“Moonlight:
Sob a Luz do Luar” é uma junção de drama juvenil, mostrando desde o tráfico de
drogas em comunidade pobre, com a mãe do protagonista dependente química, violência
doméstica, bullying escolar quando ainda criança e romance gay adolescente.
Tudo junto e misturado, mas na medida, com bom senso e sem exageros.
Chiron
é uma criança pobre, que sofre bastante durante sua infância com a mãe Paula
(Naomi Harris) usuária de drogas. Conhece o traficante Juan (Mahershala
Ali) que o ajuda em alguns momentos de sua vida, principalmente quando não
tinha onde passar a noite ou quando sua mãe o expulsava de casa. Juan e sua
mulher Teresa (Janelle Monáe) tratam Chiron como sendo da família, se tornando
sempre um porto seguro para o personagem principal em momentos de dificuldade.
Mesmo depois da morte de Juan, que não é retratado no filme, apenas citado,
Teresa continua recebendo Chiron em sua casa, tendo um quarto sempre à sua
disposição. A história possui três fases distintas, em que Chiron é
interpretado por atores diferentes: infância (Alex Hibbert), adolescência
(Ashton Sanders) e fase adulta (Trevante Rhodes), este já como “Black”,
conhecido e respeitado traficante local.
Particularmente,
eu acho os filmes de Hollywood que tratam o tema da homossexualidade, no geral,
bastante exagerados e caricatos. Um exemplo disso é o já clássico “O Segredo de
Brokeback Mountain” (2005), que na época quis mais polemizar do que realmente
mostrar as relações homoafetivas de forma real, já que apelou para cenas
bastante fortes – e que só se vê em filmes pornôs, quando heterossexuais – numa
época em que o tema ainda era pouco abordado. A proibição em diversos países
árabes, do Caribe e em redes de cinema nos Estados Unidos ajudou na divulgação
do filme e na estridência de ativistas, mas não muito em tentar diminuir o
preconceito que ainda existe, mas que tem diminuído com o tempo. Já em “Clube
de Compras Dallas” (2013), a homossexualidade é apenas mostrada de forma
secundária, já que o foco principal é o combate à AIDS, devido aos primeiros
grupos de risco da doença e de toda a discriminação sofrida pelos gays à época,
e acabou tendo uma recepção crítica bem melhor. “Moonlight: Sob a Luz do Luar”
está neste segundo grupo, não tendo o tema como central, sem a intenção de
polemizar o assunto, mas o abordando de forma natural e singela, sem exageros
ou caricaturas e mostrando as coisas como elas ocorrem na vida real.
O
longa é baseado na obra do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, “In Moonlight
Black Boys Look Blue”, em projeto apresentado na instituição “Yale School of
Drama”, ligada à Universidade Yale e que o próprio McCraney preside. Nasceu
como uma peça teatral e foi adaptada para o cinema pelo diretor e roteirista Barry
Jenkins, que concorre ao Oscar nas categorias Melhor Roteiro Adaptado e Melhor
Diretor, merecidamente. Por sua vez, acho bem exagerado o favoritismo de Mahershala
Ali ao Oscar de melhor ator coadjuvante – venceu o Critics Choice e o prêmio do
Sindicato dos Atores, mas não tem grandes concorrentes na categoria – talvez Dev
Patel, por “Lion: Uma jornada para casa” ou Aaron Taylor Johnson, por "Animais
noturnos", vencedor do Globo de Ouro. Não consegui identificar no filme
uma atuação incontestável ou cenas que possam justificar tal favoritismo, a não
ser, de fato, falta de concorrência.
Além
das categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante e
Melhor Roteiro Adaptado, o longa concorre em quatro outras categorias: Melhor
Atriz Coadjuvante (Naomi Harris), Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor
Trilha Sonora. Tirando o favoritismo de Mahershala Ali e boas chances com o
roteiro, não deve disputar com força nenhuma outra estatueta. Mas, por ter
vencido o Globo de Ouro de Melhor Filme no gênero drama, e por ter grande apelo
racial, o filme pode até surpreender na premiação. Como esquecer a campanha
#OscarSoWhite do ano passado? A Academia este ano está com uma tendência a
fazer um “mea culpa” e parece estar motivada a entrar no mundo do “politicamente
correto”. Vamos esperar para ver o que acontece. Não é, nem de longe, o meu
predileto. Mas não há dúvidas que tem suas qualidades e merece estar entre os
indicados.
No
Oscar 2017:
Grandes
chances: Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e Melhor Roteiro Adaptado (Barry
Jenkins);
Boas
chances: Melhor Filme;
Outras categorias: Melhor
Diretor (Barry Jenkins), Melhor Atriz Coadjuvante (Naomi Harris), Melhor
Fotografia, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora.Daniel Mercer.

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