferentes Estados. Em New Hampshire o resultado lhe deu esperanças, chegando a dizer em pronunciamento que “ganhou uma segunda chance” e que agora a disputa havia reiniciado, agradecendo ao irmão e aos militantes de sua campanha.

Como dito no post anterior, era claro que alguns candidatos desistiriam após esta segunda prévia e foi o que aconteceu: Carly Fiorina, Cris Christie e Jim Gilmore encerraram suas campanhas por falta de apoio financeiro e resultados ruins nas primeiras prévias. Ben Carson continua acreditando que pode reverter a má atuação, mas tem desempenhos ruins nos debates, aparenta ter dicção ruim e não tem mais a menor chance. Deve deixar a disputa já na próxima semana ou, no máximo, após a Super Terça de 1º de Março. Também será após a Super Terça que Kasich e Bush definirão se continuam ou não com suas campanhas. Trump, Cruz e Rubio devem continuar na disputa por mais alguns meses, mesmo se tiverem resultados não muito bons nas próximas prévias.

O resultado final

Houve certa controvérsia durante a apuração do Partido Republicano, quanto ao número de delegados a que teriam direito cada candidato. Levando-se em conta as últimas eleições, o arredondamento só aconteceria após a divisão dos delegados. Porém nesta houveram dois arredondamentos: na porcentagem de cada candidato e na quantidade de delegados, sempre aproximando para o número inteiro mais próximo. Por isso, o site “thegreenpapers” demorou alguns dias para homologar o resultado, assim como o portal da CNN, que apenas finalizou o número de delegados no dia seguinte, enquanto que vários outros portais como o “The New York Times” e o “Washington Post” divulgaram o resultado final no mesmo dia da primária.

Abaixo, o resultado final, com a divisão dos delegados que cada candidato terá direito na Convenção Nacional do Partido Republicano em julho. Existem dois detalhes no resultado: apenas os candidatos com mais de 10% dos votos populares, antes do arredondamento, tiveram direito na partilha dos delegados; e, graças ao arredondamento da porcentagem, Rubio acabou ficando com o mesmo número de delegados de Cruz e Bush. Não houvesse arredondamento, ele ficaria com um delegado a menos e este iria para o primeiro colocado, Donald Trump.

1º Donald Trump
2º John Kasich
3º Ted Cruz
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
100,406
35,34%
10
44,909
15,81%
4
33,189
11,68%
3
4º Jeb Bush
5º Marco Rubio
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
31,31
11,02%
3
30,032
10,57%
3
Tabela 1: Divisão dos delegados em New Hampshire.

O site “thegreenpapers.com” detalhou a divisão dos 23 delegados. Lembrando que, após os arredondamentos e a distribuição, todos os delegados que sobraram foram para o vencedor:
  • Trump: 35.339%. Arredonda para 35%. 35% de 23 = 8,050. Arredonda para 8 delegados. Restam 15;
  • Kasich: 15.806%. Arredonda para 16%. 16% de 23 = 3.680. Arredonda para 4 delegados. Restam 11;
  • Cruz: 11.681%. Arredonda para 12%. 12% de 23 = 2.760. Arredonda para 3 delegados. Restam 8;
  • Bush: 11.020%. Arredonda para 11%. 11% de 23 = 2.530. Arredonda para 3 delegados. Restam 5;
  • Rubio: 10.570%. Arredonda para 11%. 11% de 23 = 2.530. Arredonda para 3 delegados. Restam 2;
  • Estes dois delegados restantes foram para Trump, finalizando com 10 delegados.

Este resultado acima bate com todos os sites e portais que divulgaram a divisão dos delegados, o que dá uma boa explicação de como ela foi feita. O Partido Republicano não divulgou a divisão dos delegados em seu site oficial, diferentemente do que havia feito em Iowa; Chris Christie, sexto colocado com 21.069 votos (7,52%), Carly Fiorina, sétima com 11.706 votos (4,12%), e Jim Gilmore, 13º colocado com 133 votos (0,05%), não obtiveram votos suficientes para ganharem delegados e abandonaram a campanha; Gilmore, inclusive, estava numa campanha apenas virtual e obteve menos votos que candidatos que não concorriam mais como Rand Paul e Rich Santorum; Ben Carson também não obteve nenhum delegado, ficando em oitavo lugar com 6.506 votos (2,29%), mas continua na disputa, ao menos por enquanto.

