sábado, 27 de fevereiro de 2016

Prévias na Carolina do Sul - Partido Democrata


A Carolina do Sul é um estado localizado na região sudeste dos Estados Unidos. Faz fronteiras com a Carolina do Norte, ao norte, com o Oceano Atlântico ao Sudeste e com a Geórgia ao Sudoeste. É pequeno, apenas o 40º maior estado do país, mas tem uma grande densidade populacional com mais de 4,5 milhões de habitantes, o 24º maior estado no ranking populacional (Censo, 2010). Sua economia é principalmente voltada à indústria têxtil e de tabaco, sendo um dos líderes nacionais nos dois setores e de onde vem a maior fonte da renda do estado. Sua população é majoritariamente branca não-hispânica (64,1%), mas também tem um grande número de negros (27,9%); a religião protestante é preponderante, respondendo por 84% do total.

Em termos históricos, a Carolina do Sul foi um dos 13 estados federados após a Independência dos Estados Unidos, tendo sido o oitavo a conseguir a sua independência. Foi o primeiro país a seceder após a eleição de Abraham Lincoln, se tornando um dos estados membros dos Estados Confederados da América. Também foi na Carolina do Sul que se iniciou a guerra civil americana em 12 de abril de 1861.

Em relação ao recente histórico político, tanto os dois senadores do estado quanto a governadora são do Partido Republicano. Nas eleições presidenciais, os candidatos republicanos vencem desde 1980, sendo Jimmy Carter, em 1976, o último democrata a vencer. Seus moradores tem profunda admiração por Ronald Reagan e George W. Bush; o estado passa a contar com nove delegados na eleição de 8 de novembro – até a última eleição eram oito delegados.

Partido Democrata

Hoje acontece a última prévia democrata antes da Super Terça do próximo dia 1º de março. O favoritismo de Hillary é muito grande neste momento da campanha, tanto na prévia de hoje na Carolina do Sul quanto na próxima terça. Aparentemente a “onda Sanders” não chegou em muito lugares dos Estados Unidos e sua campanha perdeu um pouco de força.

Este momento é essencial para a escolha dos candidatos que disputarão a eleição presidencial em novembro, tanto no Partido Republicano quanto no Partido Democrata, e no momento existe uma tendência de vitória dos favoritos Hillary Clinton e Donald Trump.

Média das Pesquisas Eleitorais (entre 10 e 25 de fevereiro):
  • Hillary Clinton – 58,2%;
  • Bernie Sanders – 30,7%;

Nas últimas semanas Sanders cresceu bastante no estado, partindo de uma diferença de mais de 50% em dezembro para cerca de 28% nos últimos dias, mas insuficiente para uma aproximação mais rápida. Hillary passou a atacar bastante as promessas de Sanders como impraticáveis e parece ter tido sucesso, pelo menos em estancar sua queda em outros estados e manter parte da vantagem que tinha em grande parte do país.

O sistema de disputa na Carolina do Sul entre os democratas é proporcional, diferentemente dos republicanos em que todos os delegados vão para o vencedor. No Partido Democrata são 53 “delegados comprometidos” em disputa, em que 35 são distribuídos proporcionalmente em cada um dos sete distritos do estado e outros 18 são distribuídos, também proporcionalmente, de acordo com a votação geral. Dos seis delegados inicialmente “não comprometidos”, quatro já se decidiram por Clinton, independente do resultado da primária de hoje, enquanto que outros dois continuam sem se posicionar.

Daniel Mercer.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

And the Oscar goes to... Atores Favoritos (parte 1)


É inegável o favoritismo dos atores Leonardo Di Caprio e Brie Larson como melhor ator e atriz, respectivamente. Foram muitos os prêmios ganhos por ambos, o que os colocam como dois dos vencedores mais óbvios de domingo.

