segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

And the Oscar goes to... "Bohemian Rhapsody"

Nostálgico. Talvez esta seja a melhor definição para "Bohemian Rhapsody". Cheio de referências históricas - porém sem muita fidelidade à cronologia e detalhes dos fatos citados -, o longa é obrigatório para quem gosta de música, é fã do Queen ou, simplesmente, gosta de assistir filmes bem produzidos. O roteiro gira em torno do concerto de rock beneficente Live-Aid, realizado com o intuito de arrecadar fundos para "as pessoas famintas da Etiópia", como descreveram os organizadores do evento, ocorrido no dia 13 de julho de 1985, e traz grande parte da história do Queen, desde a formação da banda até o dia do show. Este evento foi considerado grandioso para a época, tendo reunido bandas como U2, Dire Straits, David Bowie, The Who, Elton John, Paul McCartney, Black Sabbath, Judas Priest, Santana, Madonna, The Cars, Eric Clapton, Phil Collins, Led Zeppelin, Duran Duran, Mick Jagger, Bob Dylan, dentre outros, em dois shows simultâneos: um no histórico estádio de Wembley, em Londres (onde o Queen se apresentou), e outro no estádio John F. Kennedy na Philadelfia, Estados Unidos, em mais de 16 horas de shows ininterruptas. Na época a Etiópia, país situado no leste africano, sofria com a fome em massa causado por conflitos internos e seca, matando 400 mil pessoas de forma direta em apenas três anos, o que incentivou a ideia de um concerto beneficente para angariar fundos para um ajuda humanitária.

E por que este evento é tão importante para o Queen a ponto de merecer ter tamanho destaque em um filme sobre a banda? Simples: os 24 minutos em que Freddie Mercury esteve no palco com a banda são considerados por muitos fãs e críticos como sendo a maior apresentação ao vivo de uma banda em todos os tempos. Exagero ou não, o show levou ao delírio os quase 80 mil presentes em Wembley e quase 2 bilhôes de pessoas que assistiram ao concerto no mundo todo pela televisão, segundo estimativas, em mais de 100 países. A arrecadação do evento também foi impressionante: até a apresentação do Queen, quase 7 horas após o início dos shows, girava em torno de 1,2 milhão de Libras. Após a apresentação da banda, e ao fim do evento, calcula-se que a arrecadação final ultrapassou 150 milhões de Libras (cerca de 187 milhões de dólares na época e 470 milhões de dólares nos dias atuais, considerando a inflação do período e a cotação atualizada). Realmente um feito grandioso.

Vale dizer que como referência biográfica o longa não é muito fiel aos fatos. Questões importantes como a época em que Freddie descobriu ter aids, brigas e separação da banda que nunca existiram ou até mesmo a forma em que ele conheceu os demais componentes ou seu futuro companheiro Jim Hutton, são contados no filme buscando dar contornos mais românticos do que ser fiel à história. Desta forma, a principal crítica ao filme é justamente quanto à falta de apego aos fatos históricos e não deve ser usado como referência principal para quem não conhece a banda e deseja ter mais informações à respeito do Queen. Muitos dos fãs mais próximos da banda "torceram o nariz" para o filme, ou ao menos não gostaram da forma como a história foi contada, pois uma particularidade do longa é praticamente unânime: a excepcional interpretação do ator Rami Malek como Freddie, digno de todos os prêmios recebidos até o momento, muito merecidos.

Nas premiações pré-Oscar, "Bohemian Rhapsody" venceu o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme em drama, mas ficando de fora do Critic´s Choice e sendo derrotado por "Green Book – O Guia" na premiação do Sindicato dos Produtores de Hollywood (considerado o maior termômetro para a principal categoria do Oscar), perdendo força na corrida. Já Rami Malek também venceu o Globo de Ouro como Melhor Ator em Drama, perdendo para o seu principal concorrente Cristian Bale (que sofreu uma completa transformação física em "Vice", interpretando o ex-vice presidente dos EUA Dick Cheney) no Critic's Choice e que também venceu o Globo de Ouro, porém no gênero de comédia ou musical. Quando tudo indicava que Bale ficaria em vantagem na disputa, Malek venceu o prêmio do Sindicato dos Atores de Hollywood (principal termômetro pré-Oscar nas categorias de atuação), voltando a figurar como favorito. Filme e ator chegam muito fortes ao Oscar, que também concorre nas categorias de Edição, Edição de Som e Mixagem de Som.

O longa é bem produzido e os atores são magistrais na interpretação dos componentes da banda. O ator Ben Hardy, que interpreta o baterista e multi instrumentista Roger Taylor, precisou aprender a tocar 11 músicas na bateria para filmar as cenas de apresentação; o ator Rami Malek repetiu as manias de Freddie, além de ter ficado muito parecido com o cantor; já o ator Gwilyn Lee impressiona pela aparência física com o guitarrista Brian May, além de também conseguir imitar as performances dele com louvor. A fotografia é um dos pontos fortes da trama, apesar de ter ficado de fora da categoria no Oscar: cópia quase idêntica do estádio de Wembley, com imagem envelhecida durante o filme e figurino de época, nos remetendo à imagens dos anos 80 de forma muito convincente. A Edição também foi muito bem feita, o que rendeu a primeira indicação ao Oscar para John Ottman ("X-Men 2", "X-Men: Apocalipse" e "Supermen - O Retorno"), que também trabalhou como compositor no filme.

Quanto às categorias de som, obviamente merece uma atenção especial: forte concorrente nas categorias de Edição de Som e Mixagem de Som, os diretores foram muito felizes da forma como o filme foi concebido. Nas apresentações da banda, o ator Rami Malek simplesmente fez uma "dublagem" do som original, o que deixa o filme, para quem assiste, muito real, mas sem superficialidade graças à exemplar interpretação do ator; já nas cenas em que precisava improvisar dando voz ao personagem (mas com afinação próxima à de Freddie), foi usada uma técnica de mixagem entre a voz do ator e de Mark Martel, famoso imitador do cantor que faz muito sucesso na internet. Não surpreenderá se vencer nestas categorias, apesar de não ser o grande favorito.

No Oscar 2019:

Grandes chances: Melhor Filme e Melhor Ator (Rami Malek);
Boas chances: Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor Edição.

Daniel Mercer.

domingo, 4 de março de 2018

And the Oscar goes to... As apostas para a premiação.


Hoje acontece mais uma edição da grandiosa entrega do Oscar. Mas o que esperar da premiação? Quais produções favoritas e as que tem grandes chances de surpreender? Abaixo faço minhas apostas e indico quem pode vencer em cada categoria.