Divisão dos delegados após duas prévias

Abaixo o resultado parcial do Partido Republicano, com os delegados de cada candidato após duas prévias. Alguns candidatos possuem delegados vinculados a eles, porém não participam mais da campanha. Deverão, futuramente, vir a apoiar algum dos candidatos restantes, porém seus delegados não são obrigados a segui-los, o que os deixam na condição de “delegados descompromissados”, podendo votar em qualquer candidato que se mantenha até o final da campanha. Isso torna o jogo um pouco imprevisível, mas que só trará polêmica e resultado prático caso nenhum dos candidatos restantes conquiste a maioria absoluta necessária. Caso contrário, serão apenas números.

Candidato
Projeção dos Delegados
Donald Trump
17
Ted Cruz
11
Marco Rubio
10
John Kasich
5
Jeb Bush
4
Ben Carson
3
Rand Paul
1
Carly Fiorina
1
Mike Huckabee
1
Tabela 2: Divisão dos delegados após duas prévias.

No próximo post detalharei o resultado do Partido Democrata, a falta de sentido na importância dos Superdelegados do partido - que está ajudando Hillary; e o fenômeno Sanders - que começa a incomodá-la e continua sendo o campeão de votos dentre os militantes democratas mais jovens.

Daniel Mercer.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Eleições primárias em New Hampshire


Após uma semana tumultuada e de muitas reviravoltas, chegamos ao dia da segunda prévia da eleição presidencial dos Estados Unidos, em New Hampshire. Devido a um sistema de disputa mais simples, não devemos presenciar os problemas que ocorreram durante toda a última semana, em especial no Partido Democrata.

New Hampshire é um estado do nordeste dos Estados Unidos, que faz fronteira com Massachusets ao sul, Vermont ao oeste, Maine e o Oceano Atlântico ao leste e com a província de Quebec no Canadá ao norte. O Estado tem dado sucessivas vitórias aos candidatos democratas desde 2004, tendo George W. Bush, em 2000, como o único republicano vencedor nas eleições gerais no período de 1988 à 2012. Curiosamente seu pai, George H. W. Bush, havia sido o último republicano vencedor no Estado e seu irmão, Jeb Bush, que tem o apoio do Presidente do Senado Chuck Morsee, e tem subido nas pesquisas para as prévias na última semana, pode ter um bom resultado. A Governadora Maggie Hassan é do Partido Democrata e anunciou apoio à Hillary Clinton, apesar do Estado ser vizinho à Vermont, terra natal do Senador Sanders, e não tem ajudado muito sua candidata.

Como curiosidade, New Hampshire tem tido, nos últimos anos, movimentos separatistas e libertários de independência do país, visando um menor controle federal no Estado. Tem histórico de lutas por independência e foi uma das 13 colônias a se voltarem contra a Inglaterra no século XVIII, sendo a primeira a conquistar a independência. No último dia 3 de fevereiro, a causa libertária conseguiu mais de 20 mil assinaturas em favor da separação.

New Hampshire tem um milhão e trezentos mil habitantes, de maioria branca não latina, uma das menores populações do país (41º lugar). A economia é fortemente diversificada e inclui desde desde a produção têxtil, indústria de borracha e maquinário, até uma forte produção agrícola e turismo. Isso fez com que o pequeno estado conseguisse um salto na renda familiar no último século, figurando hoje na sétima posição do país com uma média de U$ 49 mil. O Estado possui 10 Condados, onze regiões metropolitanas; sua capital é Concord e a maior cidade é Manchester, ambas na região sul. New Hamphire possui apenas 4 votos no Colégio Eleitoral, mas tem uma importância simbólica na disputa: desde 1952 treze daqueles que se tornariam presidentes do país venceram as primárias por um dos dois maiores partidos. Em outras três vezes aquele que se tornaria presidente ficou em segundo lugar no estado. Nunca um terceiro colocado nas prévias de New Hampshire conseguiu se tornar Presidente dos Estados Unidos. Um desafio grande para os candidatos, principalmente entre os republicanos.

