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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Prévias em Nevada - Partido Republicano


Hoje acontece o caucus no estado de Nevada no Partido Republicano. Após grande vitória de Trump na Carolina do Sul – em que posteriormente escreverei um post detalhando os números –, ele chega ao Caucus de hoje também com grande favoritismo e dificilmente perderá.

Nevada é o sétimo maior estado em território dos Estados Unidos, apesar de ter apenas a 35ª população do país, com 2,7 milhões de habitantes. Foi colonizado pelos espanhóis e passou a integrar o território mexicano até o fim da guerra mexico-americana em 1848, passando a integrar o território dos Estados Unidos a partir de então. Foi elevado à categoria de estado americano em 1864 durante a guerra civil americana.
Sua economia é principalmente voltada ao turismo, em decorrência dos cassinos em Las Vegas, sua maior e mais importante cidade. Outra grande fonte de renda é a extração de prata, ouro, petróleo e areia; sua capital é Carson City, mas tem Las Vegas como principal conglomerado urbano e econômico.

Em relação à política recente, o governador do estado, Brian Sandoval, é republicano e tem se colocado em posição neutra quanto á um apoio formal aos candidatos, mas desmentiu recentemente que apoie Donald Trump, o que pode ser entendido como um “não apoio”. O senador Dean Heller, também republicano, declarou há dois dias apoio a Marco Rubio após desistência do candidato Jeb Bush. O outro senador Harry Reid, democrata, não anunciou apoio a ninguém e aparece ainda na lista de “superdelegados” como “não comprometido”.

Partido Republicano

No último sábado foi realizada a primária da Carolina do Sul pelo Partido Republicano, em que o candidato que recebesse mais votos em cada distrito e no geral no estado receberia todos os votos no sistema “ganhou leva tudo”. Donald Trump confirmou o favoritismo e ganhou com boa vantagem na apuração geral e em quatro dos sete distritos. Nos demais venceu mais apertado, numa boa disputa contra Marco Rubio, mas acabou vencendo em todos, levando os 50 delegados do estado.
Com isso chega fortalecido ao cáucus de hoje, com uma vantagem nas pesquisas da véspera até maior que o resultado na última primária. O fato do governador não estar apoiando ninguém até o momento, também o favorece, já que se comporta como o “anti-establishment” do partido; é o Bernie Sanders dos republicanos.

Com relação às regras da prévia de hoje, a distribuição dos delegados é feita proporcionalmente, diferente da distribuição da Carolina do Sul, em que o vencedor levou tudo. A fórmula de distribuição é: 30 (total de delegados) x total de votos do candidato ÷ total de votos válidos (excluídos os votos dos candidatos que não teve um mínimo de 3,3%).

Média das Pesquisas Eleitorais (entre 10 e 15 de fevereiro):

  • Donald Trump – 42%;
  • Ted Cruz – 20%;
  • Marco Rubio – 19%;
  • John Kasich – 7%;
  • Ben Carson – 6%.

Infelizmente, e pela primeira vez na campanha, não há pesquisa atual sobre a prévia republicana em Nevada. A última pesquisa data do dia 15 de fevereiro, bem antes da prévia da Carolina do Sul, o que pode dar bastante diferença no resultado de hoje. Mas é inegável que Trump tem uma grande vantagem e deve ganhar com facilidade. Calculo que deva levar cerca de 15 delegados, contra sete ou oito, no máximo, do segundo colocado.

Daniel Mercer.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Eleições primárias na Carolina do Sul – Partido Republicano


A Carolina do Sul é um estado localizado na região sudeste dos Estados Unidos. Faz fronteiras com a Carolina do Norte, ao norte, com o Oceano Atlântico ao Sudeste e com a Geórgia ao Sudoeste. É pequeno, apenas o 40º maior estado do país, mas tem uma grande densidade populacional com mais de 4,5 milhões de habitantes, o 24º maior estado no ranking populacional (Censo, 2010). Sua economia é principalmente voltada à indústria têxtil e de tabaco, sendo um dos líderes nacionais nos dois setores e de onde vem a maior fonte da renda do estado. Sua população é majoritariamente branca não-hispânica (64,1%), mas também tem um grande número de negros (27,9%); a religião protestante é preponderante, respondendo por 84% do total.

Em termos históricos, a Carolina do Sul foi um dos 13 estados federados após a Independência dos Estados Unidos, tendo sido o oitavo a conseguir a sua independência. Foi o primeiro país a seceder após a eleição de Abraham Lincoln, se tornando um dos estados membros dos Estados Confederados da América. Também foi na Carolina do Sul que se iniciou a guerra civil americana em 12 de abril de 1861.

