sábado, 20 de fevereiro de 2016

Eleições primárias na Carolina do Sul – Partido Republicano


A Carolina do Sul é um estado localizado na região sudeste dos Estados Unidos. Faz fronteiras com a Carolina do Norte, ao norte, com o Oceano Atlântico ao Sudeste e com a Geórgia ao Sudoeste. É pequeno, apenas o 40º maior estado do país, mas tem uma grande densidade populacional com mais de 4,5 milhões de habitantes, o 24º maior estado no ranking populacional (Censo, 2010). Sua economia é principalmente voltada à indústria têxtil e de tabaco, sendo um dos líderes nacionais nos dois setores e de onde vem a maior fonte da renda do estado. Sua população é majoritariamente branca não-hispânica (64,1%), mas também tem um grande número de negros (27,9%); a religião protestante é preponderante, respondendo por 84% do total.

Em termos históricos, a Carolina do Sul foi um dos 13 estados federados após a Independência dos Estados Unidos, tendo sido o oitavo a conseguir a sua independência. Foi o primeiro país a seceder após a eleição de Abraham Lincoln, se tornando um dos estados membros dos Estados Confederados da América. Também foi na Carolina do Sul que se iniciou a guerra civil americana em 12 de abril de 1861.

Em relação ao recente histórico político, tanto os dois senadores do estado quanto a governadora são do Partido Republicano. Nas eleições presidenciais, os candidatos republicanos vencem desde 1980, sendo Jimmy Carter, em 1976, o último democrata a vencer. Seus moradores tem profunda admiração por Ronald Reagan e George W. Bush; o estado passa a contar com nove delegados na eleição de 8 de novembro – até a última eleição eram oito delegados.

Partido Republicano

Hoje acontecem as primárias do Partido Republicano na Carolina do Sul, sendo que a do Partido Democrata acontece apenas na semana que vem em 27 de fevereiro. Com regras muito simples, esta prévia dará ao vencedor uma vantagem grande na corrida, pois todos os delegados são distribuídos a quem receber mais votos, tanto nos distritos, quanto na votação geral do estado. O partido distribui seus 50 delegados no sistema “leva tudo quem vence”. São sete distritos, com três delegados cada, em que o candidato vencedor fica com os três, e outros 29 delegados ficam para o vencedor geral no estado.

O empresário Donald Trump chega com grande vantagem e não há nenhuma evidência de que não vencerá hoje na contagem geral e na maioria dos distritos – senão em todos, a não ser que os apoios recebidos por Rubio tenham grande efeito. Pode sair da primária de hoje com 50 delegados a mais, contra nenhum dos outros candidatos. Seria uma vitória acachapante e parece que será isso que irá acontecer. Depois de uma grande vitória em New Hampshire, se manteve firme na frente nas pesquisas em muitos Estados, incluindo na prévia de hoje.

Os três grandes cabos eleitorais do estado, a governadora Nikki Haley e os senadores Lindsey Graham e Tim Scott, todos republicanos, já definiram seus apoios: Haley e Scott estão apoiando Marco Rubio e Graham está apoiando Jeb Bush. Estas definições estão fazendo estes candidatos subirem um pouco nas pesquisas, mas não chegam a incomodar o líder e grande favorito Trump - a exceção de algumas poucas pesquisas de ontem, que indicam grande subida de Rubio.

Os favoritos

Como dito anteriormente, Trump está com grande vantagem nas pesquisas e deve vencer sem grandes dificuldades, como foi em New Hampshire, apesar de não ter apoio de quase nenhum nome de relevância dentro do partido. O segundo lugar está bem disputado e deve ser definido voto a voto entre Marco Rubio e Ted Cruz. Tenho a impressão que Rubio volta a brigar forte depois de ter sido esmagado no debate anterior às prévias de New Hampshire, passando a responder mais incisivamente às perguntas no debate de sábado passado para demonstrar maturidade (em New Hampshire Rubio foi indagado pelos jornalistas sobre sua falta de maturidade para ser Presidente da República e, por tabela, foi fortemente atacado pelos candidatos, perdendo milhares de votos na primária). O apoio de dois grandes nomes do partido no estado dá à Rubio uma grande vantagem sobre Cruz e algumas pesquisas o colocaram ontem em posição de empate técnico com Trump, apesar de outras pesquisas ainda darem a Trump grande vantagem.

Jeb Bush, após bom resultado na última primária, ganhou um pouco de fôlego, mas continua patinando na campanha. Seu irmão e ex-presidente George W. Bush está mais presente, mas não consegue transferir grande parte de sua popularidade. Se Bush não conseguir ao menos o terceiro lugar na Carolina do Sul, deve começar a desistir da corrida, ainda que a mantenha até a Super Terça do dia 1º de março, que será decisivo para ver quem continua com chances e quem sai da disputa. O mesmo acontece com John Kasich, que praticamente não tem mais chances e com Ben Carson, que insiste em continuar concorrendo mesmo já estando, na prática, fora da disputa.

Como venho escrevendo há algumas semanas, o representante do Partido Republicano para as eleições gerais sairá da disputa entre Donald Trump, Ted Cruz e Marco Rubio, ficando em dúvida apenas quem os demais candidatos irão apoiar e se Cruz e Rubio se unirão para derrotar Trump. As coisas começam a ficar claras e as definições devem ocorrer nas próximas semanas.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 15 e 19 de fevereiro):
  • Donald Trump – 31,8%;
  • Marco Rubio – 18,8%;
  • Ted Cruz – 18,5%;
  • Jeb Bush – 10,7%;
  • John Kasich – 9%;
  • Ben Carson – 6,8%;

Este resultado pode não se confirmar na eleição de hoje, pois é uma média de pesquisas desde o dia 15. Porém, com o apoio da governadora do estado e de um dos senadores, Rubio tem crescido bastante e já aparece em empate técnico com Trump em alguns levantamentos, apesar de estar bem atrás em outros. É uma dúvida que só será tirada na abertura das urnas, após às 23h de hoje (pelo horário de Brasília, 20h no horário local). Aposto em vitória de Trump, com Rubio terminando em segundo e Cruz em terceiro.

Daniel Mercer.

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