“Manchester
À Beira-Mar” é um filme forte, dramático, com uma história triste, cativante e
muito emocionante. Conta a história de Lee (Casey Affleck, irmão mais
novo de Ben Affleck), que morava com sua família na pequena cidade de
Manchester-by-the-sea (ou simplesmente Manchester, com pouco mais de 5 mil
habitantes), no estado de Massachussets, até cometer um grave erro que mudou
para sempre a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor. Após a tragédia, Lee,
que se mostrava uma pessoa pacata, porém brincalhona, sociável, com vários
amigos e amoroso com a família, se tornou antissocial, sem amigos e bastante
distante do que restou da sua família e amigos. Em pelo menos dois momentos do
filme ele se mostra autodestrutivo, buscando brigas em bares, aparentemente
para sair um pouco do estado mórbido em que passa a maior parte do seu tempo.
Sistemático,
fala o tempo todo em logística, em como organizar e resolver as situações de
maneira mais prática possível, sem se preocupar muito com as emoções. Com a morte
de seu irmão Joe (Kyle Chandler), se vê obrigado a cuidar do seu sobrinho
Patrick (Lucas Hedges), já que se torna seu tutor. Seu irmão havia planejado
tudo: gastos para mudança de Boston para Manchester, custeio mensal para o
período de adaptação, gastos menores do dia a dia com o seu filho, dinheiro
para a faculdade, dentre outros. Só não discutiu previamente com o irmão que
ele ficaria no seu lugar após sua morte. O roteiro se desenrola em torno desta
relação tio-sobrinho, enquanto a história pregressa de Lee se passa em
flashbacks bem chocantes, no que o filme mostra sua grande virtude: consegue
extrair o melhor do drama familiar sofrido pelo protagonista, sem exagerar na
dose. Ponto para o diretor Kenneth Lonergan, também roteirista, que, não por acaso,
concorre ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original com muito mérito.
As falas curtas dos personagens, muitos momentos de silêncio e a riquíssima
linguagem corporal, são a tônica do longa, que não se preocupa em mostrar
estereótipos, histórias de superação ou um final feliz. É um filme que tenta,
com sucesso, mostrar uma história mais próxima da vida real possível, com
personagens de carne e osso e sem apelar para o lado emocional. É, sem dúvida,
um dos melhores filmes do ano, que pode premiar Casey Affleck com o Oscar de
Melhor Ator.
“Manchester
À Beira-Mar” é mais um filme com baixo custo que concorre na categoria de
Melhor Filme (apenas 8,5 milhões de dólares, custo comparável com alguns filmes
brasileiros). Concorre ao Oscar em seis categorias: além de Melhor Filme,
Diretor e Ator, com Casey, concorre à Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges),
Melhor Atriz Coadjuvante (Michele Williams, no papel da ex-mulher de Lee) e
Melhor Roteiro Original (Keneth Lonergan). Tem grandes chances apenas com Casey
Affleck, que tem Denzel Washington como maior concorrente – venceu quase todas
as premiações de Melhor Ator, mas perdeu o SAG (premiação do Sindicato do
Atores, maior termômetro do Oscar), e pode chegar enfraquecido no dia da
premiação.
No
Oscar 2017:
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Keneth Lonergan), Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Melhor Atriz Coadjuvante (Michele Williams) e Melhor Roteiro Original (Keneth Lonergan).

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