Em relação ao recente histórico político, tanto os dois senadores do estado quanto a governadora são do Partido Republicano. Nas eleições presidenciais, os candidatos republicanos vencem desde 1980, sendo Jimmy Carter, em 1976, o último democrata a vencer. Seus moradores tem profunda admiração por Ronald Reagan e George W. Bush; o estado passa a contar com nove delegados na eleição de 8 de novembro – até a última eleição eram oito delegados.

Partido Republicano

Hoje acontecem as primárias do Partido Republicano na Carolina do Sul, sendo que a do Partido Democrata acontece apenas na semana que vem em 27 de fevereiro. Com regras muito simples, esta prévia dará ao vencedor uma vantagem grande na corrida, pois todos os delegados são distribuídos a quem receber mais votos, tanto nos distritos, quanto na votação geral do estado. O partido distribui seus 50 delegados no sistema “leva tudo quem vence”. São sete distritos, com três delegados cada, em que o candidato vencedor fica com os três, e outros 29 delegados ficam para o vencedor geral no estado.

O empresário Donald Trump chega com grande vantagem e não há nenhuma evidência de que não vencerá hoje na contagem geral e na maioria dos distritos – senão em todos, a não ser que os apoios recebidos por Rubio tenham grande efeito. Pode sair da primária de hoje com 50 delegados a mais, contra nenhum dos outros candidatos. Seria uma vitória acachapante e parece que será isso que irá acontecer. Depois de uma grande vitória em New Hampshire, se manteve firme na frente nas pesquisas em muitos Estados, incluindo na prévia de hoje.

Os três grandes cabos eleitorais do estado, a governadora Nikki Haley e os senadores Lindsey Graham e Tim Scott, todos republicanos, já definiram seus apoios: Haley e Scott estão apoiando Marco Rubio e Graham está apoiando Jeb Bush. Estas definições estão fazendo estes candidatos subirem um pouco nas pesquisas, mas não chegam a incomodar o líder e grande favorito Trump - a exceção de algumas poucas pesquisas de ontem, que indicam grande subida de Rubio.

Os favoritos

Como dito anteriormente, Trump está com grande vantagem nas pesquisas e deve vencer sem grandes dificuldades, como foi em New Hampshire, apesar de não ter apoio de quase nenhum nome de relevância dentro do partido. O segundo lugar está bem disputado e deve ser definido voto a voto entre Marco Rubio e Ted Cruz. Tenho a impressão que Rubio volta a brigar forte depois de ter sido esmagado no debate anterior às prévias de New Hampshire, passando a responder mais incisivamente às perguntas no debate de sábado passado para demonstrar maturidade (em New Hampshire Rubio foi indagado pelos jornalistas sobre sua falta de maturidade para ser Presidente da República e, por tabela, foi fortemente atacado pelos candidatos, perdendo milhares de votos na primária). O apoio de dois grandes nomes do partido no estado dá à Rubio uma grande vantagem sobre Cruz e algumas pesquisas o colocaram ontem em posição de empate técnico com Trump, apesar de outras pesquisas ainda darem a Trump grande vantagem.

Jeb Bush, após bom resultado na última primária, ganhou um pouco de fôlego, mas continua patinando na campanha. Seu irmão e ex-presidente George W. Bush está mais presente, mas não consegue transferir grande parte de sua popularidade. Se Bush não conseguir ao menos o terceiro lugar na Carolina do Sul, deve começar a desistir da corrida, ainda que a mantenha até a Super Terça do dia 1º de março, que será decisivo para ver quem continua com chances e quem sai da disputa. O mesmo acontece com John Kasich, que praticamente não tem mais chances e com Ben Carson, que insiste em continuar concorrendo mesmo já estando, na prática, fora da disputa.

Como venho escrevendo há algumas semanas, o representante do Partido Republicano para as eleições gerais sairá da disputa entre Donald Trump, Ted Cruz e Marco Rubio, ficando em dúvida apenas quem os demais candidatos irão apoiar e se Cruz e Rubio se unirão para derrotar Trump. As coisas começam a ficar claras e as definições devem ocorrer nas próximas semanas.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 15 e 19 de fevereiro):
  • Donald Trump – 31,8%;
  • Marco Rubio – 18,8%;
  • Ted Cruz – 18,5%;
  • Jeb Bush – 10,7%;
  • John Kasich – 9%;
  • Ben Carson – 6,8%;

Este resultado pode não se confirmar na eleição de hoje, pois é uma média de pesquisas desde o dia 15. Porém, com o apoio da governadora do estado e de um dos senadores, Rubio tem crescido bastante e já aparece em empate técnico com Trump em alguns levantamentos, apesar de estar bem atrás em outros. É uma dúvida que só será tirada na abertura das urnas, após às 23h de hoje (pelo horário de Brasília, 20h no horário local). Aposto em vitória de Trump, com Rubio terminando em segundo e Cruz em terceiro.