"Viva: A Vida é Uma Festa" (a grande barbada)

Sem sombra de dúvidas, "Viva: A Vida é Uma Festa" desponta como o grande favorito na categoria de melhor animação. Apesar de bons filmes na categoria, como "The Breadwinner" - que em português pode ter seu título mudado para "A Outra Face", já que este é o título original do livro escrito por Deborah Ellis e lançado em 2004 - e "Com Amor Van Gogh" - filme independente que venceu o prêmio de melhor filme indie no Annie - as vitórias do filme estrelado pelo pequeno Miguel, e que conta a história do tradicional dia dos mortos no México,  no Globo de Ouro, Critic's Choice, na principal categoria do Annie e em muitos outros prêmios menores, o credenciam a status de grande favorito, sendo uma grande surpresa se não vencer.

Outra categoria que o longa de animação tem grandes chances é em Melhor Canção Original, com a música "Remember Me". Tem como principais concorrentes: "This Is Me", do filme "O Rei do Show" - estrelado por Hugh Jackman - e "Mistery Of Love", de "Me Chame Pelo Seu Nome". Os dois últimos são tidos como favoritos nas apostas dos críticos, porém a canção da animação da Pixar é a minha preferida e a minha aposta. Se acertar o palpite, praticamente acerto sozinho nos bolões do Oscar nesta categoria.

As categorias técnicas

A meu ver, este ano a qualidade técnica de muitas das escolhas da Academia e das produções lançadas no ano deixaram a desejar. São poucos os longas que despontam como grandes favoritos ou são considerados excelentes filmes na questão artística. Com isso, nesta dificuldade em encontrar um filme artisticamente muito bem produzido, "Brade Runner 2049" desponta como favorito às duas principais categorias técnicas: Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. Já "Dunkink" deve ficar com os prêmios de Edição de Som e Mixagem de Som, restando à "A Forma da Água", longa que concorre à treze Oscars, somente a categoria de Melhor Trilha Sonora, dentre as categorias técnicas. Um feito bem negativo para o filme magnificamente dirigido por Guilhermo del Toro, mas que peca em diversos aspectos, tanto técnicos quanto no próprio roteiro.

Já na categoria de Efeitos Visuais, "Planeta dos Macacos: A Guerra" parece ser o grande favorito, já que venceu os principais prêmios da categoria no pré Oscar. Porém, há um detalhe: a Academia não costuma dar o prêmio para sequências, o que fez o próprio "Planeta dos Macacos" perder em 2014 com o segundo filme da trilogia. Isso pode abrir caminho para "Blade Runner 2049", que sem dúvida é um dos poucos filmes a ter uma grande produção e pode ser o "papa tudo" das categorias técnicas, vencendo os principais prêmios.

As categorias de atuação e roteiro

Entre os prêmios de atuação não haverá muitas surpresas: Gary Oldman, ator que interpreta Winston Churchil de forma magistral em "O Destino de Uma Nação", vencedor do Globo de Ouro, do Critic's Choice e do SAG, dificilmente não levará o prêmio de Melhor Ator; Frances Mcdormand - "Três Anúncios para um Crime" - também venceu os principais prêmios durante a corrida, se tornando quase uma barbada como Melhor Atriz. A sua interpretação no filme é realmente digna de Oscar.

Dentre os coadjuvantes também está fácil cravar os vencedores: Sam Rockwell, o policial problemático de "Três Anúncios para um Crime", venceu Globo de Ouro, SAG, Critic's Choice e vários outros prêmios secundários, o mesmo acontecendo com Allison Janney, por "Eu, Tonya". Qualquer coisa diferente destes favoritos será uma grande surpresa, derrubando muitos bolões e apostas.

Nas categorias de Roteiro Original e Roteiro Adaptado, "Corra!" e "Me Chame Pelo Seu Nome", respectivamente, são os grandes favoritos. Em outros anos ambos não teriam muita chance nestas categorias, que geralmente são vencidas pelos filmes mais fortes na categoria principal. Porém, as grandes produções favoritas a vencer os principais prêmios de atuação, filme e direção não tem grandes histórias - algumas com roteiro bem sofrível - sobrando estes filmes mais secundários na corrida, em que a história é o ponto forte deles.

Melhor direção e filme

Nas duas categorias principais existem grandes favoritos e outros que podem surpreender. Na categoria de Melhor Diretor, Guilhermo del Toro deve salvar "A Forma da Água", que após obter treze indicações ao Oscar, perdeu muita força nas demais premiações pré Oscar. Del Toro venceu o Globo de Ouro, o Critic's Choice e o DGA - prêmio do Sindicato dos Diretores - e desponta como grande favorito. Acredito no grande favoritismo de Del Toro e esta sem dúvida é a minha aposta. Porém, Greta Gerwig, por "Lady Bird - A Hora de Voar", numa possível tentativa da Academia de premiar uma mulher após dez anos, pode surpreender. Ela não venceu nenhuma das grandes premiações no pré Oscar, ficando inclusive de fora de várias indicações e corre por fora na premiação, sendo a única a ameaçar Guilhermo, mesmo que de forma discreta.

A categoria de Melhor Filme continua sendo a mais difícil de prever. Ano após ano o grande prêmio fica entre dois ou três favoritos, geralmente com longas com temáticas bem diferentes. Dentre os grandes favoritos, "Três Anúncios Para Um Crime" chega com bastante força, tendo sido o vencedor do Globo de Ouro, na categoria de Melhor Filme em Drama, e Melhor Elenco no SAG. Já "A Forma da Água", recordista de indicações no Oscar 2018, é uma incógnita, pois não dá para cravar se o filme tem fôlego para o grande prêmio ou não. Enquanto Guilhermo Del Toro é quase uma barbada em direção, o filme venceu poucos prêmios secundários, mas acabou levando, num último respiro, o prêmio principal do Sindicato dos Produtores e ainda pode surpreender. Os outros filmes que chegam bem cotados, apesar de não terem vencido importantes premiações, são: "Lady Bird - A Hora de Voar", "Me Chame Pelo Seu Nome" e "Corra!". Porém a minha aposta é mesmo em "Três Anúncios Para um Crime" e, dos filmes que assisti, foi também o que mais gostei.

As minhas apostas nas demais categorias (as que geralmente matam os bolões)
  • Melhor Filme em Língua Estrangeira - "The Square - A Arte da Discórdia" (filme sueco, o grande favorito);
  • Melhor Documentário - "Flaces Places";
  • Melhor Curta Metragem - "DeKalb Elementary" (chutômetro);
  • Melhor Documentário em Curta Metragem - "Heroin(e)" (excelente curta);
  • Melhor Animação em Curta Metragem - "Dear Basketball" (favorito, apresentado na despedida do astro Kobe Bryant, é muito bom, porém o meu preferido é "Lou").
Bem... Estes são os favoritos da crítica e algumas apostas pessoais. Mas quem deve vencer? Façam suas apostas.

Daniel Mercer.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... Melhor Filme.


