Assim
como aconteceu nos últimos anos, dou início à maratona da corrida ao Oscar 2017
com análises dos principais filmes concorrentes. Quais as principais chances de
cada um? Quais os melhores filmes? O que cada um tem de tão especial que mereça
ser premiado? Quais as maiores curiosidades? Este ano, mais uma vez, a Academia
misturou vários gêneros na categoria principal, o que deve contemplar os gostos
pessoais de grande parte dos amantes do cinema. Porém, quanto mais diversificada
é a premiação, mais imprevisível ela se torna. Também é comum, nestes casos,
que os votos fiquem bem divididos dentre os concorrentes e não vença
necessariamente o melhor, e sim aquele que não tem grandes rivais em um
determinado gênero. Neste contexto, “La La Land - Cantando Estações” sai na
frente, pois é o único musical concorrente e também não há comédias românticas disputando
a categoria principal. Por sua vez, são muitos os dramas, que dividirão votos,
deixando o musical com ainda mais chances.
La La
Land – Cantando Estações.
E o
primeiro texto da corrida é justamente dedicado a “La La Land – Cantando
Estações”. O longa conta a história da jovem aspirante à atriz Mia (Emma Stone), que se mudou para Hollywood buscando seu grande sonho, mas que fracassa
por seis anos em sucessivos testes, sem conseguir seu objetivo. Durante esta
jornada, ela conhece o tecladista Sebastian (Ryan Gosling), que também tem um sonho: abrir sua própria casa
noturna para que o Jazz clássico não morra. Numa união de fracassos
profissionais em série de ambos, nasce um grande amor, retratado no filme de
forma simples, mas bastante intensa.
Escrito
e dirigido por Damien Chazelle, o diretor repete o sucesso de seu filme
anterior “Whiplash – Em busca da perfeição” (2014), na qual também foi
roteirista e diretor, concorrendo a cinco estatuetas – incluindo Melhor Roteiro
Adaptado, para o próprio Chazelle, e Melhor Filme. Não venceu nas suas duas indicações pessoais, mas fez seu nome
ficar conhecido e abriu importantes portas para La La Land, roteiro que
idealizou em 2010, mas que não havia encontrado estúdios interessados em dar
vida ao musical. A direção de Chazelle no filme é impecável, com várias cenas
longas, dinâmicas e sem cortes – fórmula que ficou famosa em “Birdman ou (A
Inesperada Virtude da Ignorância)” -, e um casamento quase perfeito com o
Diretor de Arte David Wasco – Pulp Fiction (1994); Kill Bill (2003) e Bastardos
Inglórios (2009) - que utilizou figurinos e cenários com cores vibrantes, muita
coreografia e bastante jogo de luz. A cena de abertura, com 30 dançarinos, 60
carros e mais de 100 figurantes, mostra a complexidade com que o filme foi
produzido. Além disso, algumas cenas se transformam completamente apenas com a
mudança de luz, em tomadas sem cortes, o que parece simples, mas causa grande
impacto na parte artística do filme. É o grande favorito a diversos prêmios
técnicos, como Edição, Design de Produção, Trilha Sonora, Fotografia e Canção Original - na qual concorre com duas músicas.
Ao
todo, La La Land concorre em 14 categorias no Oscar 2017 – recorde histórico,
igualando “Titanic” (1999), que venceu 11 prêmios, e “A Malvada” (All About
Eve, 1950), vencedor em seis categorias. Também quebrou um recorde histórico no
Globo de Ouro: foi premiado em todas as sete categorias em que concorreu, incluindo
Melhor Filme, Melhor Atriz (Emma Stone) e Melhor Ator (Ryan Gosling), todos no
gênero Comédia ou Musical. Também venceu os prêmios de Melhor Direção e Roteiro
(Damien Chazelle) e tem se destacado nas premiações pré-Oscar, já tendo vencido
o PGA (Sindicato dos Produtores) na categoria Melhor Produção de Longa Metragem;
o SAG (Sindicato dos Atores) na categoria Melhor Atriz (Emma Stone) e DGA
(Sindicato dos Diretores) na categoria Melhor Diretor (Damien Chazelle).
Por
vários motivos, “La La Land: Cantando Estações” é um filme obrigatório para
quem gosta do cinema clássico, mesmo para quem não gosta muito de musicais. O
final não é dos mais “clichês” – e deixou muita gente decepcionada –, mas vale
pelo conjunto da obra.
Para
finalizar uma curiosidade: o nome do filme “La La Land” tem um duplo
significado: remete à Los Angeles, onde fica Hollywood, já que o termo é usado
como apelido para a cidade; também é uma expressão utilizada no sentido do
nosso tão conhecido “mundo da lua”, para descrever uma pessoa que está
desatenta, não está prestando atenção ou pensando em outras coisas. Seria como
perguntar: “Where you are? In La-La Land?”. Com certeza, não há uma definição
melhor para pessoas que estão apaixonadas, pois constantemente parecem estar
vivendo em “La La Land”. Não é verdade?
No
Oscar 2017:
Barbada:
Melhor Edição, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora
e Melhor Canção Original;
Grandes
chances: Melhor Filme, Melhor Diretor (Damien Chazelle), Melhor Atriz (Emma
Stone), Melhor Roteiro Original (Damien Chazelle), Melhor Edição de Som e
Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor
Ator (Ryan Gosling) e Melhor Figurino.
Daniel Mercer.