Melhor Ator

Aqui a única disputa possível é entre Leonardo DiCaprio e Eddie Redmayne. Leo ganhou o Globo de Ouro, SAG (Sindicato dos atores de Hollywood) e Bafta (o Oscar inglês). Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa) foi indicado para todos os prêmios e não venceu nenhum. De certa forma, a boa interpretação do ator foi um pouco decepcionante pela propaganda feita ano passado antes da estreia do filme; a excelente Alicia Vikander (umas das favoritas em Atriz Coadjuvante) também acabou por ofuscar o brilho de Eddie. Já Leonardo DiCaprio brilhou sozinho em “O Regresso”, que parece ter sido um filme feito por encomenda para seu tão aguardado Oscar. Talvez 18 anos depois do “Titanic”, DiCaprio possa finalmente colocar seu nome entre os maiores atores de todos os tempos, o que já é de fato, mas falta a cereja do bolo, a estatueta do Oscar – que é para poucos. Venceu tudo o que disputou até agora e dou como certa sua vitória. Os demais concorrentes: Matt Damon (Perdido em Marte), Bryan Craston (Trumbo: Lista Negra) e Michael Fassbender (Steve Jobs), apesar de excelentes papéis, não têm chance alguma.

Melhor Atriz

Assim como Leonardo DiCaprio, Brie Larson (O Quarto de Jack) venceu todos os principais prêmios que antecedem ao Oscar: Globo de Ouro, SAG e Bafta. Ninguém apostaria dinheiro em sua derrota e acho muito difícil que perca (não é tão certo quanto o de ator, mas é muito provável). As boas interpretações de Charlotte Rampling por “45 Anos” e de Saoirse Ronan “Brooklyn” acabaram ficando em segundo plano pelas vitórias de Brie Larson nas diferentes premiações que disputou. As duas venceram alguns prêmios considerados menores e localizados em associações de cinema nos grandes centros americanos, mas nada que possa ser comparado à Larson. Podem haver surpresas, mas é a grande favorita disparada. Cate Blanchett (Carol) e Jennifer Lawrense (Joy) já venceram o Oscar e não podem ser descartadas, mas tem pouquíssimas chances de vitória.

Daniel Mercer.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Prévias em Nevada - Partido Republicano


Hoje acontece o caucus no estado de Nevada no Partido Republicano. Após grande vitória de Trump na Carolina do Sul – em que posteriormente escreverei um post detalhando os números –, ele chega ao Caucus de hoje também com grande favoritismo e dificilmente perderá.

Nevada é o sétimo maior estado em território dos Estados Unidos, apesar de ter apenas a 35ª população do país, com 2,7 milhões de habitantes. Foi colonizado pelos espanhóis e passou a integrar o território mexicano até o fim da guerra mexico-americana em 1848, passando a integrar o território dos Estados Unidos a partir de então. Foi elevado à categoria de estado americano em 1864 durante a guerra civil americana.
Sua economia é principalmente voltada ao turismo, em decorrência dos cassinos em Las Vegas, sua maior e mais importante cidade. Outra grande fonte de renda é a extração de prata, ouro, petróleo e areia; sua capital é Carson City, mas tem Las Vegas como principal conglomerado urbano e econômico.

Em relação à política recente, o governador do estado, Brian Sandoval, é republicano e tem se colocado em posição neutra quanto á um apoio formal aos candidatos, mas desmentiu recentemente que apoie Donald Trump, o que pode ser entendido como um “não apoio”. O senador Dean Heller, também republicano, declarou há dois dias apoio a Marco Rubio após desistência do candidato Jeb Bush. O outro senador Harry Reid, democrata, não anunciou apoio a ninguém e aparece ainda na lista de “superdelegados” como “não comprometido”.

Partido Republicano

No último sábado foi realizada a primária da Carolina do Sul pelo Partido Republicano, em que o candidato que recebesse mais votos em cada distrito e no geral no estado receberia todos os votos no sistema “ganhou leva tudo”. Donald Trump confirmou o favoritismo e ganhou com boa vantagem na apuração geral e em quatro dos sete distritos. Nos demais venceu mais apertado, numa boa disputa contra Marco Rubio, mas acabou vencendo em todos, levando os 50 delegados do estado.
Com isso chega fortalecido ao cáucus de hoje, com uma vantagem nas pesquisas da véspera até maior que o resultado na última primária. O fato do governador não estar apoiando ninguém até o momento, também o favorece, já que se comporta como o “anti-establishment” do partido; é o Bernie Sanders dos republicanos.