Partido Republicano

No partido Republicano a fórmula é simples: votação aberta durante todo o dia desta terça-feira, finalizando às 19h locais em quase todo o estado; pega-se o resultado de cada candidato e aplica-se a seguinte fórmula: 20 (número de delegados compromissados do Estado) x total de votos do candidato ÷ pelo número de votos contabilizados em todo o Estado. Porém existe uma restrição: os candidatos precisam ter pelo menos 10% dos votos (exigência mínima) para que possam fazer parte do rateio dos delegados. Isso fará toda a diferença, pois provavelmente apenas quatro ou cinco candidatos conseguirão ultrapassar esta margem, deixando os demais sem delegados para a Convenção de julho.

Feitos os cálculos, se aproxima o resultado do candidato ao número inteiro mais próximo e tem-se o número de delegados de cada candidato. Aí tem mais um detalhe muito importante: sempre sobram delegados na divisão e em New Hampshire existe uma regra diferente de Iowa. Enquanto que nas prévias da semana passada os delegados restantes eram distribuídos um a um entre os candidatos com a fração percentual mais próxima do número inteiro seguinte, na primária de hoje TODOS os delegados restantes vão para o candidato vencedor. Isso dará uma diferença de cinco a seis delegados para quem vencer. Sendo o vencedor um dos três primeiros colocados em Iowa – Ted Cruz, Donald Trump ou Marco Rúbio –, este já abrirá uma distância considerável em início de campanha e se fortalecerá ainda mais para as próximas prévias, em especial para a "Super Terça" de 1° de Março, o dia D para grande parte das candidaturas.

Os favoritos

Após o surpreendente terceiro lugar em Iowa, Marco Rúbio começou a subir bastante nas pesquisas, ultrapassando Ted Cruz que figurava em segundo a vários meses no Estado e chegou a incomodar Trump. Porém, após o debate de sábado na ABC News, em que foi fortemente atacado por quase todos os candidatos, principalmente sobre uma suposta inexperiência para o cargo de Presidente da República, ele passou a patinar nas pesquisas, perdendo muitos potenciais eleitores que havia ganhado desde Iowa, porém ainda aparece em segundo lugar e é um dos favoritos nas prévias de hoje. Trump continua com seus números, sem ganhar nem perder votos, por enquanto, numa folgada liderança; Ted Cruz caiu bastante desde as pesquisas anteriores às prévias de Iowa, demonstrando que os eleitores mais adeptos ao esquerdismo em New Hampshire não vão lhe dar a vitória que os mais conservadores de Iowa proporcionaram. Será uma grande surpresa se terminar numa posição acima do quarto lugar.

Quanto aos demais candidatos, chama a atenção a ascensão de John Kasich nas últimas pesquisas de New Hampshire, que aparece em algumas pesquisas na segunda colocação, à frente de Rúbio e Cruz. Outro personagem que estava bem apagado nos últimos meses e mostra uma pequena recuperação é o ex-governador do Texas Jeb Bush, que chega à New Hampshire como azarão, depois de praticamente se colocar fora da disputa, mas tendo dobrado suas intenções de voto depois do debate de Sábado. Estes devem ser os candidatos que receberão delegados nas prévias de hoje, restando saber quem vencerá, a posição de cada um e a % para divisão dos delegados. A minha aposta é que desta vez Donald Trump consiga confirmar sua vitória, já que não fez nenhuma besteira estratégica na última semana e baixou um pouco o tom das propostas mais radicais da sua campanha. Kasich pode surpreender e conseguir uma excelente votação no estado. Cruz e Bush devem brigar pelo quarto lugar, mas conquistarão delegados com facilidade, enquanto Rúbio disputará com Kasich o segundo lugar.

Veremos mais tarde o que os eleitores decidirão e quais dentre os demais candidatos sairão da disputa. Minha aposta é que Jin Gilmore e Carly Fiorina, que ficaram de fora do último debate e não tem mais visibilidade alguma na imprensa, saiam da disputa junto com Ben Carson, que caiu para as últimas posições nas pesquisas e não tem atrativos que possam lhe render um crescimento nas próximas prévias. Alguns ainda postergarão a decisão de sair da campanha até a Super Terça, mas para muitos isso significará gastos de financeiros e de tempo desnecessários na guerra contra o verdadeiro adversário, que são os candidatos. A pressão no próprio partido se tornará insustentável para todos os que não conquistarem delegados hoje.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 02 e 08 de fevereiro):
  • Donald Trump – 30,7%;
  • Marco Rubio – 14,4%;
  • John Kasich – 13%;
  • Ted Cruz – 12,4%;
  • Jeb Bush – 11,3%;
  • Cris Christie – 3,2%;
  • Carly Fiorina – 2,6%;
  • Ben Carson – 2,6%;