Daniel Mercer.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Resultados em New Hampshire - Partido Republicano


Em New Hampshire deu a lógica das pesquisas, sem muitas surpresas. Tanto Donald Trump, nas primárias do Partido Republicano, quanto Bernie Sanders, pelos Democratas, tinham grande vantagem em praticamente todas as pesquisas de opinião após o caucus de Iowa e confirmaram o favoritismo nas urnas. Neste Estado, a maior parte do eleitorado é independente, e é evidente que os candidatos que mais se opõe ao establishment acabam se sobressaindo. É como se o Estado quase sempre desse o seguinte recado: somos independentes e gostamos de candidatos independentes, mesmo que sejam independentes apenas dos grandes nomes de seus respectivos partidos. Em New Hampshire a zebra sempre tem vez.

Partido Republicano

Após o surpreendente resultado em Iowa, em que Ted Cruz conseguiu uma vitória pouco provável e Marco Rubio teve também uma grande votação, todos esperavam que ambos pudessem repetir o feito em New Hampshire. Porém, pelo menos para Rubio, o debate que ocorreu três dias antes acabou com qualquer chance dele surpreender. O Senador texano se mostrou robótico em algumas respostas, principalmente quando confrontado por Chris Christie sobre sua pouca experiência para assumir a Casa Branca. Foi uma surra de Christie em Rubio, como se este fosse mantido durante vários minutos nas cordas de um ring, sem conseguir se defender. No restante do debate Rubio se mostrou apático, como se estivesse grogue da surra que havia levado, sem chance de recuperação. O próprio candidato chegou a admitir que sua fraca atuação no debate foi decisiva para sua baixa votação, já que despontava nas pesquisas como segundo colocado.

E foi o debate, também, que acabou alavancando John Kasich e Jeb Bush, com segundo e quarto lugares, respectivamente. O Governador de Ohio tem se colocado na campanha como o “anti-Trump”; como o candidato moderado que sabe o que fazer e que já foi testado com sucesso num grande cargo. Já o ex-governador do Texas está apostando todas as suas fichas na imagem do seu irmão e ex-presidente Jorge W. Bush, que agora entrou de vez em sua campanha e tem boa reputação em algumas das próximas prévias. Também tem conseguido alguns apoios de Senadores e Governadores em diferentes Estados. Em New Hampshire o resultado lhe deu esperanças, chegando a dizer em pronunciamento que “ganhou uma segunda chance” e que agora a disputa havia reiniciado, agradecendo ao irmão e aos militantes de sua campanha.

Como dito no post anterior, era claro que alguns candidatos desistiriam após esta segunda prévia e foi o que aconteceu: Carly Fiorina, Cris Christie e Jim Gilmore encerraram suas campanhas por falta de apoio financeiro e resultados ruins nas primeiras prévias. Ben Carson continua acreditando que pode reverter a má atuação, mas tem desempenhos ruins nos debates, aparenta ter dicção ruim e não tem mais a menor chance. Deve deixar a disputa já na próxima semana ou, no máximo, após a Super Terça de 1º de Março. Também será após a Super Terça que Kasich e Bush definirão se continuam ou não com suas campanhas. Trump, Cruz e Rubio devem continuar na disputa por mais alguns meses, mesmo se tiverem resultados não muito bons nas próximas prévias.

O resultado final

Houve certa controvérsia durante a apuração do Partido Republicano, quanto ao número de delegados a que teriam direito cada candidato. Levando-se em conta as últimas eleições, o arredondamento só aconteceria após a divisão dos delegados. Porém nesta houveram dois arredondamentos: na porcentagem de cada candidato e na quantidade de delegados, sempre aproximando para o número inteiro mais próximo. Por isso, o site “thegreenpapers” demorou alguns dias para homologar o resultado, assim como o portal da CNN, que apenas finalizou o número de delegados no dia seguinte, enquanto que vários outros portais como o “The New York Times” e o “Washington Post” divulgaram o resultado final no mesmo dia da primária.