Este ano os filmes que concorrem na principal categoria são bons, mas é inegável que Hollywood deu uma caída no último ano. Os roteiros são inferiores que nos anos anteriores, os filmes que concorrem em Efeitos Visuais não são “históricos” e, dentre os favoritos a Melhor Filme, nenhum será lembrado daqui a 10, 20 anos.

Dos que eu assisti, os que mais gostei foram “Manchester À Beira-Mar”, “Lion: Uma Jornada para Casa” e “Até o Último Homem”. Destes, apenas “Manchester” tem chances de vencer o filme principal, tendo ganhado o Satellite, figurado entre os 10 melhores do ano na lista da AFI e vencido o “National Board Review”, outra importante premiação.

Porém, a disputa deve ser mesmo entre “La La Land: Cantando Estações” e “Moonlight: Sob a Luz do Luar”. O primeiro é favorito a vários prêmios técnicos e deve vencer a maioria dos que concorre. É o favorito da crítica artística e venceu quase todos os prêmios pré-Oscar: Globo de Ouro no gênero comédia ou musical, Bafta, Critics Choice, Satellite e praticamente todos os prêmios dos críticos das principais cidades americanas. “Moonlight” venceu apenas o Globo de Ouro no gênero drama e alguns poucos prêmios dos críticos, mas é o favorito da mídia de esquerda nos Estados Unidos e dos “politicamente corretos” de Hollywood. Numa premiação em que os discursos “anti-Trump” devem ser a tônica da noite, dar o prêmio principal a um filme em que a maioria dos atores e o staff são negros, poderia soar como uma espécie de “protesto”, apesar de não fazer muito sentido misturar uma premiação de cinema com política, mas depois que a atriz Meryl Streep fez isso no Globo de Ouro, eu não duvido de muita coisa que esses atores “ativistas” podem fazer. Outro ponto a favor de “Moonlight” foi a grande repercussão da campanha “#OscarSoWhite” no ano passado, que pode fazer a Academia decidir pelo filme.

Mas minha aposta é mesmo em “La La Land”. Acredito que a pressão não deve gerar muito efeito, apesar de ter a certeza de que serei obrigado a ouvir, após a premiação, que a Academia é formada por “velhinhos brancos” e que ele jamais dariam o prêmio para um filme como “Moonlight”, como se não tivessem dado o Oscar para filmes parecidos no passado – “12 Anos de Escravidão”  é um grande exemplo. Acaba sendo um ingrediente a mais para a disputa de hoje. E que comece logo o #Oscar2017.

Daniel Mercer.

And the Oscar goes to... Os favoritos em Direção e Roteiros.


A mesma disputa que ocorre em Melhor Filme, deve ocorrer também nas categorias de Diretor e Roteiros: “La La Land: Cantando Estações”, “Moonlight: Sob a Luz do Lua” e “Manchester À Beira-Mar”.

Diretor: Damien Chazelle, de “La La Land”, é o grande favorito na categoria. Venceu o Globo de Ouro, o Bafta, o Critics Choice o o DGA (Sindicato dos Diretores de Holywood) - este o prêmio mais importante como termômetro do Oscar. Tem como principais concorrentes Barry Jenkins, por “Moonlight” – que venceu premiações menores dos críticos -, e Kenneth Lonergan, por “Manchester”, que venceu o Satellite. A minha aposta, e a de quase todo mundo que comenta cinema, é mesmo em Chazelle, que dificilmente não vencerá e seria bem surpreendente se perdesse.

Roteiro Original: “La La Land: Cantando Estações” x “Manchester À Beira-Mar”, esta é a grande disputa dentre os roteiros originais. “La La Land” venceu o Globo de Ouro e o Critics Choice, iniciando bem a corrida, mas vem perdendo força ao longo das últimas semanas. “Manchester” vem num crescimento contínuo: venceu o Bafta e vários prêmios dos críticos nas principais cidades americanas. A minha aposta é em “La La Land”, mas como “Manchester” é para mim um dos melhores, senão o melhor filme do ano – pelo menos o que mais gostei de assistir -, não ficaria decepcionado se vencesse, muito pelo contrário. Mas é uma disputa em que “La La Land” tem certo favoritismo.

Roteiro Adaptado: nesta categoria a disputa está bem acirrada, sem muito favoritismo, mas que pende um pouco para “Moonlight: Sob a Luz do Luar, pois tende a ser o único Oscar do filme que fo aclamado pela crítica e que é o "queridinho" dos "politicamente corretos" de Hollywood. Curiosamente, o longa venceu o prêmio da Associação dos Escritores na categoria Roteiro Original, porém, como foi adaptado de um texto teatral que nunca foi produzido, detalhe que outras premiações parecem não ter levado em consideração, mas que fez a Academia desqualificar o filme nesta categoria. Tem como principais concorrentes “Lion: Uma Jornada para Casa”, que venceu o Bafta”, e “A Chegada”, que venceu o Critics Choice. Mas minha aposta é mesmo no roteiro de “Moonlight”, que poderia até vencer Roteiro Original se concorresse na categoria. Concorrendo em Roteiro Adaptado, sem os grandes concorrentes do ano, não deve decepcionar.

Daniel Mercer.

And the Oscar goes to... Os favoritos em Animação, Efeitos Visuais e Filme em Língua Estrangeira.

Animação: esta é uma categoria fácil de apostar este ano. Apesar de muitos filmes bons e algumas ausências, como “Procurando Dori”, “Zootopia – Essa Cidade é o Bicho” é o grande favorito e deve vencer com facilidade. Seus principais concorrentes são “O Kubo e as Cordas Mágicas” – que conseguiu o feito quase inédito de concorrer também em Efeitos Visuais – e “Moana: Um Mar de Aventuras”. Minha aposta é em “Zootopia”, que venceu o Globo de Ouro, o Critics Choice, o PGA (prêmio do Sindicato dos Produtores), o Annie Awards (que é o Oscar da Animação) e ainda figurou na lista do 10 melhores filmes do ano do Instituto de Filmes dos Estados Unidos (AFI). E ainda mais por ser da Disney, dificilmente perde.

Efeitos Visuais: é uma categoria sempre muito disputada, que não segue muito as outras premiações e que, quase sempre, é imprevisível. Este ano temos uma novidade: a animação “O Kubo e as Cordas Mágicas” concorre na categoria, feito apenas alcançado em 1994 com “O Estranho Mundo de Jack”. É um feito e tanto que não pode deixar de ser mencionado, apesar das poucas chances de vencer. A grande disputa é entre “Mogli: O Menino Lobo” e “Rogue One: Uma História Star Wars”, com favoritismo para o primeiro.  “Mogli” venceu todas as premiações na categoria até agora: Bafta, Satellite e o prêmio da Sociedade dos Efeitos Visuais. É um filme surpreendente e quem assistiu sabe que os efeitos do filme são simplesmente espetaculares. É uma das apostas que considero mais fáceis no Oscar 2017 e me surpreenderá negativamente se não vencer.

