domingo, 7 de fevereiro de 2016

O perigo socialista no país mais livre do mundo.



         Hoje lendo um artigo de alguns meses atrás do Rodrigo Constantino, me deparei com uma frase esclarecedora, dita há quase 70 anos pelo líder socialista Norman M. Tomas: “O povo americano nunca vai adotar conscientemente o socialismo, mas sob o nome de ‘liberalismo’, adotará cada fragmento do programa socialista até que um dia a América será uma nação socialista sem saber o que aconteceu”.

E foi utilizando o termo liberalismo (ou "liberalism", em inglês), que os socialistas conseguiram primeiro dominar o Partido Democrata e depois dominar o próprio discurso do país nos últimos anos. Hoje o Partido Democrata tem dois postulantes com discurso socialista para suceder o também socialista Barack Obama: Hilary Clinton e Bernie Sanders, em que o segundo se mostra mais à esquerda que a primeira, e ainda acusa Hilary e Obama de defenderem as grandes corporações. Não existe comunista satisfeito, eles sempre querem mais.

O grande problema é que Sanders começa a ganhar terreno na indicação dos Democratas e promete ampliar muito a prática socialista de Obama. Propostas como aumento de impostos, perseguição às grandes multinacionais americanas e a criação e o aumento de práticas assistencialistas por parte do governo, irão aproximar a maior potência do mundo do fracasso comunista do século XX e da própria América Latina. O “Obamacare” foi apenas o começo, Sanders quer universidades estatais americanas, estatização dos presídios federais e bastante controle no sistema financeiro, ou seja, para ele quanto mais Estado melhor. Uma ameaça não só à economia americana, mas a milhões de empregos existentes nos mais diferentes países, vindos das multinacionais americanas que terão seus negócios bastante dificultados.

O que me deixa um pouco mais tranquilo é que existem dois grandes entraves para Bernie na corrida à Casa Branca: em primeiro lugar, e mais importante, é que ele não tem história alguma no Partido Democrata. Foi um político independente durante toda a vida e apenas se filiou ao partido no ano passado, unicamente para concorrer à eleição com maiores chances do que se tentasse uma candidatura independente - como fez quando venceu a eleição para o Senado pelo Estado de Vermont. E isso o deixa muito fraco dentre os grandes políticos democratas, que não veem nele convicção para defender o partido. Deste modo, a grande favorita se torna Hillary, que tem o apoio de praticamente todo o partido, incluindo Senadores, Governadores, membros representantes da câmara baixa e do próprio Presidente Obama – que não se pronunciou oficialmente, mas colocou todo o staff político na campanha dela, o que torna quase impossível uma indicação de Sanders para a eleição geral, mas preocupa para futuras disputas.

        Todos sabem que os socialistas criam um discurso por anos ou décadas, até conseguir os objetivos de poder total e irrestrito e, só então, passam a perseguir seus adversários políticos. Inclusive conseguem dominar todo o discurso da esquerda, destruindo politicamente qualquer outro oponente que participa de ideologia parecida, mas que seja considerado moderado. Temos um grande e triste exemplo em casa e Sanders pode ser apenas o político que plantou a grande semente populista no Partido Democrata. É impressionante a quantidade de jovens em sua campanha, muito parecida à época das "Diretas Já" no Brasil e no Impeachment do Presidente Collor, em que uma grande massa de estudantes e jovens se entregavam ao discurso da esquerda, o que torna um fenômeno com previsão ruim para as futuras eleições, mas não necessariamente para a atual.

Em segundo lugar, os candidatos conservadores do Partido Republicano já perceberam a ameaça crescente ao futuro do país e já começaram a debater assuntos realmente importantes, ao invés de ficarem apenas focados no midiático Donald Trump - centro dos ataques em debates anteriores. No debate de ontem, na rede ABC News, tanto Marco Rubio quanto Ted Cruz, Ben Carson, Jeb Bush e o próprio Trump – só para citar os que ainda tem alguma chance – debateram muitos assuntos que contrapõem totalmente o discurso com o de Bernie: o liberalismo econômico clássico, combate ao Estado Islâmico, o perigo nuclear na Coréia do Norte e no Irã, imigração, segurança pública, sistema de saúde e até questões econômicas com a China. Todos assuntos importantes que batem de frente com o discurso socialista de Sanders (para se ter ideia ele defendeu, há alguns dias, diplomacia na questão do Estado Islâmico, deixando para os países vizinhos a tarefa da resolução do problema, enquanto os terroristas ameaçam a paz no mundo e degolam civis ocidentais, incluindo americanos).

Hoje, somente um candidato Republicano pode salvar os EUA do mal que dominou a URSS no século XX e boa parte do mundo, incluindo alguns países do nosso continente, diminuindo sua liberdade (tanto econômica quanto social). E é evidente que sendo a liberdade americana ameaçada, o mundo inteiro se torna menos livre. Que "Deus abençoe a América"¹ e tenha piedade de todos nós.


¹Menção ao hino "God Bless America" de Irving Berlin, e usualmente citado em diversos discursos de vários presidentes americanos.

Artigo do Rodrigo Constantino citado no início do texto:
http://rodrigoconstantino.com/resenhas/de-jkf-a-obama-a-radicalizacao-da-esquerda-americana/

PS: Este artigo foi escrito originalmente no dia 14 de janeiro, cerca de duas semanas antes do início das prévias americanas – e quando o Democrata Bernie Sanders se tornava uma ameaça apenas para sua principal oponente.

Daniel Mercer.


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