segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... "A Chegada".

O que aconteceria se seres extraterrestres chegassem à Terra de repente, sem nenhum contato anterior e sem que ninguém soubesse da sua existência? E se, ao invés de apenas uma nave, pousassem na Terra doze, cada uma numa região do planeta e houvesse a necessidade da ajuda mútua dentre as nações para decifrar o estranho idioma dos seres recém-chegados e qual as reais intenções deles? Aí parece que a coisa complica bastante. Enquanto as grandes histórias de ficção científica extraterrestre precisavam apenas dos EUA para serem solucionadas e salvar a humanidade, parece que as coisas eram bem mais simples.

É em torno desta grande confusão política mundial que está inserido "A Chegada", longa que concorre em oito categorias no Oscar 2017, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (Dennis Villeneuve) e Melhor Roteiro Adaptado (Eric Heisserer), mas que curiosamente para um filme de ficção, não concorre ao Oscar de efeitos especiais. Este talvez seja o ponto que o filme deixa a desejar: talvez fosse melhor produzido, utilizando mais recursos, com mais tempo de preparação e mais efeitos especiais, é possível que tivesse se tornado grandioso. O longa peca em diversos pontos que poderiam ter sido mais bem explorados. O baixo custo de produção (U$ 47 milhões de dólares, contra um orçamento de U$ 165 milhões de dólares de “Independence Day: O Ressurgimento” e “Interestelar”, por exemplo) o limitou bastante, apresentando temas que foram melhor explicados em outros filmes. Um grande exemplo disso, foi não ter conseguido apresentar em imagens a relatividade temporal tão bem mostrada há dois anos em "Interestellar", este sim um grande clássico da ficção científica.

“A Chegada” tem muita conversa para pouca cena e o roteiro acaba girando em torno da história da protagonista Louise (Amy Adams), uma famosa linguista, chamada para tentar se comunicar com as criaturas. Louise passa grande parte do filme sofrendo com memórias sobre sua filha e seu casamento mal sucedido, memórias estas que dão forma à relatividade temporal do enredo, mas que acaba sendo muito mal trabalhado. Outro tema central, este um pouco melhor explorado, diz respeito ao estranho idioma dos extraterrestres, com símbolos cheios de detalhes e diferentes de tudo que nós conhecemos.

O roteiro é até bom, mas precisaria ter detalhado melhor pontos centrais da trama para dar vida a um grande filme. É legal, vale a pena pela qualidade artística – em especial Fotografia, Edição e Direção de Arte – mas não acrescenta em nada ao gênero sci-fi e não tem grandes atuações que possam fazer dele um bom drama. Não tem muitas chances aos prêmios que disputa no Oscar 2017 e sequer tem sido lembrado nas principais premiações, apenas tendo concorrido ao Globo de Ouro, nas categorias Melhor Atriz em Drama (Amy Adams) e Melhor Trilha Sonora, perdendo ambos, e ao próprio Oscar, em exageradas oito categorias.

No Oscar 2017:

Poucas chances: Melhor Direção de Arte, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem.
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Dennis Villeneuve) e Melhor Roteiro Adaptado (Eric Heisserer).


Daniel Mercer.

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