Filme em língua estrangeira: esta categoria teria um favorito natural: “Elle”, que venceu o Globo de Ouro e o Critics Choice – e que concorre também na categoria de Melhor Atriz com Isabelle Huppert – até com certo favoritismo -, porém, surpreendente, ficou de fora da corrida ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Com “Elle” de fora, outros dois filmes se destacam: o iraniano “O Apartamento”, que venceu o Satellite, e o alemão “Toni Erdmann”. A minha aposta é em “O Apartamento”, porém é uma disputa difícil e sem favoritos.

Daniel Mercer.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... Os favoritos aos prêmios secundários.

Abaixo seguem os favoritos aos prêmios secundários do Oscar 2017, os mais difíceis de prever e que, geralmente, decidem os bolões e apostas da premiação.

Documentário: na principal categoria dentre os prêmios secundários do Oscar, o grande favorito é o documentário O.J.: Made in America, que conta a história do jogador de futebol americano O.J. Simpson e a sua acusação de matar sua ex-mulher e seu melhor amigo em 1994. Exibido pela ESPN no programa “30 for 30” em cinco capítulos, totalizando 467 minutos de documentário. Venceu diversos prêmios até o momento e chega forte ao Oscar. Tem como principal concorrente o documentário “A 13ª Emenda”, exibido pelo Netflix e que tenta relacionar a emenda que aboliu a escravidão com o encarceramento dos negros nos Estados Unidos, criando, segundo o documentário, uma nova forma de servidão. Venceu o Bafta e o Satellite e tem ganhado força nas últimas semanas. São documentários interessantes e que devem ser assistidos por quem gosta de história. Minha aposta é em O.J.: Made in America.

Animação em curta-metragem: vencedor na mesma categoria no Annie Awards – o maior prêmio de animação -, “Piper: Descobrindo o Mundo” é a grande referência na premiação de curta de animação. Produzido pela Pixar, tive a oportunidade de assisti-lo antes do filme “Procurando Dori” e gostei bastante. Os demais curtas concorrentes, em especial o 360º da Google “Pearl”, também são bem produzidos, mas sem a mesma qualidade e impacto do curta da Pixar. É a minha aposta e ficaria bem feliz se vencesse.

Curta-metragem: esta é a categoria que se tem menos informações no Oscar 2017 e é a escolha que quebra ou garante os bolões. Sem nenhuma produção em língua inglesa (os curtas são da França, Espanha, Suíça, Dinamarca e Hungria), também é difícil encontra-los para verificar a qualidade de cada um e tentar adivinhar de qual a Academia irá mais gostar. O curta francês “Ennemis Intérieurs” tentou aproximar mais a categoria do grande público mantendo a produção na internet disponível durante algumas semanas no ano passado e trata o terrorismo argelino na França na década de 90. Talvez seu maior concorrente seja o húngaro “Sing”, uma história que mostra crianças que, basicamente, tentam se vingar da sua professora de coral que exige demais delas visando a vitória em premiações, mas a minha aposta é no francês que, além da tradição do país no Oscar, parece ter uma história mais envolvente, trata do tema terrorismo e foi mais visto que seus concorrentes.

Documentário em curta-metragem: com três produções que tratam o problema na Síria, seja tratando diretamente da guerra civil (Watani: My Homeland), seja mostrando a questão da imigração na Turquia (4.1 Miles). Mas o favorito, que venceu alguns prêmios no ano passado, é a produção da Netflix “Extremis”, que trata de decisões morais e éticas tomadas por famílias que tem entes em fase terminal na UTI do Hospital Highland, em Oakland, Estados Unidos. “The White Helmets”, também da Nexflix, é outro documentário em curta-metragem que chega com chances, ao também tratar a Guerra da Síria, mas com um foco maior em Aleppo, mostrando heróis desconhecidos que arriscam suas vidas para salvar mulheres e crianças. Difícil apostar em um apenas, mas como é só palpite, vou de “Extremis”, por ter um tema diferente no meio de vários outros sobre a guerra que podem dividir votos entre eles.

Daniel Mercer.

And the Oscar goes to... Os favoritos aos prêmios de atuação.


Grandes disputas e algumas barbadas, assim será a disputa aos prêmios de atuação no Oscar 2017. Confira abaixo os favoritos em cada categoria.

Ator: a grande disputa desta categoria será entre Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) e Denzel Washington (Um Limite Entre Nós), com amplo favoritismo do irmão mais novo de Ben Affleck, que venceu quase todas as premiações da temporada de corrida ao Oscar: Globo de Ouro, no gênero drama, Bafta, Critics Choice e quase todas as associações de críticos de cinema das grandes cidades americanas. Só não dá para cravar 100% sua vitória porque ele perdeu a disputa considerada como maior termômetro ao Oscar: o prêmio do Sindicato dos Atores de Hollywood, vencido por Denzel Washington. Meu palpite é em Casey Affleck, mas não será surpresa se Denzel levar seu terceiro Oscar para casa, pois esteve espetacular no filme dirigido e interpretado por ele. Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações), que venceu o Globo de Ouro no gênero comédia ou musical, corre bem por fora e tem pouquíssimas chances de surpreender.

Atriz: na categoria feminina, temos uma disputa bem mais acirrada que na categoria masculina entre Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) e Isabelle Huppert (Elle). A atriz francesa começou a corrida muito bem, vencendo o Globo de Ouro no gênero drama e a maioria dos prêmios dos críticos, porém a não indicação de “Elle” na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira, fez com que fosse perdendo espaço para Emma Stone ao longo das semanas. É muito difícil que a atriz de um filme completamente ignorado ao Oscar conquiste o prêmio, mesmo com o espetacular trabalho daquela que é considerada por muitos como a maior atriz do importante cinema francês. O grande favoritismo de “La La Land” dá muita vantagem para Emma, que venceu o Globo de Ouro na categoria comédia ou musical, o Bafta e o mais importante: o prêmio do Sindicato dos Atores de Hollywood, na qual Isabelle sequer concorreu. Até alguns dias atrás, Isabelle Huppert era a minha aposta, porém analisando melhor o momento, Emma Stone chega muito forte na véspera da premiação e deve vencer amanhã. Este é o meu palpite – e talvez o mais difícil de todos.

Ator coadjuvante: se nas categorias principais a disputa está acirrada, o mesmo não pode ser dito das categorias secundárias. O ator Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar) venceu quase tudo que disputou até agora, tanto os prêmios principais quanto os secundários, e não deve ter dificuldade em vencer o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Vencedor do Critics Choice, do SAG e da maioria dos prêmios dos críticos, tem em Dev Patel (Lion: Uma Jornada para Casa) seu maior concorrente. Mas, com certeza, ficará com o Oscar e é uma das minhas apostas mais fáceis.