Abaixo, o resultado final, com a divisão dos delegados que cada candidato terá direito na Convenção Nacional do Partido Republicano em julho. Existem dois detalhes no resultado: apenas os candidatos com mais de 10% dos votos populares, antes do arredondamento, tiveram direito na partilha dos delegados; e, graças ao arredondamento da porcentagem, Rubio acabou ficando com o mesmo número de delegados de Cruz e Bush. Não houvesse arredondamento, ele ficaria com um delegado a menos e este iria para o primeiro colocado, Donald Trump.

1º Donald Trump
2º John Kasich
3º Ted Cruz
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
100,406
35,34%
10
44,909
15,81%
4
33,189
11,68%
3
4º Jeb Bush
5º Marco Rubio
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
31,31
11,02%
3
30,032
10,57%
3
Tabela 1: Divisão dos delegados em New Hampshire.

O site “thegreenpapers.com” detalhou a divisão dos 23 delegados. Lembrando que, após os arredondamentos e a distribuição, todos os delegados que sobraram foram para o vencedor:
  • Trump: 35.339%. Arredonda para 35%. 35% de 23 = 8,050. Arredonda para 8 delegados. Restam 15;
  • Kasich: 15.806%. Arredonda para 16%. 16% de 23 = 3.680. Arredonda para 4 delegados. Restam 11;
  • Cruz: 11.681%. Arredonda para 12%. 12% de 23 = 2.760. Arredonda para 3 delegados. Restam 8;
  • Bush: 11.020%. Arredonda para 11%. 11% de 23 = 2.530. Arredonda para 3 delegados. Restam 5;
  • Rubio: 10.570%. Arredonda para 11%. 11% de 23 = 2.530. Arredonda para 3 delegados. Restam 2;
  • Estes dois delegados restantes foram para Trump, finalizando com 10 delegados.

Este resultado acima bate com todos os sites e portais que divulgaram a divisão dos delegados, o que dá uma boa explicação de como ela foi feita. O Partido Republicano não divulgou a divisão dos delegados em seu site oficial, diferentemente do que havia feito em Iowa; Chris Christie, sexto colocado com 21.069 votos (7,52%), Carly Fiorina, sétima com 11.706 votos (4,12%), e Jim Gilmore, 13º colocado com 133 votos (0,05%), não obtiveram votos suficientes para ganharem delegados e abandonaram a campanha; Gilmore, inclusive, estava numa campanha apenas virtual e obteve menos votos que candidatos que não concorriam mais como Rand Paul e Rich Santorum; Ben Carson também não obteve nenhum delegado, ficando em oitavo lugar com 6.506 votos (2,29%), mas continua na disputa, ao menos por enquanto.

Divisão dos delegados após duas prévias

Abaixo o resultado parcial do Partido Republicano, com os delegados de cada candidato após duas prévias. Alguns candidatos possuem delegados vinculados a eles, porém não participam mais da campanha. Deverão, futuramente, vir a apoiar algum dos candidatos restantes, porém seus delegados não são obrigados a segui-los, o que os deixam na condição de “delegados descompromissados”, podendo votar em qualquer candidato que se mantenha até o final da campanha. Isso torna o jogo um pouco imprevisível, mas que só trará polêmica e resultado prático caso nenhum dos candidatos restantes conquiste a maioria absoluta necessária. Caso contrário, serão apenas números.

Candidato
Projeção dos Delegados
Donald Trump
17
Ted Cruz
11
Marco Rubio
10
John Kasich
5
Jeb Bush
4
Ben Carson
3
Rand Paul
1
Carly Fiorina
1
Mike Huckabee
1
Tabela 2: Divisão dos delegados após duas prévias.

No próximo post detalharei o resultado do Partido Democrata, a falta de sentido na importância dos Superdelegados do partido - que está ajudando Hillary; e o fenômeno Sanders - que começa a incomodá-la e continua sendo o campeão de votos dentre os militantes democratas mais jovens.

Daniel Mercer.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Eleições primárias em New Hampshire


Após uma semana tumultuada e de muitas reviravoltas, chegamos ao dia da segunda prévia da eleição presidencial dos Estados Unidos, em New Hampshire. Devido a um sistema de disputa mais simples, não devemos presenciar os problemas que ocorreram durante toda a última semana, em especial no Partido Democrata.

