sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... “Até o Último Homem”.

Uma história real com um roteiro bem escrito é sempre um prato cheio para o cinema. Sou suspeito para comentar filmes de guerra, já que sou fã do gênero, ainda mais quando a qualidade e o realismo dos combates beiram à perfeição, como em “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge, no título original), filme que marca a volta, em grande estilo, de Mel Gibson como diretor. E logo com uma indicação ao Oscar.

O longa conta a história do combatente de guerra e cristão, adventista de sétimo dia, Desmond Doss (Andrew Garfield) que, por questões pessoais e religiosas, decide não pegar em armas, nem durante o seu treinamento de guerra, nem em uma das batalhas mais importantes e sangrentas da 2ª Grande Guerra: a batalha de Okinawa, no Japão, mais especificamente na Serra de Hacksaw, que matou mais de 6 mil aliados e 18 mil japoneses. Dentro das forças armadas, Doss foi o primeiro opositor consciente – que nos dias atuais, é uma alcunha dada a pessoas que reivindicam o direito de se recusar a prestar os serviços militares por questões ideológicas ou religiosas. No caso em questão, há 70 anos, Desmond Doss decidiu participar da guerra como médico, mas se recusava a pegar em armas para matar os inimigos na batalha. Foi o primeiro opositor consciente a receber a Medalha de Honra do Congresso americano.

Apesar de, em boa parte do filme, a gente tender a ser contra aquela decisão de Doss e a criticá-lo, achando radical e sem sentido numa guerra alguém se recusar a se defender e a defender seus companheiros, durante o filme, e diante do que ele faz, acabamos respeitando e entendendo sua decisão. A questão mais importante é que ele salvou sozinho mais de 75 soldados, uma quantidade impressionante de homens feridos que foram deixados para trás por seus companheiros. A frase: ”por favor Deus, me ajude a salvar mais um" e repetida por dezenas de vezes, é forte e emociona. É uma história real de um grande herói de guerra, responsável por dar apoio médico a uma das mais importantes operações da segunda guerra para os aliados. Sempre que a história da Segunda Guerra é contada vale a pergunta:  o que teria sido do mundo se estes heróis tivessem falhado e os nazistas e seus aliados tivessem triunfado? Por isto, talvez, as reverências nunca são exageradas.

“Até o Último Homem” concorre no Oscar 2017 em seis categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (Mel Gibson) e Melhor Ator (Andrew Garfield). Mas é na parte técnica que o filme tem mais chance, principalmente na categoria de Edição de Som, em que é apontado como favorito. Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som são as demais categorias em que o longa concorre. Se vencer, será apenas em Edição de Som, em que tem “La La Land” (sempre ele) como grande concorrente.

No Oscar 2017:

Grandes chances: Melhor Edição de Som;
Boas chances: Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Mel Gibson), Melhor Ator (Andrew Garfield) e Melhor Edição.

Daniel Mercer.

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