Atriz coadjuvante: nesta categoria a disputa está mais fácil ainda e Viola Davis (Um Limite Entre Nós) vencerá sem dar nenhuma chance para as concorrentes. Vencedora do Globo de Ouro, do Critics Choice, do Bafta e do SAG não terá nenhuma dificuldade em ganhar. Não tem concorrente à altura da sua espetacular atuação ao lado de Denzel Washington e vencerá sem problemas.

Daniel Mercer.

And the Oscar goes to... “Lion: Uma Jornada Para Casa”.

“Lion: Uma Jornada para Casa” é mais um filme baseado em fatos reais no Oscar 2017. Conta a história do jovem Saroo (Sunny Pawar, depois Dev Patel) que acaba se perdendo do seu irmão numa estação de trem. É uma daquelas histórias que tinha tudo para ser triste, mas acaba dando uma chance para uma criança sem perspectiva, pois o mesmo destino que o afastou de sua família original, lhe deu esperança: conseguiu viver num país desenvolvido, ter boa educação, ter uma profissão, coisas que não teria se continuasse morando no vilarejo que nasceu.

O longa mostra também a grande evolução pelo qual passou o mundo com o avanço da tecnologia. No dia a dia, usando o celular ou o computador conectados à internet hoje de forma quase ininterrupta, nós não nos damos conta de como o mundo mudou e como aplicativos e serviços online facilitaram a nossa vida no sentido de conectar pessoas e nos aproximar de lugares em que nunca estivemos. Com a idealização de serviços como o Google Earth – que é o aplicativo que Saroo utiliza para procurar o lugar que vivia na infância –, se tornou possível visitar o mundo e conhecer lugares apenas com cliques no mouse do computador. E o filme mostra apenas o Google Earth em suas primeiras versões, pois sequer existia o Street View na época, o que facilitaria ainda mais a tarefa de encontrar sua antiga casa.

Sem sombra de dúvida, o ponto alto do filme é a Fotografia. Com filmagens feitas na Índia e na Austrália, o diretor de fotografia Greig Fraser foi muito feliz ao retratar com imagens tão belas e precisas a jornada do jovem Saroo. O enquadramento de algumas cenas e a forma como tudo se desenrola naturalmente na tela, faz de “Lion” um forte candidato na categoria. Fraser mereceu a indicação ao Oscar e pode surpreender, tendo “La La Land” como maior concorrente. Mas é em outra categoria em que o filme concorre, que está o fato que me causou maior estranheza nesta edição do Oscar: por que Dev Patel concorre na categoria de Melhor Ator Coadjuvante se ele é o principal ator do filme? Se Patel, que interpreta o Saroo adulto por quase uma hora de filme, é apenas coadjuvante, quem é o ator principal? O jovem Sunny Pawar – que interpreta o Saroo enquanto criança – e que ninguém conhecia antes deste papel? Será que tentaram “encaixar” Patel para que ele concorresse ao Oscar sem ter muita chance de concorrer na categoria principal? Mas se existe este tipo de “encaixe”, por que a academia não faz isto com outros bons atores que acabam ficando de fora da corrida? É estranho e bem difícil de explicar.

Para finalizar, “Lion: Uma Jornada para Casa” também concorre em outras quatro categorias no Oscar 2017: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante – com a excelente interpretação de Nicole Kidman -, Melhor Roteiro Adaptado (Luke Davies) e Melhor Trilha Sonora, mas chances reais mesmo, apenas em Fotografia.

Boas chances: Melhor Fotografia (Greig Fraser);
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel), Melhor Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), Melhor Roteiro Adaptado (Luke Davies) e Melhor Trilha Sonora.

Daniel Mercer.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... “Até o Último Homem”.

Uma história real com um roteiro bem escrito é sempre um prato cheio para o cinema. Sou suspeito para comentar filmes de guerra, já que sou fã do gênero, ainda mais quando a qualidade e o realismo dos combates beiram à perfeição, como em “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge, no título original), filme que marca a volta, em grande estilo, de Mel Gibson como diretor. E logo com uma indicação ao Oscar.

O longa conta a história do combatente de guerra e cristão, adventista de sétimo dia, Desmond Doss (Andrew Garfield) que, por questões pessoais e religiosas, decide não pegar em armas, nem durante o seu treinamento de guerra, nem em uma das batalhas mais importantes e sangrentas da 2ª Grande Guerra: a batalha de Okinawa, no Japão, mais especificamente na Serra de Hacksaw, que matou mais de 6 mil aliados e 18 mil japoneses. Dentro das forças armadas, Doss foi o primeiro opositor consciente – que nos dias atuais, é uma alcunha dada a pessoas que reivindicam o direito de se recusar a prestar os serviços militares por questões ideológicas ou religiosas. No caso em questão, há 70 anos, Desmond Doss decidiu participar da guerra como médico, mas se recusava a pegar em armas para matar os inimigos na batalha. Foi o primeiro opositor consciente a receber a Medalha de Honra do Congresso americano.

Apesar de, em boa parte do filme, a gente tender a ser contra aquela decisão de Doss e a criticá-lo, achando radical e sem sentido numa guerra alguém se recusar a se defender e a defender seus companheiros, durante o filme, e diante do que ele faz, acabamos respeitando e entendendo sua decisão. A questão mais importante é que ele salvou sozinho mais de 75 soldados, uma quantidade impressionante de homens feridos que foram deixados para trás por seus companheiros. A frase: ”por favor Deus, me ajude a salvar mais um" e repetida por dezenas de vezes, é forte e emociona. É uma história real de um grande herói de guerra, responsável por dar apoio médico a uma das mais importantes operações da segunda guerra para os aliados. Sempre que a história da Segunda Guerra é contada vale a pergunta:  o que teria sido do mundo se estes heróis tivessem falhado e os nazistas e seus aliados tivessem triunfado? Por isto, talvez, as reverências nunca são exageradas.

“Até o Último Homem” concorre no Oscar 2017 em seis categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (Mel Gibson) e Melhor Ator (Andrew Garfield). Mas é na parte técnica que o filme tem mais chance, principalmente na categoria de Edição de Som, em que é apontado como favorito. Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som são as demais categorias em que o longa concorre. Se vencer, será apenas em Edição de Som, em que tem “La La Land” (sempre ele) como grande concorrente.

No Oscar 2017:

Grandes chances: Melhor Edição de Som;
Boas chances: Melhor Mixagem de Som;
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Mel Gibson), Melhor Ator (Andrew Garfield) e Melhor Edição.

Daniel Mercer.

And the Oscar goes to... Os favoritos aos prêmios técnicos – Parte II.


Canção, trilha sonora, edição de som e mixagem.

Dando continuidade aos favoritos às categorias técnicas do Oscar 2017, agora os prêmios de som. Assim como os anteriores, “La La Land” deve vencer quase todos, senão todos os Oscars em disputa.