New Hampshire é um estado do nordeste dos Estados Unidos, que faz fronteira com Massachusets ao sul, Vermont ao oeste, Maine e o Oceano Atlântico ao leste e com a província de Quebec no Canadá ao norte. O Estado tem dado sucessivas vitórias aos candidatos democratas desde 2004, tendo George W. Bush, em 2000, como o único republicano vencedor nas eleições gerais no período de 1988 à 2012. Curiosamente seu pai, George H. W. Bush, havia sido o último republicano vencedor no Estado e seu irmão, Jeb Bush, que tem o apoio do Presidente do Senado Chuck Morsee, e tem subido nas pesquisas para as prévias na última semana, pode ter um bom resultado. A Governadora Maggie Hassan é do Partido Democrata e anunciou apoio à Hillary Clinton, apesar do Estado ser vizinho à Vermont, terra natal do Senador Sanders, e não tem ajudado muito sua candidata.

Como curiosidade, New Hampshire tem tido, nos últimos anos, movimentos separatistas e libertários de independência do país, visando um menor controle federal no Estado. Tem histórico de lutas por independência e foi uma das 13 colônias a se voltarem contra a Inglaterra no século XVIII, sendo a primeira a conquistar a independência. No último dia 3 de fevereiro, a causa libertária conseguiu mais de 20 mil assinaturas em favor da separação.

New Hampshire tem um milhão e trezentos mil habitantes, de maioria branca não latina, uma das menores populações do país (41º lugar). A economia é fortemente diversificada e inclui desde desde a produção têxtil, indústria de borracha e maquinário, até uma forte produção agrícola e turismo. Isso fez com que o pequeno estado conseguisse um salto na renda familiar no último século, figurando hoje na sétima posição do país com uma média de U$ 49 mil. O Estado possui 10 Condados, onze regiões metropolitanas; sua capital é Concord e a maior cidade é Manchester, ambas na região sul. New Hamphire possui apenas 4 votos no Colégio Eleitoral, mas tem uma importância simbólica na disputa: desde 1952 treze daqueles que se tornariam presidentes do país venceram as primárias por um dos dois maiores partidos. Em outras três vezes aquele que se tornaria presidente ficou em segundo lugar no estado. Nunca um terceiro colocado nas prévias de New Hampshire conseguiu se tornar Presidente dos Estados Unidos. Um desafio grande para os candidatos, principalmente entre os republicanos.

Partido Republicano

No partido Republicano a fórmula é simples: votação aberta durante todo o dia desta terça-feira, finalizando às 19h locais em quase todo o estado; pega-se o resultado de cada candidato e aplica-se a seguinte fórmula: 20 (número de delegados compromissados do Estado) x total de votos do candidato ÷ pelo número de votos contabilizados em todo o Estado. Porém existe uma restrição: os candidatos precisam ter pelo menos 10% dos votos (exigência mínima) para que possam fazer parte do rateio dos delegados. Isso fará toda a diferença, pois provavelmente apenas quatro ou cinco candidatos conseguirão ultrapassar esta margem, deixando os demais sem delegados para a Convenção de julho.

Feitos os cálculos, se aproxima o resultado do candidato ao número inteiro mais próximo e tem-se o número de delegados de cada candidato. Aí tem mais um detalhe muito importante: sempre sobram delegados na divisão e em New Hampshire existe uma regra diferente de Iowa. Enquanto que nas prévias da semana passada os delegados restantes eram distribuídos um a um entre os candidatos com a fração percentual mais próxima do número inteiro seguinte, na primária de hoje TODOS os delegados restantes vão para o candidato vencedor. Isso dará uma diferença de cinco a seis delegados para quem vencer. Sendo o vencedor um dos três primeiros colocados em Iowa – Ted Cruz, Donald Trump ou Marco Rúbio –, este já abrirá uma distância considerável em início de campanha e se fortalecerá ainda mais para as próximas prévias, em especial para a "Super Terça" de 1° de Março, o dia D para grande parte das candidaturas.

Os favoritos

Após o surpreendente terceiro lugar em Iowa, Marco Rúbio começou a subir bastante nas pesquisas, ultrapassando Ted Cruz que figurava em segundo a vários meses no Estado e chegou a incomodar Trump. Porém, após o debate de sábado na ABC News, em que foi fortemente atacado por quase todos os candidatos, principalmente sobre uma suposta inexperiência para o cargo de Presidente da República, ele passou a patinar nas pesquisas, perdendo muitos potenciais eleitores que havia ganhado desde Iowa, porém ainda aparece em segundo lugar e é um dos favoritos nas prévias de hoje. Trump continua com seus números, sem ganhar nem perder votos, por enquanto, numa folgada liderança; Ted Cruz caiu bastante desde as pesquisas anteriores às prévias de Iowa, demonstrando que os eleitores mais adeptos ao esquerdismo em New Hampshire não vão lhe dar a vitória que os mais conservadores de Iowa proporcionaram. Será uma grande surpresa se terminar numa posição acima do quarto lugar.