Com relação às regras da prévia de hoje, a distribuição dos delegados é feita proporcionalmente, diferente da distribuição da Carolina do Sul, em que o vencedor levou tudo. A fórmula de distribuição é: 30 (total de delegados) x total de votos do candidato ÷ total de votos válidos (excluídos os votos dos candidatos que não teve um mínimo de 3,3%).

Média das Pesquisas Eleitorais (entre 10 e 15 de fevereiro):

  • Donald Trump – 42%;
  • Ted Cruz – 20%;
  • Marco Rubio – 19%;
  • John Kasich – 7%;
  • Ben Carson – 6%.

Infelizmente, e pela primeira vez na campanha, não há pesquisa atual sobre a prévia republicana em Nevada. A última pesquisa data do dia 15 de fevereiro, bem antes da prévia da Carolina do Sul, o que pode dar bastante diferença no resultado de hoje. Mas é inegável que Trump tem uma grande vantagem e deve ganhar com facilidade. Calculo que deva levar cerca de 15 delegados, contra sete ou oito, no máximo, do segundo colocado.

Daniel Mercer.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

And the Oscar goes to... "Mad Max: Estrada da Fúria"

Mad Max: Estrada da Fúria

Esta é uma das minhas decepções pessoais do ano. Particularmente esperava mais do filme, talvez por ter crescido vendo as atuações espetaculares de Mel Gibson, com participação de Tina Turner no último filme da trilogia, finalizada em 1985 com “Mad Max: Além da Cúpula do Trovão”. Desenterrar um título 30 anos depois, obviamente sem os atores originais, é arriscado e por vezes pode causar uma sensação de “esperava algo mais grandioso”. O título de um filme diz muito sobre ele e quando se trata de um título consagrado a expectativa se torna grande, o que pode ajudar ou atrapalhar a produção. 
Nesse caso, acredito que tenha atrapalhado.

Não há como negar que se trata de um filme bem trabalhado, com uma dinâmica diferente: foi todo gravado em tom de vermelho, que chama bastante a atenção no quesito artístico, o humor negro e a trilha sonora dão o tom do filme, que tem excelente produção, com efeitos e fotografia inovadores, mas que deixa a desejar na história e na atuação dos personagens principais – se bem que história nunca foi o forte de filmes de ação, o que também pode ser dito sobre a primeira trilogia de “Mad Max”. Mas é claro que comparação com os filmes anteriores da saga atrapalha. O tão aguardado “Mad Max 4” levou mais de uma década para sair do papel, o que impossibilitou Mel Gibson, já velho, de participar da sequência.  Tom Hardy acabou tendo uma atuação razoável, mas não é o Mel Gibson. Talvez se o título do filme fosse outro, sendo apresentado como uma espécie de “herdeiro espiritual de Mad Max”, poderia ter tido mais sucesso entre os fãs da saga original.

Ao que tudo indica, o diretor George Miller preparou uma nova trilogia que se inicia com a “Estrada da Fúria” e até já tem o roteiro de uma sequência preparado, apesar de por vezes dizer que não quer voltar à saga. É um dos filmes do ano, bastante elogiado pela crítica, mas que chega ao Oscar um pouco enfraquecido, principalmente por ter sido lançado há mais de seis meses. Acabou indo para o fim da fila.

Disputa o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor como azarão, mas tem nos prêmios técnicos suas maiores chances de vitória, concorrendo em design de produção, fotografia, figurino, montagem, efeitos visuais, edição de som, mixagem e maquiagem. Deve dominar junto com "O Regresso" todos os prêmios técnicos, tendo maiores chances em uns e menores em outros. Curiosamente, Tom Hardy concorre na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, mas por seu papel em “O Regresso”. Também não tem grandes chances, mas levando-se em consideração que concorreu como melhor ator por "Mad Max: Estrada da Fúria" em outras premiações, não deixa de ser um grande feito para o ator.

No Oscar 2016:
Favorito: Melhor Figurino, Melhor Maquiagem ou Penteado e Melhor Montagem;
Boas chances: Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor Filme e Melhor Diretor (George Miller).


Daniel Mercer.


And the Oscar goes to... "A Grande Aposta"


Durante a semana irei mesclar meus posts das eleições presidenciais americanas com a grande festa do cinema que ocorre no próximo domingo. De hoje até lá irei escrever alguns textos à respeito dos filmes e das chances de cada um, nas principais categorias, na série que estreei no ano passado e intitulei: "And the Oscar goes to...".