Canção Original: de todos as prêmios que “La La Land” concorre, este talvez seja a maior barbada. Não só por concorrer com duas canções, mas por ter vencido, com “City of Stars”, o Globo de Ouro e o Satellite de Melhor Canção Original. Tem “How Far I’ll Go”, da animação “Moana: Um Mar de Aventuras”, como principal concorrente, mas não deve ter surpresas. Meu palpite não poderia ser diferente: “City of Stars”, de “La La Land”.

Trilha Sonora Original: mais um grande favoritismo de “La La Land”, que venceu o Globo de Ouro, Critics Choice e Satellite nesta categoria. Tem em “Jackie” seu maior concorrente, mas que só venceu prêmios menores das associações de críticos de cinema durante o período pré Oscar. Meu palpite: “La La Land”.

Edição de Som: nesta categoria temos três fortes concorrentes: “La La Land”, “A Chegada”, que venceu o Bafta, e “Até o Último Homem”, que venceu o Satellite. “La La Land” venceu o prêmio dos Editores de Som de Hollywood na categoria Melhor Edição de Som em filme musical. Meu palpite também é em “La La Land”, mas “Até o Último Homem” chega forte e a edição de som do filme é espetacular. Considero o melhor dentre os que vi, mas o musical caiu nas graças de todo mundo que faz cinema nos Estados Unidos e é a minha aposta.

Mixagem de Som: os principais concorrentes são os mesmos da categoria anterior: “La La Land”, “A Chegada” e “Até o Último Homem”, mas com um favoritismo maior do musical. Meu palpite também é “La La Land” que, se eu estiver correto, pode chegar a oito prêmios somente entre as categorias técnicas. Neste ritmo pode quebrar o recorde de 11 Oscars. Ou, pelo menos, igualar. Vamos aguardar.

Daniel Mercer.

And the Oscar goes to... Os favoritos aos prêmios técnicos – Parte I.


Edição, Fotografia e Direção de Arte.

Se na categoria de Melhor Filme está muito difícil tirar a vitória de “La La Land: Cantando Estações”, é na parte técnica que o favoritismo do musical se torna estrondoso. Das 10 categorias técnicas, o filme concorre em nada menos que oito, sendo favorito em, pelo menos, seis delas. Abaixo seguem as disputas e quais, os favoritos e os meus palpites para cada estatueta.

Direção de Arte: Das principais premiações pré-Oscar, “La La Land” venceu a maioria: Critics Choice, Satellite Awards e a premiação da Associação dos Diretores de Arte no gênero Filme Contemporâneo. O principal concorrente de “La La Land” nesta categoria é “Passageiros” que venceu o prêmio da Associação, mas no gênero Filme de Fantasia. Minha aposta é que "La La Land" vença sem dificuldade.

Fotografia: Nesta categoria há uma disputa maior, com “La La Land” disputando com “Lion: Uma Jornada para a Casa” e “Moonlight: Sob a Luz do Luar”. “La La Land” venceu o Bafta (premiação britânica) e o Critics Choice. “Lion” venceu aquele que é o maior termômetro do Oscar: a premiação da Sociedade de Cinematografia. “Moonlight” venceu alguns prêmios menores de associações de críticos locais. Podem surpreender no Oscar, mas minha aposta nesta categoria também é em “La La Land”.

Edição: Esta categoria está sendo a mais disputada das categorias técnicas e a aposta é difícil. “La La Land” venceu o Critics Choice, o Ace Eddie (maior premiação em Edição) no gênero comédia ou musical e vários prêmios menores das sociedades de críticos nas grandes cidades americanas; “A Chegada” desponta como principal concorrente e venceu o Ace Eddie no gênero Drama; já “Até o Último Homem” corre por fora, tendo ganhado força recentemente, com as vitórias no Bafta e no Satellite. Minha aposta também é em “La La Land”, pelo fenômeno que se tornou.

Figurino e Maquiagem

Aqui menos favoritismo de "La La Land" e disputas mais acirradas.

Figurino: esta talvez seja a categoria em que La La Land tem menos chances dentre as que concorre. E talvez seja o Oscar que faltará para o filme igualar os recordes de “Titanic” e de “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”, com 11 estatuetas. O filme “Jackie” aparece como o grande favorito nesta categoria, tendo vencido Bafta, Critics Choice e Satellite. Porém, perdeu um pouco de força na premiação da Associação dos Figurinistas americanos, ao não vencer a categoria de filme de época a que concorria. Acabou perdendo para “Figuras Secretas”, que sequer concorre ao Oscar nesta categoria. Ponto para “La La Land”, que fez o dever de casa e venceu o prêmio no gênero Figurino Contemporâneo e chega com força ao Oscar. Apesar de “Jackie” ainda aparecer como grande favorito vou levar em consideração o momento e também apostar em “La La Land” nesta categoria.

Maquiagem ou Penteado: aqui uma categoria em que “La La Land” não concorre, mesmo tendo vencido algumas premiações na categoria Penteado Contemporâneo e concorrido ao prêmio da Associação de maquiadores e cabelereiros de Hollywood na categoria Maquiagem Contemporânea. Apesar do Oscar ser Maquiagem ou Penteado, geralmente os filmes concorrentes são sempre os de melhor maquiagem. Dentre os concorrentes ao Oscar se destacam “Esquadrão Suicida”, que venceu na categoria Melhor Maquiagem em Filme de Época e “Star Trek: Sem Fronteiras”, vencedor de Efeitos Especiais em Maquiagem. “Esquadrão Suicida” chega como favorito e é também a minha aposta.

Daniel Mercer.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... "Moonlight: Sob a Luz do Luar".

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” é uma junção de drama juvenil, mostrando desde o tráfico de drogas em comunidade pobre, com a mãe do protagonista dependente química, violência doméstica, bullying escolar quando ainda criança e romance gay adolescente. Tudo junto e misturado, mas na medida, com bom senso e sem exageros.

Chiron é uma criança pobre, que sofre bastante durante sua infância com a mãe Paula (Naomi Harris) usuária de drogas. Conhece o traficante Juan (Mahershala Ali) que o ajuda em alguns momentos de sua vida, principalmente quando não tinha onde passar a noite ou quando sua mãe o expulsava de casa. Juan e sua mulher Teresa (Janelle Monáe) tratam Chiron como sendo da família, se tornando sempre um porto seguro para o personagem principal em momentos de dificuldade. Mesmo depois da morte de Juan, que não é retratado no filme, apenas citado, Teresa continua recebendo Chiron em sua casa, tendo um quarto sempre à sua disposição. A história possui três fases distintas, em que Chiron é interpretado por atores diferentes: infância (Alex Hibbert), adolescência (Ashton Sanders) e fase adulta (Trevante Rhodes), este já como “Black”, conhecido e respeitado traficante local.