Quanto aos demais candidatos, chama a atenção a ascensão de John Kasich nas últimas pesquisas de New Hampshire, que aparece em algumas pesquisas na segunda colocação, à frente de Rúbio e Cruz. Outro personagem que estava bem apagado nos últimos meses e mostra uma pequena recuperação é o ex-governador do Texas Jeb Bush, que chega à New Hampshire como azarão, depois de praticamente se colocar fora da disputa, mas tendo dobrado suas intenções de voto depois do debate de Sábado. Estes devem ser os candidatos que receberão delegados nas prévias de hoje, restando saber quem vencerá, a posição de cada um e a % para divisão dos delegados. A minha aposta é que desta vez Donald Trump consiga confirmar sua vitória, já que não fez nenhuma besteira estratégica na última semana e baixou um pouco o tom das propostas mais radicais da sua campanha. Kasich pode surpreender e conseguir uma excelente votação no estado. Cruz e Bush devem brigar pelo quarto lugar, mas conquistarão delegados com facilidade, enquanto Rúbio disputará com Kasich o segundo lugar.

Veremos mais tarde o que os eleitores decidirão e quais dentre os demais candidatos sairão da disputa. Minha aposta é que Jin Gilmore e Carly Fiorina, que ficaram de fora do último debate e não tem mais visibilidade alguma na imprensa, saiam da disputa junto com Ben Carson, que caiu para as últimas posições nas pesquisas e não tem atrativos que possam lhe render um crescimento nas próximas prévias. Alguns ainda postergarão a decisão de sair da campanha até a Super Terça, mas para muitos isso significará gastos de financeiros e de tempo desnecessários na guerra contra o verdadeiro adversário, que são os candidatos. A pressão no próprio partido se tornará insustentável para todos os que não conquistarem delegados hoje.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 02 e 08 de fevereiro):
  • Donald Trump – 30,7%;
  • Marco Rubio – 14,4%;
  • John Kasich – 13%;
  • Ted Cruz – 12,4%;
  • Jeb Bush – 11,3%;
  • Cris Christie – 3,2%;
  • Carly Fiorina – 2,6%;
  • Ben Carson – 2,6%;

Só como curiosidade, na véspera do caucus de Iowa as pesquisas indicavam números bem parecidos a estes, em especial quanto à diferença de Trump para os demais, apenas com inversão de posições dentre os candidatos seguintes, porém o resultado foi bem ruim para Trump e muito bom para Rubio e Cruz. Também nas pesquisas dos dias anteriores à prévia da semana passada, existia uma movimentação dos candidatos abaixo de Trump no sentido de se aproximar dele. Naquela feita, com crescimento súbito e rápido de Ted Cruz e Marco Rubio; desta vez os candidatos com crescimento considerável são Jonh Kasich e Jeb Bush.

Como uma segunda observação quanto às pesquisas, as últimas não constam o nome do ex-governador da Virgínia Jim Gilmore, que oficialmente ainda continua na disputa, porém sem qualquer chance. Também teve resultado insignificante em Iowa e parece continuar em campanha apenas para se tornar mais conhecido nacionalmente, mas sem qualquer cobertura da imprensa e dos institutos de pesquisa.

Partido Democrata

No partido democrata a disputa também é mais simples em comparação à Iowa e não deve render maiores discussões a respeito do resultado. O'Malley saiu da campanha, deixando aos dois únicos candidatos restantes, Hillary Clinton e Bernie Sanders, uma sensação de final, apesar de estar ainda no começo das prévias.

Os 24 delegados em disputa hoje pelos candidatos no Estado serão divididos da seguinte forma: distribuição proporcional de oito delegados em cada um dos dois Condados, levando-se em conta a % dos votos em cada um deles; distribuição proporcional dos oito delegados restantes – líderes do partido, oficiais e suprapartidários compromissados – de acordo com a votação em toda New Hampshire. Em relação aos líderes e oficiais descompromissados, aqueles que não precisam levar em consideração o resultado do Estado e votam no candidato que preferirem, seis já se decidiram por Hillary, assim como em Iowa, que já inicia a disputa no Estado com uma pequena vantagem. A exigência mínima de 15% dos votos para que o candidato seja considerado viável e tenha direito à divisão dos delegados não será problema para os dois candidatos em disputa, que deverão travar outra grande batalha por cada delegado.

