terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... "Manchester À Beira-Mar".

“Manchester À Beira-Mar” é um filme forte, dramático, com uma história triste, cativante e muito emocionante. Conta a história de Lee (Casey Affleck, irmão mais novo de Ben Affleck), que morava com sua família na pequena cidade de Manchester-by-the-sea (ou simplesmente Manchester, com pouco mais de 5 mil habitantes), no estado de Massachussets, até cometer um grave erro que mudou para sempre a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor. Após a tragédia, Lee, que se mostrava uma pessoa pacata, porém brincalhona, sociável, com vários amigos e amoroso com a família, se tornou antissocial, sem amigos e bastante distante do que restou da sua família e amigos. Em pelo menos dois momentos do filme ele se mostra autodestrutivo, buscando brigas em bares, aparentemente para sair um pouco do estado mórbido em que passa a maior parte do seu tempo.

Sistemático, fala o tempo todo em logística, em como organizar e resolver as situações de maneira mais prática possível, sem se preocupar muito com as emoções. Com a morte de seu irmão Joe (Kyle Chandler), se vê obrigado a cuidar do seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges), já que se torna seu tutor. Seu irmão havia planejado tudo: gastos para mudança de Boston para Manchester, custeio mensal para o período de adaptação, gastos menores do dia a dia com o seu filho, dinheiro para a faculdade, dentre outros. Só não discutiu previamente com o irmão que ele ficaria no seu lugar após sua morte. O roteiro se desenrola em torno desta relação tio-sobrinho, enquanto a história pregressa de Lee se passa em flashbacks bem chocantes, no que o filme mostra sua grande virtude: consegue extrair o melhor do drama familiar sofrido pelo protagonista, sem exagerar na dose. Ponto para o diretor Kenneth Lonergan, também roteirista, que, não por acaso, concorre ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original com muito mérito. As falas curtas dos personagens, muitos momentos de silêncio e a riquíssima linguagem corporal, são a tônica do longa, que não se preocupa em mostrar estereótipos, histórias de superação ou um final feliz. É um filme que tenta, com sucesso, mostrar uma história mais próxima da vida real possível, com personagens de carne e osso e sem apelar para o lado emocional. É, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano, que pode premiar Casey Affleck com o Oscar de Melhor Ator.

“Manchester À Beira-Mar” é mais um filme com baixo custo que concorre na categoria de Melhor Filme (apenas 8,5 milhões de dólares, custo comparável com alguns filmes brasileiros). Concorre ao Oscar em seis categorias: além de Melhor Filme, Diretor e Ator, com Casey, concorre à Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Melhor Atriz Coadjuvante (Michele Williams, no papel da ex-mulher de Lee) e Melhor Roteiro Original (Keneth Lonergan). Tem grandes chances apenas com Casey Affleck, que tem Denzel Washington como maior concorrente – venceu quase todas as premiações de Melhor Ator, mas perdeu o SAG (premiação do Sindicato do Atores, maior termômetro do Oscar), e pode chegar enfraquecido no dia da premiação.

No Oscar 2017:

Grandes chances: Melhor Ator (Casey Affleck);
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Keneth Lonergan), Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Melhor Atriz Coadjuvante (Michele Williams) e Melhor Roteiro Original (Keneth Lonergan).

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