Particularmente, eu acho os filmes de Hollywood que tratam o tema da homossexualidade, no geral, bastante exagerados e caricatos. Um exemplo disso é o já clássico “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), que na época quis mais polemizar do que realmente mostrar as relações homoafetivas de forma real, já que apelou para cenas bastante fortes – e que só se vê em filmes pornôs, quando heterossexuais – numa época em que o tema ainda era pouco abordado. A proibição em diversos países árabes, do Caribe e em redes de cinema nos Estados Unidos ajudou na divulgação do filme e na estridência de ativistas, mas não muito em tentar diminuir o preconceito que ainda existe, mas que tem diminuído com o tempo. Já em “Clube de Compras Dallas” (2013), a homossexualidade é apenas mostrada de forma secundária, já que o foco principal é o combate à AIDS, devido aos primeiros grupos de risco da doença e de toda a discriminação sofrida pelos gays à época, e acabou tendo uma recepção crítica bem melhor. “Moonlight: Sob a Luz do Luar” está neste segundo grupo, não tendo o tema como central, sem a intenção de polemizar o assunto, mas o abordando de forma natural e singela, sem exageros ou caricaturas e mostrando as coisas como elas ocorrem na vida real.

O longa é baseado na obra do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, “In Moonlight Black Boys Look Blue”, em projeto apresentado na instituição “Yale School of Drama”, ligada à Universidade Yale e que o próprio McCraney preside. Nasceu como uma peça teatral e foi adaptada para o cinema pelo diretor e roteirista Barry Jenkins, que concorre ao Oscar nas categorias Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor, merecidamente. Por sua vez, acho bem exagerado o favoritismo de Mahershala Ali ao Oscar de melhor ator coadjuvante – venceu o Critics Choice e o prêmio do Sindicato dos Atores, mas não tem grandes concorrentes na categoria – talvez Dev Patel, por “Lion: Uma jornada para casa” ou Aaron Taylor Johnson, por "Animais noturnos", vencedor do Globo de Ouro. Não consegui identificar no filme uma atuação incontestável ou cenas que possam justificar tal favoritismo, a não ser, de fato, falta de concorrência.

Além das categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado, o longa concorre em quatro outras categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Naomi Harris), Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Tirando o favoritismo de Mahershala Ali e boas chances com o roteiro, não deve disputar com força nenhuma outra estatueta. Mas, por ter vencido o Globo de Ouro de Melhor Filme no gênero drama, e por ter grande apelo racial, o filme pode até surpreender na premiação. Como esquecer a campanha #OscarSoWhite do ano passado? A Academia este ano está com uma tendência a fazer um “mea culpa” e parece estar motivada a entrar no mundo do “politicamente correto”. Vamos esperar para ver o que acontece. Não é, nem de longe, o meu predileto. Mas não há dúvidas que tem suas qualidades e merece estar entre os indicados.

No Oscar 2017:

Grandes chances: Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e Melhor Roteiro Adaptado (Barry Jenkins);
Boas chances: Melhor Filme;
Outras categorias: Melhor Diretor (Barry Jenkins), Melhor Atriz Coadjuvante (Naomi Harris), Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora.

Daniel Mercer.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... "Manchester À Beira-Mar".

“Manchester À Beira-Mar” é um filme forte, dramático, com uma história triste, cativante e muito emocionante. Conta a história de Lee (Casey Affleck, irmão mais novo de Ben Affleck), que morava com sua família na pequena cidade de Manchester-by-the-sea (ou simplesmente Manchester, com pouco mais de 5 mil habitantes), no estado de Massachussets, até cometer um grave erro que mudou para sempre a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor. Após a tragédia, Lee, que se mostrava uma pessoa pacata, porém brincalhona, sociável, com vários amigos e amoroso com a família, se tornou antissocial, sem amigos e bastante distante do que restou da sua família e amigos. Em pelo menos dois momentos do filme ele se mostra autodestrutivo, buscando brigas em bares, aparentemente para sair um pouco do estado mórbido em que passa a maior parte do seu tempo.

Sistemático, fala o tempo todo em logística, em como organizar e resolver as situações de maneira mais prática possível, sem se preocupar muito com as emoções. Com a morte de seu irmão Joe (Kyle Chandler), se vê obrigado a cuidar do seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges), já que se torna seu tutor. Seu irmão havia planejado tudo: gastos para mudança de Boston para Manchester, custeio mensal para o período de adaptação, gastos menores do dia a dia com o seu filho, dinheiro para a faculdade, dentre outros. Só não discutiu previamente com o irmão que ele ficaria no seu lugar após sua morte. O roteiro se desenrola em torno desta relação tio-sobrinho, enquanto a história pregressa de Lee se passa em flashbacks bem chocantes, no que o filme mostra sua grande virtude: consegue extrair o melhor do drama familiar sofrido pelo protagonista, sem exagerar na dose. Ponto para o diretor Kenneth Lonergan, também roteirista, que, não por acaso, concorre ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original com muito mérito. As falas curtas dos personagens, muitos momentos de silêncio e a riquíssima linguagem corporal, são a tônica do longa, que não se preocupa em mostrar estereótipos, histórias de superação ou um final feliz. É um filme que tenta, com sucesso, mostrar uma história mais próxima da vida real possível, com personagens de carne e osso e sem apelar para o lado emocional. É, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano, que pode premiar Casey Affleck com o Oscar de Melhor Ator.

“Manchester À Beira-Mar” é mais um filme com baixo custo que concorre na categoria de Melhor Filme (apenas 8,5 milhões de dólares, custo comparável com alguns filmes brasileiros). Concorre ao Oscar em seis categorias: além de Melhor Filme, Diretor e Ator, com Casey, concorre à Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Melhor Atriz Coadjuvante (Michele Williams, no papel da ex-mulher de Lee) e Melhor Roteiro Original (Keneth Lonergan). Tem grandes chances apenas com Casey Affleck, que tem Denzel Washington como maior concorrente – venceu quase todas as premiações de Melhor Ator, mas perdeu o SAG (premiação do Sindicato do Atores, maior termômetro do Oscar), e pode chegar enfraquecido no dia da premiação.

No Oscar 2017:

Grandes chances: Melhor Ator (Casey Affleck);
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Keneth Lonergan), Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Melhor Atriz Coadjuvante (Michele Williams) e Melhor Roteiro Original (Keneth Lonergan).

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... "Um Limite Entre Nós".

“Um Limite entre Nós” (Fences, em inglês) é mais um daqueles filmes em que o título em português foi modificado totalmente, sem explicação e sem fazer muito sentido. É o tipo de situação que, num mundo globalizado, em que as pessoas procuram cada vez mais informações em inglês, mesmo que fazendo uso de tradutores online, só confunde e atrapalha quem procura dados sobre o filme. Em se tratando de uma adaptação do teatro para o cinema a coisa piora, já que a peça teatral só é conhecida como “Fences” e acaba não tendo ligação alguma com o título em português. Quem será que faz este tipo de coisa e qual o ganho isso tem para a divulgação do filme? “Fences” (cercas em inglês) é um título muito mais apropriado, que nos leva a dois sentidos no desenrolar do enredo: a cerca física, que é construída ao longo da trama pelo protagonista, e pela barreira criada, esta invisível, entre ele e sua esposa, ocasionada pelas suas escolhas.