Só como curiosidade, na véspera do caucus de Iowa as pesquisas indicavam números bem parecidos a estes, em especial quanto à diferença de Trump para os demais, apenas com inversão de posições dentre os candidatos seguintes, porém o resultado foi bem ruim para Trump e muito bom para Rubio e Cruz. Também nas pesquisas dos dias anteriores à prévia da semana passada, existia uma movimentação dos candidatos abaixo de Trump no sentido de se aproximar dele. Naquela feita, com crescimento súbito e rápido de Ted Cruz e Marco Rubio; desta vez os candidatos com crescimento considerável são Jonh Kasich e Jeb Bush.

Como uma segunda observação quanto às pesquisas, as últimas não constam o nome do ex-governador da Virgínia Jim Gilmore, que oficialmente ainda continua na disputa, porém sem qualquer chance. Também teve resultado insignificante em Iowa e parece continuar em campanha apenas para se tornar mais conhecido nacionalmente, mas sem qualquer cobertura da imprensa e dos institutos de pesquisa.

Partido Democrata

No partido democrata a disputa também é mais simples em comparação à Iowa e não deve render maiores discussões a respeito do resultado. O'Malley saiu da campanha, deixando aos dois únicos candidatos restantes, Hillary Clinton e Bernie Sanders, uma sensação de final, apesar de estar ainda no começo das prévias.

Os 24 delegados em disputa hoje pelos candidatos no Estado serão divididos da seguinte forma: distribuição proporcional de oito delegados em cada um dos dois Condados, levando-se em conta a % dos votos em cada um deles; distribuição proporcional dos oito delegados restantes – líderes do partido, oficiais e suprapartidários compromissados – de acordo com a votação em toda New Hampshire. Em relação aos líderes e oficiais descompromissados, aqueles que não precisam levar em consideração o resultado do Estado e votam no candidato que preferirem, seis já se decidiram por Hillary, assim como em Iowa, que já inicia a disputa no Estado com uma pequena vantagem. A exigência mínima de 15% dos votos para que o candidato seja considerado viável e tenha direito à divisão dos delegados não será problema para os dois candidatos em disputa, que deverão travar outra grande batalha por cada delegado.

Com relação ao favoritismo, parece que este é um dos Estados americanos que abraçaram Sanders. 75% da militância jovem democrata está trabalhando duro em sua campanha, o que começa a preocupar a equipe de Hillary, que passou a se portar mais como “progressista” nos últimos dias, concordando com diversas ideias de Sanders. Porém, ele se mostra mais enérgico no modo de falar, e tem cativado bastante os jovens da esquerda norte americana. Já escrevi a minha opinião sobre este fenômeno em outro post, mas repito: é extremamente preocupante a quantidade de jovens entre 17 e 24 anos nos Estados Unidos que abraçaram as ideias socialistas de Sanders, em especial ao aumento nos impostos, agigantamento do Estado, universalização do Obamacare e universidades federais gratuitas. Ideias que aproximam a nação mais rica e próspera do mundo aos governos mais atrasados e comunistas do continente. 