A Grande Aposta

“A Grande Aposta” é um dos favoritos ao Oscar de Melhor Filme, ao lado de “Spotlight: Segredos Revelados”, “Mad Max: Estrada da Fúria” e “O Regresso”. É repleto de atores conhecidos, como Cristian Bale (O Bruce Wayne dos últimos três Batman, “O Vencedor” e “Trapaça”), Steve Carell (“Pequena Miss Sunshine” e “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”) e Brad Pitt (dispensa apresentações), que acabaram se encaixando muito bem na trama, interpretando investidores com personalidades bem diferentes, cada um com suas manias e seus fantasmas. O filme é baseado em fatos reais que ocorreram na última grande crise do mercado, iniciada pela bolha imobiliária dos EUA em 2007.

Numa trama em que várias história são contadas sem que haja interação entre os personagens principais, direção, montagem e roteiro chamam a atenção, merecendo as indicações ao Oscar que recebeu nestas categorias. O termo "short" (do título em inglês "The Big Short”) significa um tipo de transação financeira, onde o investidor vende títulos de algo que ele acredita que perderá valor em breve, com a intenção de comprar de volta mais barato. É uma movimentação sempre muito arriscada e não comum, já que vai na contramão do mercado financeiro, quase sempre otimista. No momento atual do Brasil, por exemplo, seria como ter vendido ações da Petrobras quando estava em alta, prevendo a crise e seus sucessivos rebaixamentos de crédito.

Neste sentido, vários analistas apostaram contra o sempre sólido mercado imobiliário americano, que jamais havia entrado em crise, causando desconfiança até mesmo entre os colegas mais próximos e sócios. Esta trama acabou por expor várias práticas ilegais ou não convencionais que ocorriam o tempo todo nos bancos, sem que ninguém se desse conta que a bolha formada poderia acarretar na maior financeira em várias décadas.

Foi um filme aclamado pela crítica especializada, manual para qualquer estudante de áreas administrativas, e que chama bastante a atenção pela qualidade técnica. Concorre sem grandes chances em quase todas as cinco categorias em que foi indicado, mas não deixa de ser um filme completo, que mistura boa atuação, boa direção, um roteiro bem detalhado e excelente boa montagem. Teve azar de ter em seu ano de lançamento outros filmes melhores, caso contrário poderia vencer vários prêmios.

No Oscar 2016:
Azarão: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem.
Outras categorias: Melhor Diretor (Adam McKay) e Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale).

Daniel Mercer.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Prévias em Nevada – Partido Democrata


Hoje também acontece o caucus no estado de Nevada no Partido Democrata, enquanto que no Partido Republicano ele só acontece na próxima terça-feira dia 23 de Fevereiro.

Nevada é o sétimo maior estado em território dos Estados Unidos, apesar de ter apenas a 35ª população do país, com 2,7 milhões de habitantes. Foi colonizado pelos espanhóis e passou a integrar o território mexicano até o fim da guerra mexico-americana em 1848, passando a integrar o território dos Estados Unidos a partir de então. Foi elevado à categoria de estado americano em 1864 durante a guerra civil americana. 

Sua economia é principalmente voltada ao turismo, em decorrência dos cassinos em Las Vegas, sua maior e mais importante cidade. Outra grande fonte de renda é a extração de prata, ouro, petróleo e areia. 

Partido Democrata

No cáucus do Partido Democrata, adivisão dos delegados é proporcional, tanto nos distritos quanto no resultado geral. São 23 delegados divididos em quatro distritos, que serão alocados de acordo com o número de filiados votantes nas assembleias de hoje. Outros 12 delegados serão divididos proporcionalmente de acordo com o resultado geral. Por fim, oito superdelegados votarão na Convenção Nacional em julho, mas sem a obrigação de votarem de acordo com o resultado do caucus de hoje, pois entram como "descompromissados".

Durante grande parte da campanha, Hillary Clinton dominou as pesquisas no estado, porém após a grande derrota em New Hampshire, começou a despencar nas pesquisas e hoje aparece tecnicamente empatada com o Senador Bernie Sanders, mas numericamente ainda à frente. Outra derrota de Hillary pode começar a indicar uma derrocada em sua campanha. Por outro lado, uma pequena derrota pode até ser boa para Sanders, que está ainda no momento de conquistar apoio dentro do próprio partido, majoritariamente mais favorável a Hillary.