“Fences” é uma peça teatral criada em 1983 pelo dramaturgo August Wilson para a Broadway. Faz parte de uma série de peças teatrais – dez no total – que recebeu o nome Pittsburg Cycle – Ciclo de Pittsburg –, já que nove dos dez ensaios se passam na cidade homônima, segunda maior do estado da Pensilvânia e considerada uma importante comunidade afrodescendente, com cerca de 26% da cidade formada por afro-americanos. É a cidade onde nasceu Wilson, que também é o roteirista da adaptação de “Fences” para o cinema, vencendo o importante prêmio Politzer em 1987.

“Um Limite Entre Nós” tem como protagonista Troy (Denzel Washington), um personagem extremamente mal humorado e irritadiço, frustrado por não ter conseguido fazer carreira na liga de basebol para negros quando jovem – na época a Liga Nacional de Basebol, Major League Baseball, ainda não permitia atletas negros inscritos. Troy culpa o racismo pelo seu insucesso, já que acredita ser melhor, mesmo aos 53 anos, que a maioria dos atletas brancos da MLB, não tendo tido sucesso apenas por causa da sua cor. A sua prisão, ainda enquanto jovem, devido a um assassinato ocasionado num assalto, acabou jogando por terra qualquer chance de sucesso na carreira esportiva.

Troy é casado com Rose (Viola Davis), uma dona de casa dedicada aos cuidados do marido e da criação do filho. Ambos moram com o filho Cory – que sonha ser jogador de futebol, mas é constantemente boicotado pelo pai, que teme que seu insucesso seja repetido por ele – e com o irmão mais novo Gabriel, um soldado de guerra, que possui sequelas neurológicas visíveis.

O roteiro é bom. Denzel, que já havia participado como ator da peça teatral entre 2010 e 2016 (juntamente com todo o elenco do filme), dá show de interpretação, mas peca na direção, também feita por ele. De fato, poucos são os atores ou diretores que conseguem fazer com maestria as duas coisas – e Denzel ainda é coprodutor do filme. Denzel se mostra muito à vontade no papel, bastante desenvolto e encarna o personagem com muita propriedade. Porém, os monólogos apresentados por Troy são, muitas vezes, cansativos e enfadonhos. O filme é pouco dinâmico e dá a impressão que estamos assistindo a uma peça teatral e não a um filme. O roteiro, bem pouco modificado por Wilson, poderia ter sido melhor adaptado para o cinema. A Direção de Arte do filme também é limitada, pois devia ter explorado melhor o ambiente interno da casa, já que o foco acaba sendo sempre o quintal, onde quase todas as cenas acontecem, em especial as principais discussões – mais uma prova que a direção manteve os mesmos cenários do teatro, com pouquíssimas modificações.

O filme acaba sendo um show de interpretação de Denzel e Viola, que concorrem ao Oscar nas categorias Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Viola Davis tem se tornado a grande favorita na categoria, já tendo vencido o “Critics Choice”, o Globo de Ouro, o SAG (prêmio do Sindicato dos Atores) e o Bafta. Denzel corre por fora, tendo sido preterido em quase todas as premiações, mas vencendo o SAG, que é o grande termômetro do Oscar, tendo grande parte dos votantes membros da Academia. As outras categorias em que concorre, Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, não têm grandes chances.

No Oscar 2017:

Grandes chances: Melhor Atriz (Viola Davis);
Boas chances: Melhor Ator (Denzel Washington);
Outras categorias: Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado (August Wilson).

Daniel Mercer.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to... "A Chegada".

O que aconteceria se seres extraterrestres chegassem à Terra de repente, sem nenhum contato anterior e sem que ninguém soubesse da sua existência? E se, ao invés de apenas uma nave, pousassem na Terra doze, cada uma numa região do planeta e houvesse a necessidade da ajuda mútua dentre as nações para decifrar o estranho idioma dos seres recém-chegados e qual as reais intenções deles? Aí parece que a coisa complica bastante. Enquanto as grandes histórias de ficção científica extraterrestre precisavam apenas dos EUA para serem solucionadas e salvar a humanidade, parece que as coisas eram bem mais simples.

É em torno desta grande confusão política mundial que está inserido "A Chegada", longa que concorre em oito categorias no Oscar 2017, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (Dennis Villeneuve) e Melhor Roteiro Adaptado (Eric Heisserer), mas que curiosamente para um filme de ficção, não concorre ao Oscar de efeitos especiais. Este talvez seja o ponto que o filme deixa a desejar: talvez fosse melhor produzido, utilizando mais recursos, com mais tempo de preparação e mais efeitos especiais, é possível que tivesse se tornado grandioso. O longa peca em diversos pontos que poderiam ter sido mais bem explorados. O baixo custo de produção (U$ 47 milhões de dólares, contra um orçamento de U$ 165 milhões de dólares de “Independence Day: O Ressurgimento” e “Interestelar”, por exemplo) o limitou bastante, apresentando temas que foram melhor explicados em outros filmes. Um grande exemplo disso, foi não ter conseguido apresentar em imagens a relatividade temporal tão bem mostrada há dois anos em "Interestellar", este sim um grande clássico da ficção científica.

“A Chegada” tem muita conversa para pouca cena e o roteiro acaba girando em torno da história da protagonista Louise (Amy Adams), uma famosa linguista, chamada para tentar se comunicar com as criaturas. Louise passa grande parte do filme sofrendo com memórias sobre sua filha e seu casamento mal sucedido, memórias estas que dão forma à relatividade temporal do enredo, mas que acaba sendo muito mal trabalhado. Outro tema central, este um pouco melhor explorado, diz respeito ao estranho idioma dos extraterrestres, com símbolos cheios de detalhes e diferentes de tudo que nós conhecemos.

O roteiro é até bom, mas precisaria ter detalhado melhor pontos centrais da trama para dar vida a um grande filme. É legal, vale a pena pela qualidade artística – em especial Fotografia, Edição e Direção de Arte – mas não acrescenta em nada ao gênero sci-fi e não tem grandes atuações que possam fazer dele um bom drama. Não tem muitas chances aos prêmios que disputa no Oscar 2017 e sequer tem sido lembrado nas principais premiações, apenas tendo concorrido ao Globo de Ouro, nas categorias Melhor Atriz em Drama (Amy Adams) e Melhor Trilha Sonora, perdendo ambos, e ao próprio Oscar, em exageradas oito categorias.

No Oscar 2017:

Poucas chances: Melhor Direção de Arte, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem.
Outras categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Dennis Villeneuve) e Melhor Roteiro Adaptado (Eric Heisserer).


Daniel Mercer.