No Brasil, a esquerda inteira está em êxtase com a possibilidade dele vir a ser o presidente norte americano, pois sem sombra de dúvidas, enfraqueceria muito o poderio econômico dos Estados Unidos, um sonho antigo dos comunistas da América Latina. Muitos jornais tupiniquins não escondem a preferência editorial pelo socialista confesso e fazem artigos o colocando como o “grande nome da política americana da atualidade”. Também não escondem o repúdio à Trump e Cruz, do Partido Republicano, utilizando adjetivos como “ultra radicais”, “ultra conservadores” ou apenas de “extrema direita”, para descrevê-los quanto à suas ideias. Em nenhum momento os termos “ultra radical”, “comunista”, “socialista”, “ultra progressista”, ou simplesmente “extrema esquerda” são utilizados para descrever Sanders – que, sem dúvida, é muito mais radical nos ideais, no modo de falar e de se portar, que os adversários republicanos.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 02 e 08/02):
  • Bernie Sanders – 54,5%;
  • Hillary Clinton – 41,2%;
Entre meados janeiro até o início da semana passada, Sanders cresceu bastante nas pesquisas em New Hampshire, chegando a figurar mais de 20 pontos à frente de Hillary logo após o resultado em Iowa. Porém, a diferença caiu bastante desde o último debate do dia 04/02 e vem oscilando entre 9 e 16%, sempre em favor de Sanders, que é Senador pelo estado vizinho de Vermont. Creio que devido ao trabalho da militância jovem do partido em favor do socialista, a vida de Hillary será bastante dificultada, não só em New Hampshire, mas em todos os estados menos conservadores ou de maioria partidariamente independente. A esperança dela no atual cenário é se apegar a eleitores que potencialmente votariam no Partido Republicano, mas que não se identificam com nenhum dos candidatos em disputa, uma situação, sem sombra de dúvidas, muito complicada para ela.

A força de Hillary, no momento, está no apoio de quase todas as autoridades e lideranças do partido, que não acreditam que Sanders, um candidato que até alguns meses atrás era um independente sem filiação partidária, possa levar adiante o legado dos democratas em caso de vitória nas eleições. Não fosse isso, a candidatura da Hillary já estaria desabando, o que, levando em consideração os números, está bem longe de acontecer, mas já não é tão improvável.

Daniel Mercer.


domingo, 31 de janeiro de 2016

Início da corrida eleitoral nos Estados Unidos.


Nesta segunda-feira se inicia a corrida americana para as eleições presidenciais que ocorrem em 8 de novembro. Após vários meses de disputa na pré-campanha para as primárias que se iniciam, já dá para tirar algumas conclusões sobre a disputa, tanto no Partido Republicano quanto no Democrata.

Partido Republicano

Em Iowa, primeira prévia, a disputa está acirrada e as pesquisas indicam uma vantagem de cerca de 5% para Donald Trump, o excêntrico empresário que passou vários meses atacando os demais candidatos do partido, muitas vezes de forma grosseira, e até já ameaçou deixar o partido e lançar uma candidatura independente à Casa Branca, o que fatalmente dividiria o voto dos conservadores e daria a vitória ao Partido Democrata.

Contra várias análises, até mesmo de republicanos, Trump tem se mantido forte na disputa e parece ser o único candidato já garantido numa campanha que poderá se arrastar por meses. Vários foram os candidatos que despontaram nas pesquisas, mas que foram perdendo terreno ao longo dos últimos meses: Jeb Bush, Ben Carson, Marco Rúbio e agora Ted Cruz. Este último chegou a liderar durante boa parte de dezembro em Iowa, mas caiu alguns pontos e estacionou cerca de 5% das intenções de voto atrás de Trump durante todo o mês de janeiro.

No entanto, é comum que as pesquisas errem as projeções de votos em vários estados americanos, principalmente no sistema que ocorre em Iowa, em que apenas militantes dos partidos votam em assembleias fechadas, decidindo quais candidatos terão maioria dos delegados nas convenções do partido. Em 2012, na véspera da eleição, as pesquisas indicavam vitória de  Mitt Romney nas prévias de Iowa com 6% de vantagem. Porém o vencedor, por apenas 34 votos, foi Rick Santorum, que aparecia em terceiro lugar nas pesquisas.

Nesta segunda o resultado deve ser apertado, e como os delegados de cada candidato são divididos proporcionalmente, quem vencer não terá grande vantagem na indicação deles no estado. O que começará a ser definido, como sempre ocorre, são os candidatos que têm poucas chances para continuar e que desistirão já nas próximas semanas. Hoje o partido Republicano tem 12 candidatos em disputa, poucos com reais chances, e a desistência, já nas primeiras prévias, de nomes como Jeb Bush, Ben Carson e Rick Santorum, em especial se definirem apoiar um candidato único contra Trump, poderá embaralhar bastante a disputa. Trump tem se mantido firme na liderança da disputa, mas não parece ter força suficiente para vencer sozinho contra uma aliança dos demais candidatos, que ele atacou bastante durante toda a pré campanha em 2015.