Com relação ao favoritismo, parece que este é um dos Estados americanos que abraçaram Sanders. 75% da militância jovem democrata está trabalhando duro em sua campanha, o que começa a preocupar a equipe de Hillary, que passou a se portar mais como “progressista” nos últimos dias, concordando com diversas ideias de Sanders. Porém, ele se mostra mais enérgico no modo de falar, e tem cativado bastante os jovens da esquerda norte americana. Já escrevi a minha opinião sobre este fenômeno em outro post, mas repito: é extremamente preocupante a quantidade de jovens entre 17 e 24 anos nos Estados Unidos que abraçaram as ideias socialistas de Sanders, em especial ao aumento nos impostos, agigantamento do Estado, universalização do Obamacare e universidades federais gratuitas. Ideias que aproximam a nação mais rica e próspera do mundo aos governos mais atrasados e comunistas do continente. 

No Brasil, a esquerda inteira está em êxtase com a possibilidade dele vir a ser o presidente norte americano, pois sem sombra de dúvidas, enfraqueceria muito o poderio econômico dos Estados Unidos, um sonho antigo dos comunistas da América Latina. Muitos jornais tupiniquins não escondem a preferência editorial pelo socialista confesso e fazem artigos o colocando como o “grande nome da política americana da atualidade”. Também não escondem o repúdio à Trump e Cruz, do Partido Republicano, utilizando adjetivos como “ultra radicais”, “ultra conservadores” ou apenas de “extrema direita”, para descrevê-los quanto à suas ideias. Em nenhum momento os termos “ultra radical”, “comunista”, “socialista”, “ultra progressista”, ou simplesmente “extrema esquerda” são utilizados para descrever Sanders – que, sem dúvida, é muito mais radical nos ideais, no modo de falar e de se portar, que os adversários republicanos.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 02 e 08/02):
  • Bernie Sanders – 54,5%;
  • Hillary Clinton – 41,2%;
Entre meados janeiro até o início da semana passada, Sanders cresceu bastante nas pesquisas em New Hampshire, chegando a figurar mais de 20 pontos à frente de Hillary logo após o resultado em Iowa. Porém, a diferença caiu bastante desde o último debate do dia 04/02 e vem oscilando entre 9 e 16%, sempre em favor de Sanders, que é Senador pelo estado vizinho de Vermont. Creio que devido ao trabalho da militância jovem do partido em favor do socialista, a vida de Hillary será bastante dificultada, não só em New Hampshire, mas em todos os estados menos conservadores ou de maioria partidariamente independente. A esperança dela no atual cenário é se apegar a eleitores que potencialmente votariam no Partido Republicano, mas que não se identificam com nenhum dos candidatos em disputa, uma situação, sem sombra de dúvidas, muito complicada para ela.

A força de Hillary, no momento, está no apoio de quase todas as autoridades e lideranças do partido, que não acreditam que Sanders, um candidato que até alguns meses atrás era um independente sem filiação partidária, possa levar adiante o legado dos democratas em caso de vitória nas eleições. Não fosse isso, a candidatura da Hillary já estaria desabando, o que, levando em consideração os números, está bem longe de acontecer, mas já não é tão improvável.

Daniel Mercer.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Resultados em Iowa - Partido Republicano


Numa semana repleta de acontecimentos, se iniciaram as prévias das eleições presidenciais americanas. Em Iowa foram muitas as surpresas, mas quem acompanha esta campanha há algum tempo, já esperava algumas reviravoltas, apesar de não tão drásticas. Como escrevi no último post, a disputa seria apertada e o resultado pouco decisivo, porém serviria de termômetro para as próximas prévias e deixaria claro quem continuaria forte na disputa e quem desistiria. Neste quesito em especial, anunciaram a desistência os candidatos republicanos Mark Huckabee, Rand Paul e Rick Santorum. Pelo lado democrata o candidato Martin O’Malley anunciou a desistência ainda durante a apuração na madrugada de terça-feira.