Média das Pesquisas Eleitorais (entre 15 e 19 de fevereiro):
  • Hillary Clinton – 48,7%;
  • Bernie Sanders – 46,3%;

No Partido Democrata podem haver grandes surpresas. A candidata Hillary Clinton tinha grande vantagem nas pesquisas até a derrota em New Hampshire. Desde então, o senador Bernie Sanders dizimou a diferença, empatando os números nas pesquisas.  Hoje qualquer um dos dois pode vencer por diferença mínima e a disputa está bem acirrada.

Como dito acima, para Sanders uma pequena derrota já seria um bom resultado. Para quem estava a algumas semanas 30 pontos atrás nas pesquisas, aparecer agora numa situação de empate técnico já é um grande resultado. Já para Hillary uma pequena vitória apenas dá uma sensação de alívio em sua campanha; já uma derrota seria catastrófica.

PS: Este texto foi escrito pela manhã, quando ainda não havia sido iniciado o caucus de Nevada. Porém, agora à noite as TVs americanas projetam uma vitória de Hillary com 52%, contra 48% do senador Sanders, confirmando o resultado da médias das pesquisas dos últimos dias. Nos próximos posts irei detalhar essa vitória de Hillary e a divisão dos delegados que ainda não foi finalizada pela mídia americana. A apuração no momento está em 82%.

Daniel Mercer.


Eleições primárias na Carolina do Sul – Partido Republicano


A Carolina do Sul é um estado localizado na região sudeste dos Estados Unidos. Faz fronteiras com a Carolina do Norte, ao norte, com o Oceano Atlântico ao Sudeste e com a Geórgia ao Sudoeste. É pequeno, apenas o 40º maior estado do país, mas tem uma grande densidade populacional com mais de 4,5 milhões de habitantes, o 24º maior estado no ranking populacional (Censo, 2010). Sua economia é principalmente voltada à indústria têxtil e de tabaco, sendo um dos líderes nacionais nos dois setores e de onde vem a maior fonte da renda do estado. Sua população é majoritariamente branca não-hispânica (64,1%), mas também tem um grande número de negros (27,9%); a religião protestante é preponderante, respondendo por 84% do total.

Em termos históricos, a Carolina do Sul foi um dos 13 estados federados após a Independência dos Estados Unidos, tendo sido o oitavo a conseguir a sua independência. Foi o primeiro país a seceder após a eleição de Abraham Lincoln, se tornando um dos estados membros dos Estados Confederados da América. Também foi na Carolina do Sul que se iniciou a guerra civil americana em 12 de abril de 1861.

Em relação ao recente histórico político, tanto os dois senadores do estado quanto a governadora são do Partido Republicano. Nas eleições presidenciais, os candidatos republicanos vencem desde 1980, sendo Jimmy Carter, em 1976, o último democrata a vencer. Seus moradores tem profunda admiração por Ronald Reagan e George W. Bush; o estado passa a contar com nove delegados na eleição de 8 de novembro – até a última eleição eram oito delegados.

Partido Republicano

Hoje acontecem as primárias do Partido Republicano na Carolina do Sul, sendo que a do Partido Democrata acontece apenas na semana que vem em 27 de fevereiro. Com regras muito simples, esta prévia dará ao vencedor uma vantagem grande na corrida, pois todos os delegados são distribuídos a quem receber mais votos, tanto nos distritos, quanto na votação geral do estado. O partido distribui seus 50 delegados no sistema “leva tudo quem vence”. São sete distritos, com três delegados cada, em que o candidato vencedor fica com os três, e outros 29 delegados ficam para o vencedor geral no estado.

O empresário Donald Trump chega com grande vantagem e não há nenhuma evidência de que não vencerá hoje na contagem geral e na maioria dos distritos – senão em todos, a não ser que os apoios recebidos por Rubio tenham grande efeito. Pode sair da primária de hoje com 50 delegados a mais, contra nenhum dos outros candidatos. Seria uma vitória acachapante e parece que será isso que irá acontecer. Depois de uma grande vitória em New Hampshire, se manteve firme na frente nas pesquisas em muitos Estados, incluindo na prévia de hoje.