Esta inclusive é minha aposta: se o partido Republicano se mantiver dividido, com várias forças políticas disputando o mesmo eleitorado, Trump vence. Se todos os demais se unirem em torno daquele que se mostrar mais forte, Trump perde. O problema é definir quem é o mais forte dentre os demais, já que ao longo da campanha, como citado anteriormente, Bush, Carson e Rúbio chegaram a ameaçar a liderança do empresário, mas pereceram ao longo da disputa. Atualmente o principal desafiante é Ted Cruz, mas a dúvida é se ele manterá o bom desempenho ou dará lugar a outro desafiante na disputa.

Como conservador, espero que o partido defina seu candidato sem muita briga entre seus postulantes, já que o adversário real está do outro lado, não dentro do partido. Na minha opinião, Donald Trump tem reais chances de vitória, tanto dentro do Partido Republicano como na disputa nacional, porém não é o melhor candidato. Suas recorrentes agressões aos demais concorrentes e ao exagerado ataque a todos os imigrantes no país, tem dado um ar antipático à sua campanha, fazendo com que grande parte do eleitorado independente americano prefira um candidato democrata, mesmo que seja um socialista confesso – como é o caso de Bernie Sanders. Antes de atacar os imigrantes como um todo, deveria ter passado alguns meses explicando o risco que se tem manter milhões de pessoas de outras nacionalidades sem qualquer tipo de registro. Alguns bairros de grandes cidades americanas se transformaram em verdadeiros guetos de mexicanos ou muçulmanos, sem que as autoridades soubessem se elas são fugitivas em seus países, se cometeram algum tipo de crime ou se participam de algum grupo terrorista. Mas, infelizmente, o candidato está mais preocupado em atacar do que em iniciar um debate necessário sobre o tema.

Partido Democrata

No partido Democrata, a disputa é bem mais complexa e envolve uma quantidade maior de disputas que dividem as eleições por distritos, por isso não dá para se basear por pesquisas que medem o eleitorado geral em cada estado, pois a divisão dos votos é por distrito. Porém, o fato de haverem apenas dois candidatos com chances reais, facilita um pouco nas projeções para cada um.

Quem dissesse há um ano que existia alguma possibilidade da candidata Hilary Clinton não ser a indicada pelo partido democrata ao fim da disputa, poderia ser tachado como maluco ou, no mínimo, um comunista otimista, fã do Sanders - nem a imprensa brasileira citava algum real concorrente. Hoje apenas 3% das intensões de voto separam Hillary Clinton de Bernie Sanders no estado de Iowa - primeira prévia do partido que se iniciará hoje. A eleição nos distritos de Iowa pode sair empatada, cada candidato com o mesmo número de delegados, o que poderá se transformar numa grande derrota para Hilary, que já chegou a aparecer com quase 40% de vantagem nas pesquisas há cerca de cinco meses.

Em New Hampshire, próxima prévia do Partido Democrata, Sanders já aparece como uma vantagem de 14%. Em 2008 Hilary era grande favorita no partido, porém foi em Iowa, na primeira prévia, que um desconhecido Senador chamado Barack Obama começou a ganhar força e a dividir as atenções do eleitorado, até vencer a indicação na convenção nacional vários meses depois. Duas derrotas, nas duas primeiras prévias, quando todos imaginavam que o partido teria apenas uma candidatura, pode atrapalhar muito as pretensões da ex primeira dama e ex Secretária de Estado.

Muitos apoiadores de Hillary admitem que o discurso comunista de Sanders, muito mais à esquerda ideologicamente que ela, culpando os bancos e as grandes empresas nacionais por problemas na economia e defendendo aumento de impostos para vários setores, está atraindo muita atenção do eleitorado democrata. Ela tem tentado contrapor as ideias com um discurso realista, mostrando que as propostas dele não são viáveis, mas não tem tido muito sucesso.

O mês de fevereiro é muito importante para a definição nos dois partidos. A "grande terça" do dia 1° de março poderá dar um ponto final à grande parte das candidaturas, deixando apenas aqueles com reais chances de vitória e clareando bastante o caminho a ser percorrido por cada um. E aqueles que obtiverem bons resultados este mês chegará forte nas prévias mais importantes e decisivas de março.