Partido Republicano

No partido republicano, o empresário e midiático Donald Trump não conseguiu confirmar a boa liderança nas pesquisas no estado que vinha tendo desde dezembro e acabou perdendo para Ted Cruz. Pesaram contra Trump dois fatores: seus simpatizantes são tradicionalmente pessoas que nunca votaram ou participaram de algum "caucus" anteriormente e, aparentemente, preferiram ficar em casa na fria noite de inverno da última segunda-feira. Outra questão que pesou foi identificada pela pesquisa da Emerson College realizada no dia do caucus: na semana anterior Trump não participou do último debate antes do início das prévias, realizada pela FoxNews. Ela é a maior emissora de notícias dos Estados Unidos desde que ultrapassou a CNN em 2002 e ele alegou uma suposta perseguição da mediadora em debate realizado no ano passado.

Em vez de participar do debate, em que foi duramente criticado por seus adversários, fez comício próximo ao local do debate e teve seu evento transmitido pela CNN e pela MSNBC, as duas outras grandes redes de notícias do país. Num primeiro momento muitos pensaram: "ah, mas ele ganhou a atenção sozinho de duas emissoras de TV, enquanto que todos os outros candidatos dividiram a atenção em uma única emissora". Acontece que, em primeiro lugar, a emissora do debate é a preferida dos republicanos por ser mais conservadora que as outras duas que são reconhecidamente mais "progressistas. Em segundo lugar, de acordo com a pesquisa da Emerson, mencionada anteriormente, 65% dos eleitores republicanos de Iowa assistiram ao debate, enquanto que apenas 35% tiveram conhecimento e sintonizaram a TV para verem o discurso de Trump. Ou seja, o que parecia uma boa estratégia se mostrou desastrada e com resultados ruins.

Outra questão que pode ter pesado, é o fato de que os moradores de Iowa são pessoas mais tradicionais e que preferem o contato direto do candidato ao invés de campanhas mais midiáticas. Ted Cruz e Marco Rubio se dedicaram bastante ao "corpo a corpo" com os eleitores nas últimas semanas, o que pode ter surtido efeito em favor deles.

Marco Rubio, inclusive, foi considerado por grande parte dos analistas e emissoras de TV dos Estados Unidos, a grande surpresa do caucus. O Senador do Texas era considerado carta fora do baralho, um candidato que teve seu momento de maior visibilidade entre maio e junho do ano passado, quando se manteve na liderança das pesquisas ao lado de Jeb Bush. Porém, quando Trump passou a monopolizar o discurso e os holofotes, ambos afundaram nas pesquisas e passaram a fazer figuração, apesar de Rubio sempre mostrar segurança e excelentes participações nos debates desde então. O resultado em Iowa o coloca dentre os três maiores nomes do Partido Republicano no momento e com bastante cobertura da mídia. O problema é que agora ele passa da condição de pedra para vidraça e o debate de sábado na rede ABC News já mostrou que não terá vida fácil. Rubio foi alvo de Ted Cruz, Jeb Bush, Trump e do Governador de Nova Jersey Cris Christie, que acusaram sua suposta inexperiência para ser Presidente da República. Pela primeira vez nos debates precisou ficar na defensiva e acusou o golpe, se mostrando bastante nervoso e com um discurso claramente decorado sobre o assunto. Pode ter freiado o seu crescimento dos últimos dias.

O resultado final

Abaixo o resultado final divulgado pelo Partido Republicano com a votação popular de cada candidato e a quantidade de delegados que conquistaram proporcionalmente para a Convenção Nacional em julho. Foram 186.932 eleitores em todo o estado de Iowa, recorde do partido:

1º Ted Cruz
6º Jeb Bush
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
51.666
27,63%
8
5.238
2,80%
1
2º Donald Trump
7º Carly Fiorina
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
45.429
24,30%
7
3.485
1,86%
1
3º Marco Rubio
8º John Kasich
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
43.228
23,12%
7
3.474
1,85%
1
4º Ben Carson
9º Mike Huckabee (desistiu)
Voto Popular
%
Delegados
Voto Popular
%
Delegados
17.394
9,30%
3
3.345
1,78%
1
5º Rand Paul (desistiu)
Voto Popular
%
Delegados
8.481
4,53%
1


Os candidatos Cris Christie com 3.284 votos (1,76%), Rick Santorum com 1.779 (0,95%) e Jim Gilmore com 12 votos (0,01%) não obtiveram votos suficientes para conquistar delegados para a convenção. Rand Paul, Mike Huckabee e Jim Gilmore abandonaram a campanha.

No próximo post será detalhado o resultado do Partido Democrata em Iowa e a expectativa para a próxima prévia terça-feira em New Hampshire.

Fontes: Site Oficial do Partido Republicano e thegreenpapers.com

Daniel Mercer.