Os três grandes cabos eleitorais do estado, a governadora Nikki Haley e os senadores Lindsey Graham e Tim Scott, todos republicanos, já definiram seus apoios: Haley e Scott estão apoiando Marco Rubio e Graham está apoiando Jeb Bush. Estas definições estão fazendo estes candidatos subirem um pouco nas pesquisas, mas não chegam a incomodar o líder e grande favorito Trump - a exceção de algumas poucas pesquisas de ontem, que indicam grande subida de Rubio.

Os favoritos

Como dito anteriormente, Trump está com grande vantagem nas pesquisas e deve vencer sem grandes dificuldades, como foi em New Hampshire, apesar de não ter apoio de quase nenhum nome de relevância dentro do partido. O segundo lugar está bem disputado e deve ser definido voto a voto entre Marco Rubio e Ted Cruz. Tenho a impressão que Rubio volta a brigar forte depois de ter sido esmagado no debate anterior às prévias de New Hampshire, passando a responder mais incisivamente às perguntas no debate de sábado passado para demonstrar maturidade (em New Hampshire Rubio foi indagado pelos jornalistas sobre sua falta de maturidade para ser Presidente da República e, por tabela, foi fortemente atacado pelos candidatos, perdendo milhares de votos na primária). O apoio de dois grandes nomes do partido no estado dá à Rubio uma grande vantagem sobre Cruz e algumas pesquisas o colocaram ontem em posição de empate técnico com Trump, apesar de outras pesquisas ainda darem a Trump grande vantagem.

Jeb Bush, após bom resultado na última primária, ganhou um pouco de fôlego, mas continua patinando na campanha. Seu irmão e ex-presidente George W. Bush está mais presente, mas não consegue transferir grande parte de sua popularidade. Se Bush não conseguir ao menos o terceiro lugar na Carolina do Sul, deve começar a desistir da corrida, ainda que a mantenha até a Super Terça do dia 1º de março, que será decisivo para ver quem continua com chances e quem sai da disputa. O mesmo acontece com John Kasich, que praticamente não tem mais chances e com Ben Carson, que insiste em continuar concorrendo mesmo já estando, na prática, fora da disputa.

Como venho escrevendo há algumas semanas, o representante do Partido Republicano para as eleições gerais sairá da disputa entre Donald Trump, Ted Cruz e Marco Rubio, ficando em dúvida apenas quem os demais candidatos irão apoiar e se Cruz e Rubio se unirão para derrotar Trump. As coisas começam a ficar claras e as definições devem ocorrer nas próximas semanas.

Média das Pesquisas Eleitorais para Iowa (entre 15 e 19 de fevereiro):
  • Donald Trump – 31,8%;
  • Marco Rubio – 18,8%;
  • Ted Cruz – 18,5%;
  • Jeb Bush – 10,7%;
  • John Kasich – 9%;
  • Ben Carson – 6,8%;

Este resultado pode não se confirmar na eleição de hoje, pois é uma média de pesquisas desde o dia 15. Porém, com o apoio da governadora do estado e de um dos senadores, Rubio tem crescido bastante e já aparece em empate técnico com Trump em alguns levantamentos, apesar de estar bem atrás em outros. É uma dúvida que só será tirada na abertura das urnas, após às 23h de hoje (pelo horário de Brasília, 20h no horário local). Aposto em vitória de Trump, com Rubio terminando em segundo e Cruz em terceiro.

Daniel Mercer.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Resultados em New Hampshire - Partido Democrata


No partido democrata as primárias de New Hampshire foram tranquilas e não se repetiram os problemas que ocorreram em Iowa. Como as pesquisas já indicavam, o socialista Bernie Sanders venceu com tranquilidade, com um resultado a meu ver humilhante para a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Além de todo o staff do partido, Hillary tinha o apoio da Governadora de New Hampshire e, ainda assim, sofreu uma derrota superior a 20%. Tudo bem que a Governadora não tem tido grande popularidade, mas não deixa de ser uma dupla derrota, dela e de Hillary. O Partido Republicano tem inclusive usado o resultado como arma de campanha para a campanha de governador em seu site oficial.

Hillary tem se mostrado bastante preocupada com o avanço de Sanders. No último debate entre os dois ela partiu para o ataque e começou a colocar em dúvida propostas populistas do Senador de Vermont, o acusando de prometer coisas impossíveis de se realizar. Se, por um lado, Hillary assume uma postura mais conservadora e menos populista na economia, tenta se aproximar dos negros e latinos, principalmente do sul do país.

Promessas de regularização dos imigrantes ilegais também são bandeiras de Sanders, então não acredito que esta postura camaleão da Hillary dê bons resultados. Quem é de esquerda sempre quer mais populismo, mais Estado, mais intervenção. E ela não se coloca como a candidata que dará tudo que os esquerdistas querem. Porém, também não é uma candidata genuinamente conservadora, muito pelo contrário, então não tem a menor chance de obter votos de eleitores conservadores independentes, que tem vários candidatos republicanos para escolher.

Na minha opinião, Sanders já começa a ter chances reais de vitória, como já escrevi anteriormente, mas ela se torna mais clara a cada prévia. Na próxima, o caucus de Nevada, ele já tirou uma diferença de mais de 20 pontos percentuais e já aparece tecnicamente empatado com Hillary. Nas pesquisas nacionais, no entanto, ela ainda continua na frente, inclusive com grande vantagem em alguns Estados considerados fundamentais na Super Terça do dia 1º de março, mas a diferença vem caindo diariamente de forma sistemática. A vantagem, que era superior a 25 pontos a menos de dois meses, hoje não passa dos cinco pontos. E repito mais uma vez: a militância jovem democrata está em massa apoiando Sanders, o que pode fazer a diferença ao final da disputa. Hoje eu já arriscaria uma vitória do socialista na maior parte dos estados pelo Partido Democrata. O único entrave de sua indicação é o peso que tem os superdelegados democratas, em que a maioria dos grandes nomes já anunciou apoio à ex-secretária de Estado.

Não fossem estes superdelegados, que na atual eleição estão se portando como antidemocráticos, eu já arriscaria uma vitória do Sanders. Como aposta, disputaria a eleição presidencial contra quem sobrar da briga entre Rubio x Cruz, desde que um apoie o outro contra Donald Trump. É uma aposta arriscada devido às circunstâncias atuais, em que Hillary e Trump ainda se mostram à frente nas intenções de voto e são favoritos. Mas suas respectivas campanhas dão sinais de esgotamento, enquanto as demais parecem renovadas. E o atual momento é crucial para qualquer candidatura.

O resultado final

A apuração do Partido Democrata e a divisão dos delegados em New Hampshire foi bastante tranquilo. Não houve controvérsia entre os meios de comunicação, que desde cedo já cravavam ampla vitória de Bernie Sanders nos dois distritos do estado e também na votação geral. Pelas regras do partido para a primária, em cada um dos dois distritos haveria divisão proporcional de oito delegados em cada e na votação geral ocorreria a divisão de mais oito delegados, também proporcionalmente. Estes 24 delegados somam-se aos oito superdelegados que não tem a obrigação de votar de acordo com o resultado da eleição na convenção nacional – são os delegados “não comprometidos”. Seis destes superdelegados já anunciaram apoio à Hillary, dentre eles a governadora do Estado e algumas outras autoridades. Este apoio deixou a divisão dos delegados empatada em New Hampshire, o que dá uma sensação de grande injustiça e de falta de respeito à decisão dos eleitores. Como pode um candidato vencer por mais de 20% de diferença nos votos populares, mas terminar com uma divisão igualitária dos delegados?

Sobre os superdelegados eu escrevo mais abaixo, agora vamos ao resultado final em New Hampshire, levando-se em consideração apenas os delegados comprometidos em disputa:

Votação Final e por Distrito
Bernie Sanders
Hillary Clinton

Votos Válidos
Delegados em disputa
Votos
Divisão
Delegados ganhos
Votos
Divisão
Delegados ganhos
Distrito 1
114.116
8
68.200
4,78
5
45.916
3,22
3
Distrito 2
117.967
8
73.561
4,99
5
44.406
3,01
3
PLEO
232.083
3
141.761
1,83
2
90.322
1,17
1
At-Large
232.083
5
141.761
3,05
3
90.322
1,95
2
Delegados Totais

24


15


9
PLEO: Líderes do partido e oficiais eleitos comprometidos (pludged); At-Large: Delegados extras, de acordo com a votação do partido em outras eleições no Estado e levando-se em conta a diversidade e as cotas no partido. Fonte: thegreenpapers.com

Como pode-se verificar na tabela acima, cada distrito tem oito delegados em disputa, além de três líderes comprometidos e mais cinco delegados extras que são eleitos para, teoricamente, suprir diferenças raciais e de sexo dentro do partido. A divisão é feita pela fórmula: total de delegados x número de votos do candidato ÷ pelo total de votos (neste caso ou do distrito ou do geral). Após a divisão, arredonda-se para o número inteiro mais próximo. Desta forma, Sanders terminou com 15 delegados comprometidos e Clinton com 9 delegados comprometidos para a Convenção Nacional de julho.

Porém, este não pode ser considerado o resultado final do Partido Democrata em New Hampshire. Esta é apenas a divisão dos chamados “delegados comprometidos”, que leva em consideração a proporcionalidade da votação de cada candidato. Como, dos oito “delegados não comprometidos” ou superdelegados, seis já abriram seus votos e apoiaram a candidata Hillary Clinton, os dois saem da primária empatados, restando apenas outros dois superdelegados que não abriram seus votos até o momento.

Candidato
Delegados ganhos
Superdelegados
Total
Bernie Sanders
15
0
15
Hillary Clinton
9
6
15
Não Comprometidos
0
2
2

O peso dos superdelegados

E esta aparente falta de democracia do Partido Democrata contrasta completamente com as regras do Partido Republicano: apesar de alguns pequenos problemas quanto à divisão de um ou outro delegado, os superdelegados republicanos – ou líderes do partido – estão todos no bolo para a divisão proporcional. Até o momento não há nenhum tipo favorecimento a nenhum dos candidatos e os apoios de governadores e senadores a qualquer um não dá a ele nenhum tipo de vantagem a mais na disputa, apenas o peso do próprio apoio, o que já é muito. São regras que respeitam a escolha do eleitor e paracem serem bem menos coronelistas. A Hillary iniciar a campanha com mais de 300 superdelegados de vantagem passa uma impressão muito ruim a quem presencia o dia a dia da disputa. Inclusive há um abaixo assinado circulando na internet, convocando a população a se manifestar contra este resultado. O documento cita nominalmente todas as autoridades do estado que votam como superdelegados não comprometidos e os acusa de não respeitar a decisão soberana do eleitorado, afirmando que esse não pode ser considerado um resultado democrático.

Ilustração produzida pelo Partido Republicano demonstrando a incongruência da divisão
dos delegados do Partido Democrata, em especial quanto aos Superdelegados.
Abaixo o total de delegados distribuídos em Iowa e New Hampshire e os superdelegados que já abriram seus votos até o momento em todo o país. É bem claro um favorecimento injusto, pois até o momento quem teve mais votos populares, aparece atrás no resultado geral.

Candidato
Projeção dos delegados
Superdelegados
Total
Hillary Clinton
32
431
463
Bernie Sanders
36
15
51

O que realmente impressiona é que nas últimas duas semanas, enquanto Sanders teve mais votos populares e, consequentemente, mais delegados proporcionais, Hillary ganhou a adesão de mais de 80 superdelegados, contra apenas um de Sanders. O que está ficando cada vez mais evidente é que o Senador socialista não tem a simpatia da cúpula do partido, até pelo fato de ter se filiado apenas no ano passado para concorrer às eleições. Mas aí fica a dúvida: se a cúpula não confia nele e não o quer como o candidato do partido, por que permitiu que ele se filiasse? Apenas para fazer número e dar a impressão de uma disputa com vitória esmagadora de Hillary? Se foi esta a intenção, não está dando muito certo, pois Sanders tem crescido em todos os estados e como são necessários 2.382 delegados na convenção, ele ainda pode ultrapassá-la nas primárias. É bem viável, apesar de ainda difícil. Há quem torça por isso, o que não é, evidentemente, o meu caso. Acho o Sanders um candidato carismático, mas com ideias anticapitalistas e antiliberalismo econômico, algumas chegando a soarem antidemocráticas.

Daniel Mercer.