segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... "La La Land - Cantando Estações".

Assim como aconteceu nos últimos anos, dou início à maratona da corrida ao Oscar 2017 com análises dos principais filmes concorrentes. Quais as principais chances de cada um? Quais os melhores filmes? O que cada um tem de tão especial que mereça ser premiado? Quais as maiores curiosidades? Este ano, mais uma vez, a Academia misturou vários gêneros na categoria principal, o que deve contemplar os gostos pessoais de grande parte dos amantes do cinema. Porém, quanto mais diversificada é a premiação, mais imprevisível ela se torna. Também é comum, nestes casos, que os votos fiquem bem divididos dentre os concorrentes e não vença necessariamente o melhor, e sim aquele que não tem grandes rivais em um determinado gênero. Neste contexto, “La La Land - Cantando Estações” sai na frente, pois é o único musical concorrente e também não há comédias românticas disputando a categoria principal. Por sua vez, são muitos os dramas, que dividirão votos, deixando o musical com ainda mais chances.

La La Land – Cantando Estações.

E o primeiro texto da corrida é justamente dedicado a “La La Land – Cantando Estações”. O longa conta a história da jovem aspirante à atriz Mia (Emma Stone), que se mudou para Hollywood buscando seu grande sonho, mas que fracassa por seis anos em sucessivos testes, sem conseguir seu objetivo. Durante esta jornada, ela conhece o tecladista Sebastian (Ryan Gosling), que também tem um sonho: abrir sua própria casa noturna para que o Jazz clássico não morra. Numa união de fracassos profissionais em série de ambos, nasce um grande amor, retratado no filme de forma simples, mas bastante intensa.

Escrito e dirigido por Damien Chazelle, o diretor repete o sucesso de seu filme anterior “Whiplash – Em busca da perfeição” (2014), na qual também foi roteirista e diretor, concorrendo a cinco estatuetas – incluindo Melhor Roteiro Adaptado, para o próprio Chazelle, e Melhor Filme. Não venceu nas suas duas indicações pessoais, mas fez seu nome ficar conhecido e abriu importantes portas para La La Land, roteiro que idealizou em 2010, mas que não havia encontrado estúdios interessados em dar vida ao musical. A direção de Chazelle no filme é impecável, com várias cenas longas, dinâmicas e sem cortes – fórmula que ficou famosa em “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” -, e um casamento quase perfeito com o Diretor de Arte David Wasco – Pulp Fiction (1994); Kill Bill (2003) e Bastardos Inglórios (2009) - que utilizou figurinos e cenários com cores vibrantes, muita coreografia e bastante jogo de luz. A cena de abertura, com 30 dançarinos, 60 carros e mais de 100 figurantes, mostra a complexidade com que o filme foi produzido. Além disso, algumas cenas se transformam completamente apenas com a mudança de luz, em tomadas sem cortes, o que parece simples, mas causa grande impacto na parte artística do filme. É o grande favorito a diversos prêmios técnicos, como Edição, Design de Produção, Trilha Sonora, Fotografia e Canção Original - na qual concorre com duas músicas.

Ao todo, La La Land concorre em 14 categorias no Oscar 2017 – recorde histórico, igualando “Titanic” (1999), que venceu 11 prêmios, e “A Malvada” (All About Eve, 1950), vencedor em seis categorias. Também quebrou um recorde histórico no Globo de Ouro: foi premiado em todas as sete categorias em que concorreu, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz (Emma Stone) e Melhor Ator (Ryan Gosling), todos no gênero Comédia ou Musical. Também venceu os prêmios de Melhor Direção e Roteiro (Damien Chazelle) e tem se destacado nas premiações pré-Oscar, já tendo vencido o PGA (Sindicato dos Produtores) na categoria Melhor Produção de Longa Metragem; o SAG (Sindicato dos Atores) na categoria Melhor Atriz (Emma Stone) e DGA (Sindicato dos Diretores) na categoria Melhor Diretor (Damien Chazelle).

Por vários motivos, “La La Land: Cantando Estações” é um filme obrigatório para quem gosta do cinema clássico, mesmo para quem não gosta muito de musicais. O final não é dos mais “clichês” – e deixou muita gente decepcionada –, mas vale pelo conjunto da obra.

Para finalizar uma curiosidade: o nome do filme “La La Land” tem um duplo significado: remete à Los Angeles, onde fica Hollywood, já que o termo é usado como apelido para a cidade; também é uma expressão utilizada no sentido do nosso tão conhecido “mundo da lua”, para descrever uma pessoa que está desatenta, não está prestando atenção ou pensando em outras coisas. Seria como perguntar: “Where you are? In La-La Land?”. Com certeza, não há uma definição melhor para pessoas que estão apaixonadas, pois constantemente parecem estar vivendo em “La La Land”. Não é verdade?

No Oscar 2017:

Barbada: Melhor Edição, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original;
Grandes chances: Melhor Filme, Melhor Diretor (Damien Chazelle), Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Roteiro Original (Damien Chazelle), Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor Ator (Ryan Gosling) e Melhor Figurino.

Daniel Mercer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário